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Revista satírica de estudantes da Harvard comete erro grosseiro editando foto “sensual” de Anne Frank

Thaís Garcia

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Anne Frank ©

A Harvard Lampoon, uma revista satírica de estudantes da Universidade de Harvard, pediu desculpas por uma desrespeitosa montagem de uma foto de Anne Frank publicada na semana passada. Todas as cópias da edição em que a foto apareceu foram removidas das prateleiras.

“Foi cedo demais: a tecnologia de envelhecimento virtual nos mostra como a Anne Frank poderia parecer, se ela não tivesse morrido. (…) Acrescente isso às razões pelas quais o Holocausto é uma droga”, é a legenda da montagem da foto, em que Anne aparece com seios avantajados e de biquíni.

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A ofensiva imagem publicada pela De Lampoon

De Lampoon informou que recebeu muitas reações de pessoas que se sentiram ofendidas com a publicação. “Percebemos a seriedade do que aconteceu e entendemos que devemos assumir a responsabilidade por nossas ações. Lamentamos qualquer dano que tenhamos causado. Além disso, queremos afirmar e enfatizar que o Lampoon condena toda e qualquer forma de antissemitismo. (…) Vamos abordar o conteúdo da nossa revista com mais cuidado no futuro. Estamos cientes de que há pouca supervisão editorial no processo de publicação.”

A revista prometeu um plano de melhoria no seu processo de revisão. Em uma reação, a Universidade de Harvard chama a publicação de “muito ofensiva e escandalosa”.

Diário

A judia Anne Frank ficou conhecida postumamente por seu diário, que escreveu durante sua permanência em um anexo secreto de uma casa em Amsterdã. Ela tinha 15 anos quando morreu no campo de concentração de Bergen Belsen. Seu diário é um dos livros mais lidos do mundo.

Obscenidade nazista

O New York Times conversou com o rabino Jonah C. Steinberg, chefe do mais importante instituto judeu da Harvard. Ele compara a edição de fotos com “a obscenidade dos nazistas”.

Os estudantes que foram interrogados pelo jornal, reagiram de maneira atônita. “Eu não pude acreditar que isso era real, que alguém pudesse ter a ideia de publicar algo assim em uma revista de comédia.”, disse Paulette Schuster.
Outro estudante, Jacob Schwartz, sugeriu que os editores do The Lampoon participassem de um curso intensivo de história, indo a um museu do Holocausto e que fossem conhecer alguns sobreviventes do genocídio.

Antissemitismo na imprensa

No mês passado, o jornal alemão Frankfurter Rundschau publicou um artigo sobre o primeiro-ministro israelense com a manchete “O eterno Netanyahu”. A manchete foi um trocadilho com o título do filme de propaganda ideológica socialista e antissemita de 1914, “Der Ewige Jude” (O Eterno Judeu), de Fritz Hippler. O filme foi produzido com o único intuito de induzir os alemães a irem contra o povo judeu.

Também em abril deste ano, o jornal americano The New York Times publicou um cartum antissemita do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O desenho mostra Netanyahu como um cão-guia guiando um cego, Trump, passando a mensagem: o primeiro-ministro israelense controla a política dos Estados Unidos da mesma forma que os nazistas afirmavam que os judeus controlavam a Alemanha.

Crime

Piadas sobre o Holocausto nunca devem ser aceitas pela sociedade, pois na verdade se trata de crime racial.

Além disso, sensualizar o corpo de uma menina adolescente é algo inaceitável. Como também, fazer piada por “ser uma pena” ela ter sido morta por causa de sua religião porque ela se tornaria uma mulher atraente. Isso não extrapola o limite do humor, pois não o é. De fato, são características explícitas de violação dos direitos infantis e exposição do adolescente a uma situação vexatória.


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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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