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Em 5 dias, invasão turca na Síria resultou em 38 civis mortos. Política curda, Hevrin Khalaf (35) também foi executada

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O ataque militar da Turquia ao nordeste da Síria resultou em várias mortes e feridos. Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), 38 civis foram mortos, incluindo Hevrin Khalaf, líder de um partido político curdo. Também foram mortos nos confrontos, 81 combatentes curdos.

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As vítimas foram executadas no sul da cidade de Tal Abyad, relatou o OSDH. Segundo o site Kurdistan News 24, a política Khalaf, de 35 anos, foi retirada de seu carro, estuprada e apedrejada por rebeldes pró-turcos. As informações ainda não foram confirmadas por uma fonte independente.

Khalaf era a secretária-geral do partido ‘Síria do Futuro’, na parte autônoma curda da Síria. Ela se concentrava principalmente na luta pelos direitos das mulheres.

“Esta é uma evidência clara de que a Turquia está cometendo crimes contra civis desarmados”, responderam as Forças Democráticas da Síria (SDF), em comunicado.

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Fontes de Informações
Imagens de um carro gravemente danificado estão circulando nas redes sociais, o qual seria o automóvel onde Khalaf se encontrava momentos antes de ser assassinada. Também surgiu um vídeo mostrando milícias, afiliadas à Turquia, executando uma prisioneira curda. Segundo a AFP, a autenticidade do vídeo ainda não foi confirmada por uma fonte independente.

https://twitter.com/kurdistannews24/status/1183209744384704512

No lado turco, a execução de Khalaf não está oficialmente confirmada. O jornal Yeni Safak, informou ontem à noite (12), com base em fontes locais, que Khalaf foi “posta fora de ação” durante uma operação. O jornal informou que ela foi morta em um ataque aéreo, na estrada de Raqqa para Kamishli.

Os EUA chamaram as reportagens sobre o assassinato de Khalaf de “muito perturbadoras”.

“Achamos esses relatórios extremamente preocupantes e indicativos da desestabilização geral do nordeste da Síria, desde o início das hostilidades”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores dos EUA.

Luta por Ras al-Ain
Desde a invasão turca, a milícia curda YPG, que ajudou os americanos a combater a organização terrorista do Estado Islâmico (EI), foi bombardeada pelo ar e os combates acontecem na cidade fronteiriça de Ras al-Ain.

Os soldados turcos são apoiados por milícias sírias. Esses combatentes sírios são ex-rebeldes, que lutaram contra o regime de Bashar al-Assad, mas com a evolução do conflito e o enfraquecimento da rebelião, essas fações agora são financiadas e treinadas por Ancara. Agora, eles lutam contra as Forças Democráticas da Síria (SDF), nas quais as milícias curdas estão unidas.

O exército turco afirmou ter tomado Ras al-Ain no sábado (12), mas o SDF – as Forças Democráticas da Síria – contradizem e relatam que o oponente foi derrotado.

Invasão turca
O ditador turco Erdogan iniciou sua invasão na quarta-feira (9). Segundo a Turquia, a operação militar é dirigida contra milícias curdas e extremistas do movimento terrorista do EI.

Ras al-Ain está localizado em uma importante rota de suprimento e transporte entre os centros urbanos de Tell Abyad, a oeste, e Kamishli, a leste. Esses centros são controlados pelas tropas curdas dos SDF.

A invasão turca recebeu reações negativas do mundo árabe e ocidental. Países europeus, como Alemanha, Noruega, Finlândia, Holanda e França, pararam de fornecer armaS para a Turquia. Há um risco de uma profunda crise humanitária na região.

Fuga
Após a invasão da Turquia, o número de pessoas que fogem do norte e nordeste da Síria aumentou para 130 mil, segundo as Nações Unidas. É possível que outras 400 mil pessoas tenham que deixar suas casas em um futuro próximo.

Os Estados Unidos e a Rússia pediram à Turquia que se contenha e não permita que a situação piore. Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou “aniquilar” a economia turca se eles usassem a violência contra os curdos na Síria.

O primeiro-ministro de Israel, Bejnamin Netanyahu, condenou a invasão da Turquia no nordeste da Síria e alertou sobre um possível extermínio do povo curdo na região.

“Israel condena veementemente a invasão turca das áreas curdas na Síria e alerta contra a limpeza étnica dos curdos pela Turquia e seus representantes. Israel está preparado para estender a assistência humanitária ao corajoso povo curdo”, disse o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu no Twitter.

“Não importa o que os outros países digam, não vamos parar”, respondeu Erdogan às “ameaças” e críticas de outros países.

“Purificação étnica”
O presidente e ditador turco, Erdogan, afirmou que o ataque visa estabelecer uma área “segura” para a qual os refugiados sírios, que ainda estão na Turquia, possam retornar. A “Operação é, segundo ele, também dirigida contra “terroristas” do PKK, YPG e EI, no norte e nordeste da Síria. Mas, segundo vários críticos e especialistas em conflitos da região, o plano se resume a uma “limpeza étnica”.

O nordeste da Síria é em grande parte curdo. Erdogan tem a ambição de expulsar os curdos da região, e enviar os refugiados sírios-árabes da Turquia para lá.

O ataque da Turquia lembra o amargo legado turco em Afrin, em 2018, quando os rebeldes aliados aos turcos destruíram o patrimônio histórico e cultural dos curdos, invadiram suas casas e milhares de civis foram mortos.

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