Redes Sociais

Mundo

Em 5 dias, invasão turca na Síria resultou em 38 civis mortos. Política curda, Hevrin Khalaf (35) também foi executada

Thaís Garcia

Publicado

em

Em 5 dias, invasão turca na Síria resultou em 38 civis mortos. Política curda, Hevrin Khalaf (35) também foi executada 19
Imagem: Johannes EISELE / AFP

O ataque militar da Turquia ao nordeste da Síria resultou em várias mortes e feridos. Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), 38 civis foram mortos, incluindo Hevrin Khalaf, líder de um partido político curdo. Também foram mortos nos confrontos, 81 combatentes curdos.

As vítimas foram executadas no sul da cidade de Tal Abyad, relatou o OSDH. Segundo o site Kurdistan News 24, a política Khalaf, de 35 anos, foi retirada de seu carro, estuprada e apedrejada por rebeldes pró-turcos. As informações ainda não foram confirmadas por uma fonte independente.

Em 5 dias, invasão turca na Síria resultou em 38 civis mortos. Política curda, Hevrin Khalaf (35) também foi executada 20

Hevrin Khalaf, líder de um partido político curdo executada. Foto: Facebook/Khalaf.

Khalaf era a secretária-geral do partido ‘Síria do Futuro’, na parte autônoma curda da Síria. Ela se concentrava principalmente na luta pelos direitos das mulheres.

“Esta é uma evidência clara de que a Turquia está cometendo crimes contra civis desarmados”, responderam as Forças Democráticas da Síria (SDF), em comunicado.

Fontes de Informações
Imagens de um carro gravemente danificado estão circulando nas redes sociais, o qual seria o automóvel onde Khalaf se encontrava momentos antes de ser assassinada. Também surgiu um vídeo mostrando milícias, afiliadas à Turquia, executando uma prisioneira curda. Segundo a AFP, a autenticidade do vídeo ainda não foi confirmada por uma fonte independente.

No lado turco, a execução de Khalaf não está oficialmente confirmada. O jornal Yeni Safak, informou ontem à noite (12), com base em fontes locais, que Khalaf foi “posta fora de ação” durante uma operação. O jornal informou que ela foi morta em um ataque aéreo, na estrada de Raqqa para Kamishli.

Os EUA chamaram as reportagens sobre o assassinato de Khalaf de “muito perturbadoras”.

“Achamos esses relatórios extremamente preocupantes e indicativos da desestabilização geral do nordeste da Síria, desde o início das hostilidades”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores dos EUA.

Luta por Ras al-Ain
Desde a invasão turca, a milícia curda YPG, que ajudou os americanos a combater a organização terrorista do Estado Islâmico (EI), foi bombardeada pelo ar e os combates acontecem na cidade fronteiriça de Ras al-Ain.

Os soldados turcos são apoiados por milícias sírias. Esses combatentes sírios são ex-rebeldes, que lutaram contra o regime de Bashar al-Assad, mas com a evolução do conflito e o enfraquecimento da rebelião, essas fações agora são financiadas e treinadas por Ancara. Agora, eles lutam contra as Forças Democráticas da Síria (SDF), nas quais as milícias curdas estão unidas.

O exército turco afirmou ter tomado Ras al-Ain no sábado (12), mas o SDF – as Forças Democráticas da Síria – contradizem e relatam que o oponente foi derrotado.

Invasão turca
O ditador turco Erdogan iniciou sua invasão na quarta-feira (9). Segundo a Turquia, a operação militar é dirigida contra milícias curdas e extremistas do movimento terrorista do EI.

Ras al-Ain está localizado em uma importante rota de suprimento e transporte entre os centros urbanos de Tell Abyad, a oeste, e Kamishli, a leste. Esses centros são controlados pelas tropas curdas dos SDF.

A invasão turca recebeu reações negativas do mundo árabe e ocidental. Países europeus, como Alemanha, Noruega, Finlândia, Holanda e França, pararam de fornecer armaS para a Turquia. Há um risco de uma profunda crise humanitária na região.

Fuga
Após a invasão da Turquia, o número de pessoas que fogem do norte e nordeste da Síria aumentou para 130 mil, segundo as Nações Unidas. É possível que outras 400 mil pessoas tenham que deixar suas casas em um futuro próximo.

Os Estados Unidos e a Rússia pediram à Turquia que se contenha e não permita que a situação piore. Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou “aniquilar” a economia turca se eles usassem a violência contra os curdos na Síria.

O primeiro-ministro de Israel, Bejnamin Netanyahu, condenou a invasão da Turquia no nordeste da Síria e alertou sobre um possível extermínio do povo curdo na região.

“Israel condena veementemente a invasão turca das áreas curdas na Síria e alerta contra a limpeza étnica dos curdos pela Turquia e seus representantes. Israel está preparado para estender a assistência humanitária ao corajoso povo curdo”, disse o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu no Twitter.

“Não importa o que os outros países digam, não vamos parar”, respondeu Erdogan às “ameaças” e críticas de outros países.

“Purificação étnica”
O presidente e ditador turco, Erdogan, afirmou que o ataque visa estabelecer uma área “segura” para a qual os refugiados sírios, que ainda estão na Turquia, possam retornar. A “Operação é, segundo ele, também dirigida contra “terroristas” do PKK, YPG e EI, no norte e nordeste da Síria. Mas, segundo vários críticos e especialistas em conflitos da região, o plano se resume a uma “limpeza étnica”.

O nordeste da Síria é em grande parte curdo. Erdogan tem a ambição de expulsar os curdos da região, e enviar os refugiados sírios-árabes da Turquia para lá.

O ataque da Turquia lembra o amargo legado turco em Afrin, em 2018, quando os rebeldes aliados aos turcos destruíram o patrimônio histórico e cultural dos curdos, invadiram suas casas e milhares de civis foram mortos.

Ajude-nos a mantermos um jornalismo LIVRE, sem amarras e sem dinheiro público. APOIAR »

Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

Parceiros

Publicidade

alan correa criação de sites