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Três armas e três fontes do antissemitismo crescente no mundo

Thaís Garcia

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Três armas e três fontes do antissemitismo crescente no mundo 16
Imagem: Colagem/iStock

O antissemitismo está aumentando em todo o mundo, especialmente na Europa. Na semana passada, as principais organizações judaicas do mundo se reuniram em Nova York para discutir o que pode ser feito a respeito, à medida que a situação se torna cada vez mais perigosa para os judeus na Europa e também nos Estados Unidos.

O antissemitismo quando aparece, pode se tornar incontrolável e muito destrutivo.

Dados
A Liga Anti Difamação dos EUA (ADL) publicou seu relatório anual sobre ataques antissemitas nos EUA. A ADL descobriu que o número de ataques físicos a judeus, mais do que dobrou em 2018 comparado a 2017.

O mesmo fenômeno é visível na Alemanha, na França, no Reino Unido, na Holanda e mesmo em países como a Finlândia.

Em maio, o Escritório Central para o Judaísmo Europeu e o Congresso Judaico Europeu publicaram um novo relatório sobre o número de ataques antissemitas no mundo. As organizações mostraram que o número de ataques violentos aumentou 13% em 2018, excluindo Israel.

De acordo com um estudo da União Europeia publicado de julho deste ano, jovens judeus europeus experimentam mais antissemitismo do que seus pais enfrentaram. Cerca de 44% dos entrevistados no estudo entre 16 e 34 anos de idade sofreram algum tipo de perseguição, mais que o dobro da proporção para os que têm mais de 60 anos, de acordo com o levantamento feito pela Agência da UE para Direitos Fundamentais.

Mais de 80% de judeus de todas as idades disseram ter sentido que o antissemitismo havia crescido na internet nos últimos cinco anos e que cerca de 70% disse ter enfrentado algum tipo de hostilidade em público.

Bélgica
Na Bélgica, um carro alegórico no desfile de carnaval deste ano na cidade de Aalst, apresentou uma representação, no estilo nazista, de judeus gananciosos, sentados sobre uma pilha de dinheiro, um com um rato no ombro. E quando confrontado por grupos judeus locais, o prefeito da cidade defendeu o grupo de carnaval.

Em 2013, neste mesmo carnaval, um grupo desfilou com um vagão nazista levando judeus a um campo de extermínio.

Às vezes, a evidência do antissemitismo na Europa é óbvia, e às vezes é sutil – como quando judeus são obrigados a saírem de um bairro, por falta de segurança.

Em Bruxelas, uma sinagoga teve que ser vendida, porque a área se tornou perigosa demais para os judeus.

Desde o primeiro século, os judeus estão em Bruxelas. Mas, muitos agora estão saindo por causa do antissemitismo e ameaças de violência. Eles estão deixando sua cidade para ir para uma cidade mais segura, permanecendo no mesmo país.

Em 2014, o Museu Judaico de Bruxelas, que conta sobre os 2.000 anos de história dos judeus na Bélgica, sofreu um ataque terrorista islâmico que matou 4 pessoas. No entanto, é a história recente que os europeus parecem estar se esquecendo.

Muitos europeus afirmam que não se trata de antissemitismo, mas dizem que é apenas “humor” e “liberdade de expressão”. Porém, esse tipo de humor está matando judeus. Insinuando os famosos clichés semitas de que os judeus têm “poder, dinheiro e controle”.

França, Holanda, Alemanha e Grã-Bretanha
O antissemitismo também começou a aparecer no movimento dos “coletes amarelos” da França. Em Paris, as revoltas contra os “ricos e poderosos” se voltam inevitavelmente contra os judeus. Na Grã-Bretanha, os ataques antissemitas aumentaram pelo terceiro ano consecutivo.

Em 2018, na Alemanha, os ataques violentos contra judeus quase dobraram. E em março deste ano, um rabino de destaque foi cuspido em público.

