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EUA continuam a condenar a guerra contra a fé na China

Thaís Garcia

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Imagem: Departamento de Estado dos EUA

O Departamento de Estado dos EUA publicou um novo relatório indicando a China como um dos piores violadores da liberdade religiosa no mundo. Na semana passada, tanto o Secretário de Estado, Mike Pompeo, quanto o Embaixador para a Liberdade Religiosa, Sam Brownback, repreenderam o país mais populoso do mundo por elevar o que Brownback chamou de “guerra à fé”.

Divulgado nesta sexta-feira (28), o Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional (IRF), do Escritório de Liberdade Religiosa Internacional do Departamento de Estado, detalha o status da liberdade religiosa em todos os países do mundo, elaborando abusos em 10 países que exigem uma preocupação maior: Myanmar, China, Coreia do Norte, Eritréia, Irã, Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, Tajiquistão e Turcomenistão.

Além disso, o relatório deste ano descreve as questões de liberdade religiosa na Região Autônoma Uigur do Xinjiang, no Tibete, em Macau e em Hong Kong, onde cristãos há muito tempo têm desempenhado um papel central em recentes protestos pró-democracia.

Aumento assustador da Perseguição na China
O relatório também inclui uma seção especial dedicada à má conduta da China em Xingjian, província autônoma do Noroeste, onde entre 800.000 e 2 milhões de muçulmanos uigures foram detidos e, de acordo com o relatório, submetidos a “desaparecimento forçado, tortura, abuso físico e detenção prolongada, sem julgamento por causa de sua religião e etnia”.

“Temos visto o crescente abuso de fiéis de quase todas as religiões e de todas as partes do continente pelo governo chinês”, disse Brownback, que citou preocupações sobre a extração de órgãos entre prisioneiros chineses por “interferências” nas práticas budistas e culturais tibetanas e perseguição de cristãos.

“Eles aumentaram a repressão contra os cristãos, fechando igrejas e prendendo adeptos por suas práticas religiosas pacíficas. E a isso dizemos à China: não se engane, você não vai ganhar sua guerra contra a fé. Isso terá consequências em sua posição em casa e em todo o mundo ”, disse Brownback.

Relatórios alinhados

O relatório da IRF está em grande parte alinhado com o recente relatório da Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), uma comissão bipartidária separada que também avalia os piores violadores da liberdade religiosa no mundo. A USCIRF diz que seus relatórios são diferentes e complementares aos relatórios da IRF.

A USCIRF nomeou 28 países que se destacam como infratores da liberdade religiosa, incluindo 16 países que a comissão identificou como de Nível 1 (N1). Todos os 10 N1 da IRF estão incluídos na lista de criminosos de primeira linha da USCIRF. Além destes dez países, a USCIRF recomenda adicionar a República Centro-Africana, Nigéria, Rússia, Síria, Uzbequistão e Vietnã à lista dos principais violadores da liberdade de religião e consciência.

Ambos os relatórios ecoam a classificação da World Watch List de 2019, de países onde é mais difícil ser cristão, divulgado pela organização Portas Abertas. O que chocou, foi a China saltar do 43º lugar do ranking dos piores perseguidores cristãos do mundo em 2018, para o 27º neste ano.

Declaração de Mike Pompeo
Anunciando o relatório da IRF, o ministro das Relações Exteriores dos EUA, Mike Pompeo, descreveu sua fé pessoal como um evangélico presbiteriano – “Eu era um professor da escola dominical e diácono em minha igreja” – e condenou os governos e grupos ao redor do mundo que negam aos outros o direito inalienável para praticar suas crenças.

Ele destacou alguns exemplos de “boas notícias”, elogiando melhorias no Uzbequistão, que pela primeira vez, em mais de uma década, não é mais designado pelo Departamento de Estado como um país de maior preocupação. O governo uzbeque aprovou recentemente um projeto de liberdade religiosa, libertou 1.500 prisioneiros religiosos e afrouxou as restrições de viagem de 16.000 pessoas, que haviam sido colocadas na lista negra para suas afiliações religiosas.

O Paquistão, onde Asia Bibi, uma cristã acusada de “blasfêmia” contra o “profeta” Maomé e ameaçada de execução, foi absolvida pela Suprema Corte do país, foi citado como uma vitória para a liberdade religiosa, junto à Turquia, onde o pastor Andrew Brunson foi libertado no ano passado, de uma prisão de dois anos por “terrorismo” e “acusações de espionagem”.

Entretanto, mesmo nesses países de “boas notícias”, ainda há um longo caminho a percorrer. No Paquistão, mais de 40 cristãos atualmente enfrentam a prisão perpétua ou execução pelo mesmo encargo contra Bibi. Outra mulher cristã condenada à morte por “blasfêmia” está atualmente presa, na antiga prisão de Bibi.

Todos os três países elogiados por Pompeo foram listados entre os piores infratores nos relatórios da IRF e da USCIRF. E de acordo com a World Watch List, o Paquistão ocupa o 5º lugar no mundo em perseguição cristã, o Uzbequistão é o 17º e a Turquia o 27º.

Pompeo e Brownback tinham mais a dizer sobre os países que o relatório expõe como apresentando “uma gama assustadora de abusos”. Eles destacaram especificamente o Irã, a Eritreia, a Rússia, a Nicarágua e a Birmânia por vários abusos. A China foi novamente apontada como ator principal nas violações da liberdade religiosa.

“As pessoas são perseguidas – algemadas, jogadas na cadeia, até mesmo mortas – por sua decisão de acreditar ou não acreditar. Por adorar de acordo com sua consciência. Por ensinar seus filhos sobre sua fé. Por falar sobre suas crenças em público. Por reunir em privado, como muitos de nós temos feito, ao estudar a Bíblia, a Torá ou o Alcorão”, disse Pompeo.

Para melhor avaliar e responder à opressão religiosa, Pompeo anunciou que o Escritório de Liberdade Religiosa Internacional, junto com o escritório do Departamento de Estado, dedicado ao monitoramento e combate ao antissemitismo, estão recebendo um impulso. Ambos os escritórios foram agora elevados no Departamento de Estado, sendo reportandos diretamente ao subsecretário de Segurança Civil, Democracia e Direitos Humanos.

“Essa reorganização proporcionará a esses escritórios, pessoal e recursos adicionais, além de fortalecer as parcerias dentro e fora da nossa agência. Isso irá capacitá-los para melhor cumprir seus mandatos tão importantes”, disse Pompeo.

“Para todos aqueles que ignoram a liberdade religiosa, direi o seguinte: os Estados Unidos estão observando e vocês serão responsabilizados”, finalizou Pompeo.

Fonte: Christianity Today e Departamento de Estado dos EUA


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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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