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Alemanha investiga um dos maiores escândalos de pedofilia em sua história: 30.000 suspeitos identificados

Thaís Garcia

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Imagem: Reprodução

A Alemanha está investigando cerca de 30.000 suspeitos como parte de uma ampla investigação sobre uma rede de pedófilos em Bergisch Gladbach, cidade localizada na região administrativa de Colônia, estado de Renânia do Norte-Vestfália, disseram autoridades nesta segunda-feira (29).

Os investigadores foram alertados pela polícia canadense que descobriu conteúdos pornográficos infantis nessa região. Alguns investigadores cibernéticos precisaram de apoio psicológico. As investigações dizem respeito à distribuição e posse de pornografia infantil, bem como outras formas de abuso, disseram as autoridades.

A unidade de crimes cibernéticos no estado da Renânia do Norte-Vestfália está “investigando 30.000 suspeitos desconhecidos” no caso, informou o Ministério da justiça no estado da Renânia do Norte-Vestfália em um tweet.

“Queremos arrastar os autores e apoiadores do abuso infantil para fora do anonimato da internet”, disse o ministério.

De acordo com o relatório do jornal alemão Der Spiegel, o ministério da Renânia do Norte-Vestfália planeja lançar uma força-tarefa para processar pedófilos na rede, bem como ciberterroristas e hackers, a partir de 1º de julho.

“O que a equipe de investigação descobriu foi “profundamente perturbador”, disse Peter Beisenbach, ministro da Justiça da Renânia do Norte-Vestfália. “Devemos reconhecer que o abuso infantil na Internet é maior do que pensávamos anteriormente”.

A Alemanha se escandalizou com a descoberta dos vários casos graves de abuso sexual infantil nos últimos 18 meses.

No último outono europeu, a polícia de Bergisch Gladbach prendeu um homem de 43 anos por acusações de abusar de sua filha quando bebê. Autoridades disseram que ele estava filmando abusos e compartilhando os vídeos com as pessoas pela Internet.

Em maio deste ano, um homem de 27 anos, foi condenado a 10 anos de prisão, mas foi colocado em um hospital psiquiátrico por período indeterminado.

No início de junho, 11 pessoas foram presas por suspeita de abuso sexual de crianças, depois que vídeos e fotos foram apreendidos no porão de um homem da cidade ocidental de Münster, também no estado da Renânia do Norte-Vestfália.

Os investigadores disseram ter identificado pelo menos três vítimas, com idades entre 5 e 12 anos.

As autoridades disseram então que as capacidades de investigação sobre abuso infantil haviam aumentado, o que provavelmente levaria à descoberta de mais casos.

Em um escândalo anterior, em Luegde, a 125 quilômetros de Münster, vários homens abusaram de crianças centenas de vezes em um acampamento durante vários anos.

Quase duas semanas atrás, uma investigação perturbadora revelou que crianças adotivas em Berlim Ocidental haviam sido cuidadas por pedófilos por mais de 30 anos, com o caso mais recente registrado em 2003.

A razão por trás da ideia de tal “união” era que crianças sem-teto “ficariam fora das ruas” e o comportamento dos pedófilos seria “repensado” – uma ideia distorcida e levada à prática por inciativa do professor de psicologia Helmut Kentler (1928-2008). O estudo conduzido pela Universidade de Hildesheim revelou que o Senado de Berlim havia aceitado e apoiado essa prática, e chegou ao ponto de conceder um subsídio de assistência aos “pais” adotivos.

O “renomado” professor acreditava firmemente que “o contato sexual entre crianças e adultos não é prejudicial”. Nos anos posteriores, ele descreveu os pais adotivos adotando os meninos como um ato de “estar apaixonado”, mas divulgou seus pontos de vista sobre seus “experimentos” publicamente somente após a aprovação do estatuto de limitações (leis aprovadas pelos órgãos legislativos para definir o tempo máximo depois de um evento em que os processos judiciais podem ser iniciados).

No relatório que o Senado encomendou, estão listados os casos de duas crianças de 5 anos que foram dadas para “pais” adotivos em 1989 e 1991, e ambas tiveram contato regular com Kentler.

“Foi um crime sob responsabilidade do Estado”, disse Sandra Scheeres, senadora da juventude, quando o relatório foi apresentado pela primeira vez ao público no ano passado.

“Não tenho interesse em varrer nada para debaixo do tapete. O Senado enfrentará sua responsabilidade”, disse ela, pedindo desculpas às vítimas.

Dois homens, que foram levados para o orfanato de Fritz H. em Berlim aos 6 anos de idade, descrevem como foram molestados, negligenciados e isolados do mundo.

Diz-se que Fritz H. teve 10 filhos adotivos ao longo dos anos. Um morreu até sob seus cuidados, mas o departamento de assistência social da juventude não pediu uma autópsia. Kentler, na época, defendeu seu conhecimento chamando suas ações de “além de qualquer suspeita”.

Ainda não está claro quantos casos semelhantes ocorreram ao longo dos anos. A senadora Scheeres apresentou acusações criminais contra os “pais” adotivos das vítimas conhecidas, mas, em maio, o promotor anunciou que o estatuto de limitações havia passado. A maioria desses homens agora está morta – assim como Kentler.

Leia também: A barbárie cometida pela esquerda contra as crianças da Alemanha na década de 60

Penalidades mais pesadas
Depois de tantos casos recentes de pedofilia que chocaram o país, as autoridades alemãs agora querem ser mais rigorosas.

As revelações, no início de junho, de um novo suspeito do desaparecimento de 13 anos atrás em Portugal da pequena britânica Maddie McCann, um alemão, intensificaram ainda mais o debate.

Vários líderes políticos agora exigem uma sentença mais pesada para condenados a crimes e ofensas relacionadas à pedofilia.

“O abuso infantil não pode ser punido como furto em lojas”, disse o ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul.

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Cristã e Correspondente Internacional na Europa.

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