Na Holanda, o número de ataques antissemitas registrados no país aumentou 19% no ano passado. Em 2018, 135 ocorrências foram registradas, 22 a mais do que no ano anterior. Além disso, foram relatados 95 casos de antissemitismo na Internet e mídias sociais, segundo dados do Centro de Informação e Documentação de Israel (CIDI).

3 fontes do antissemitismo

Uma nova pesquisa do Instituto Hudson mostra que a maioria dos americanos acredita que o antissemitismo está crescendo nos Estados Unidos. Alguns dizem que o antissemitismo infectou o Partido Democrata.

De acordo com Adam Milstein, presidente nacional do Conselho Israelense-Americano, o antissemitismo cruel está presente há muito tempo na política. E tem crescido na esquerda, no surgimento de grupos neonazistas e em grupos islâmicos. Aliás, o antissemitismo é a pedra angular dos movimentos islâmicos radicais.

Embora essas fontes de antissemitismo em nosso mundo hoje venham de tradições muito diferentes, elas estão cada vez mais compartilhando ideias e táticas, reforçando uma onda de ódio, fanatismo e racismo.

Muçulmanos e a esquerda

Nos últimos anos, a América do Norte se juntou à Europa para testemunhar uma aliança crescente entre muçulmanos e esquerdistas.

Os muçulmanos que apedrejam as mulheres, executam gays, atropelam os direitos humanos das minorias e abominam o feminismo. No papel, a esquerda deveria estar chocada com essa ideologia antifeminista, mas esses aliados improváveis alegremente deixam de lado suas diferenças, porque compartilham um ódio comum pela influência ocidental no mundo, pelo patriotismo, pela liberdade de expressão, pela tolerância e pelos valores judaico-cristãos.

Por exemplo, o senador Bernie Sanders de Vermont, que fez campanha para o líder esquerdista britânico Jeremy Corbyn, que trabalhou em estreita colaboração com o teórico da conspiração antissemita Paul Eisen, autor de um blog intitulado “Minha vida como negador do holocausto”. Sanders não faria campanha para alguém que fosse sexista, racista, homofóbico e islamofóbico. Mas, fez campanha para um antissemita, porque as organizações de esquerda incentivam o antissemitismo.

Para Milstein, a esquerda fecha os olhos para as ideias fanáticas do Islã radical, como o tratamento de mulheres, gays e minorias. Ignoram também, a convicção dos muçulmanos quanto à superioridade da moral islâmica e sua cultura. A esquerda infantiliza os muçulmanos e retrata o Islã como um bloco monolítico, simboliza-os como o “povo oprimido pelo Ocidente”.

Nesta visão de mundo distorcida e histórica esquerdista, Israel é um “opressor colonialista” que visa os muçulmanos; e os judeus são um “grupo todo-poderoso” que é culpado de todos os problemas no Oriente Médio e no mundo.

Essa aliança entre a esquerda e o islamismo é bem caracterizada por ativistas políticos, como Linda Sarsour, uma das organizadoras da Marcha das Mulheres em Washington, que como líder feminista, também admira a vil misoginia da sharia. Ela chamou um jornalista judeu de “membro da extrema-direita antissemita”. E abriu um de seus discursos de “jihad contra Trump”, agradecendo à Siraj Wajjah, imam e líder da Aliança Muçulmana na América do Norte (MANA) e co-conspirador no atentado de 1993, no World Trade Center. Ela também elogiou o tratamento das mulheres na Arábia Saudita. Mesmo sendo apresentada como um modelo para as mulheres da esquerda nos EUA.

Crescimento da estranha aliança

Essa estranha aliança está crescendo. Em 2017, estudantes esquerdistas da Universidade Tufts, nos EUA, publicaram um “Guia de Desorientação”, que chamou Israel de um Estado de “supremacia branca”. Isto expõe a profundidade do antissemitismo entre os esquerdistas nos campos universitários e demonstra como esses grupos usam a mesma retórica dos grupos muçulmanos radicais, que chamam Israel de “ocupante colonial”. Um dos escritores do guia afirmou que isso não era antissemita, porque ela mesmo era judia.

