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Turquia invade o nordeste da Síria, após as tropas americanas deixarem o país

Thaís Garcia

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Turquia invade o nordeste da Síria, após as tropas americanas deixarem o país 20
Imagem: ANP

O presidente turco Erdogan disse hoje (9) que a invasão da Turquia no nordeste da Síria começou. A Turquia iniciou ataques aéreos.

“Há muito pânico entre o povo”, disse a coalizão liderada pelos curdos SDF (Forças Armadas Democráticas da Síria), em resposta à medida. Os curdos controlam a área onde a invasão ocorre.

Recentemente, os EUA retiraram seus soldados da área. A invasão é um desejo de longa data da Turquia.

“A Operação Paz Primavera vai neutralizar a ameaça terrorista contra a Turquia. A operação levará a uma zona segura na área. Refugiados sírios poderão voltar para casa”, escreveu o presidente turco no Twitter.

Erdogan está se referindo aos combatentes sírio-curdos – incluindo o YPG – como a “ameaça terrorista”. O YPG lutou com o apoio dos EUA contra o EI na Síria. Por um longo tempo, os EUA apoiaram o YPG e vigiaram a segurança dos curdos na região. Mas agora que essa luta acabou e o EI foi expulso da região, os EUA não têm motivos para continuar lá.

Curdos
Existem mais de 30 milhões de curdos em todo o mundo. Eles têm sua própria língua e cultura, mas nenhum país. Eles são, portanto, o maior grupo étnico do mundo sem um Estado. Após a queda do Império Otomano, eles se espalharam para vários países, incluindo Turquia, Iraque, Síria e Irã.

Nesses países, eles vivem em desacordo com o governo. Sua língua e cultura são frequentemente reprimidas com intimidação e violência. Os curdos estão, portanto, lutando há décadas por seu próprio Estado autônomo.

Existem vários movimentos de independência, um dos mais conhecidos é o PKK na Turquia. Ele cometeu muitos ataques no passado. A Turquia os vê como terroristas, assim como os EUA e a UE.

Zona segura
A Turquia quer criar uma ‘zona segura’ de 32 Km ao longo da fronteira com o norte da Síria. O país recebeu mais de 3,6 milhões de refugiados sírios e deseja transferir pelo menos 2 milhões deles para esta zona segura. Mas nesta área, que faz fronteira com o sul da Turquia, também há combatentes sírio-curdos.

Posição dos EUA
Nesta semana, o presidente americano Donald Trump ameaçou destruir a economia turca, caso a o país atacasse os curdos no norte da Síria.

“Como já afirmei fortemente antes, e apenas para reiterar, se a Turquia fizer algo que eu, em minha grande e incomparável sabedoria, considere estar fora dos limites, destruirei e extinguirei totalmente a Economia da Turquia (já fiz isso antes!) . Eles devem, com a Europa e outros, vigiar os combatentes e famílias capturados do EI. Os EUA fizeram muito mais do que se poderia esperar, incluindo a captura de 100% do califado do EI. É hora de outros na região, alguns de grande riqueza, protegerem seu próprio território. Os EUA são um nação grande!”, publicou Trump no Twitter.

Volta do Estado Islâmico
O ataque turco aos curdos poderá fortalecer o EI e um novo fluxo de refugiados poderá ser lançado à Europa; e mais combatentes muçulmanos do EI poderiam pegar “uma carona” rumo ao ocidente.

Responsabilidade europeia
O presidente Trump chamou novamente os países europeus às suas responsabilidades. Trump acredita que eles deveriam cuidar dos seus próprios assuntos e julgar os combatentes do EI capturados. Atualmente, estes combatentes são prisioneiros em campos pagos pelos EUA na Síria.

No entanto, a Europa não é sensível a esse argumento. Segundo os países europeus, os combatentes devem ser julgados no país onde os crimes foram cometidos – na Síria.

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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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