Na Universidade de Nova York, um guia semelhante “progressista” condenou Israel, fazendo referência ao país 55 vezes – com palavras como: “extrema-direita”, “racismo”, “fascismo”, “supremacia branca” e até “socialismo” (?!).

Em maio, uma revista satírica de estudantes da Harvard editou uma foto “sensual” de Anne Frank, em que ela aparece com seios avantajados e de biquíni. A legenda da montagem da foto dizia: “Foi cedo demais: a tecnologia de envelhecimento virtual nos mostra como a Anne Frank poderia parecer, se ela não tivesse morrido. (…) Acrescente isso às razões pelas quais o Holocausto é uma droga”.

Em Chicago, dois eventos no ano passado ilustram ainda mais essa tendência: um, o Chicago Dyke March – um evento de ativismo LGBT – expulsou três pessoas por terem Estrelas de Davi em suas bandeiras do “orgulho gay”. Alguns meses depois, no SlutWalk – um evento destinado a se opor à agressão sexual – sionistas que marchavam foram ridicularizados pelos organizadores. Esses últimos ainda incentivaram os caminhantes a comparecerem a um discurso de Rasmea Odeh – um terrorista palestino que foi recentemente deportado dos EUA, condenado por matar dois estudantes judeus.

Irã
Essa curiosa aliança entre radicais muçulmanos e esquerdistas ficou famosa durante a revolução iraniana do final dos anos 70 – quando o aiatolá Ruhollah Khomeini derrubou o xá Mohammad Reza Pahlevi, com o apoio de esquerdistas e muçulmanos e, por sua vez, rapidamente deu poder aos muçulmanos radicais e dizimou a esquerda radical no país. O Xá visava diminuir o papel do islamismo na vida dos iranianos.

A população judaica de 3.000 anos do Irã, cerca de 100.000 judeus, pôde sentir o antissemitismo inerente dos esquerdistas e seu ódio pelo Ocidente, antes e durante a revolução iraniana e consequentemente, tiveram que emigrar em grande número o mais rápido possível – principalmente para os EUA e Israel.

(Neo) Nazismo e muçulmanos

Assim como a esquerda tem uma história de difamação do Estado-nação do povo judeu e de quem o apoia, os muçulmanos e os nazistas conspiraram para espalhar o ódio aos judeus e o desejo de subjugar brutalmente e assassinar o povo judeu.

Os muçulmanos também têm uma história de colaboração com o nazismo alemão. O Grande Mufti de Jerusalém, Kamil al-Husayni, apoiou Adolf Hitler dizendo que os alemães e os árabes possuíam os mesmos inimigos. Além dele, o primeiro-ministro do Iraque iniciou o ‘Farhud’, uma perseguição violenta contra os judeus, sob influência e lealdade nazistas.

Atualmente, a retórica dos neonazistas também está repleta de teorias de conspiração e estereótipos seculares, ecoando a mesma difamação de sangue e retórica dos terroristas muçulmanos contra os judeus.

Antissemitismo midiático

O mais preocupante sobre a ascensão do antissemitismo é como a sua ideologia entrou na grande mídia. A mídia tem representado apenas a visão de mundo da esquerda globalista, que é amplamente responsável pela atual explosão de ataques antissemitas, principalmente em países ocidentais.

Assim como em Israel, a mídia nos países ocidentais é amplamente dominada pelas elites liberais; e muitas vezes, trabalha com islamistas que lutam não apenas pela destruição de Israel, mas também pelo ‘mundo livre’.

Em abril, o jornal alemão Frankfurter Rundschau publicou um artigo sobre o primeiro-ministro israelense com a manchete “O eterno Netanyahu”. O artigo principal da página de opinião foi sobre a vitória eleitoral de Benjamin Netanyahu, referindo-se à sua “arte política de sobrevivência”. No entanto, a manchete foi um trocadilho com o título do filme de propaganda ideológica socialista e antissemita de 1914, “Der Ewige Jude” (O Eterno Judeu), de Fritz Hippler. Este filme foi produzido com o único intuito de induzir os alemães a irem contra o povo judeu.

Também em abril, o jornal americano The New York Times publicou um cartum antissemita do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O desenho mostra Netanyahu como um cão-guia guiando um cego, Trump, passando a mensagem: o primeiro-ministro israelense controla a política dos Estados Unidos da mesma forma que os nazistas afirmavam que os judeus controlavam a Alemanha.

Essa onda também afeta o Brasil, que ficou nas mãos da esquerda por décadas. Em janeiro deste ano, o cartunista Carlos Latuff publicou em seu Twitter um desenho antissemita dizendo: “Esse é o governo “sem ideologia” de Bolsonaro. Recusou médicos de Cuba mas chamou militares do exército de Israel para Brumadinho, o mesmo exército que oprime e mata na Palestina. Querem salvar vidas aqui enquanto eliminam vidas lá? Hipócritas! “.  Latuff é um exemplo do antissemitismo midiático que se esconde por trás das “artes” e “liberdade de expressão”.

A grande mídia tem alimentado este antissemitismo moderno, condenando o sionismo e constantemente encobrindo a verdade sobre o ódio virulento que os árabes palestinos desencadeiam no Estado judeu. Além disso, os jornais vêm destacando os supostos ‘crimes israelenses’ no atual conflito contra os vários grupos terroristas palestinos.

A campanha midiática de décadas contra Israel tem afetado o mundo e criou um ambiente hostil, que inspira pessoas ao antissemitismo. Pessoas são levadas a atos extremos, como o ataque à Sinagoga de Chabad, na Califórnia; entre outros ataques recentes a locais e monumentos judaicos.

Ao manipular as notícias sobre Israel, a grande mídia convence as massas de que Israel é o culpado no conflito com os árabes palestinos. E como resultado desta campanha, o número de ataques antissemitas em países, principalmente ocidentais, só está aumentando.

Coalizão
Os muçulmanos, ao se aliarem à esquerda, estão construindo uma coalizão que procura destruir os valores ocidentais de liberdade, democracia e tolerância – os princípios fundamentais do Ocidente e de Israel, a única democracia no Oriente Médio.

Os muçulmanos estão focados em destruir e deslegitimar Israel, a pátria histórica do povo judeu. Eles fomentam as chamas do antissemitismo onde quer que possam alcançar esse objetivo, mesmo que necessitem se “unir” à esquerda – que eles mesmos abominam, como foi provado no Irã.

Atualmente, muitas são as táticas utilizadas para tentar destruir Israel. Há aqueles que trabalham para deter o “racismo” da direita contra os muçulmanos no mundo ocidental, ou há essa pressão feita na comunidade internacional para que Jerusalém não seja reconhecida como a capital do Estado de Israel, e até mesmo o boicote de produtos vindos de Israel, através de movimentos pró-palestinos e a desmoralização de artistas que queiram realizar seus shows em território israelense.

Enfim, as três diferentes fontes de antissemitismo – a esquerda, o islã e o neonazismo – estão mais do que nunca alinhadas e com um único objetivo, destruir os valores judaico-cristãos. E encontraram uma forma rápida e forte de atuação, através de seus tentáculos infiltrados na política, na educação acadêmica e na mídia.

O crescimento dessas alianças e a integração do esquerdismo antissemita, especialmente nos campos universitários, na política e na mídia, ameaça não apenas nosso modo de vida ocidental, mas o futuro do povo judeu em todo o mundo.

 

Fontes: Jerusalem Post, The New York Times, CBN News, Frankfurter Rundschau, Escritório Central para o Judaísmo Europeu, Agência da UE para Direitos Fundamentais e Centro de Informação e Documentação de Israel (CIDI).

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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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