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9 fatos que você deve saber sobre a supressão da fé cristã na China comunista

Thaís Garcia

Publicado

em

Imagem: Jason Lee/Reuters

O país comunista comemorou em outubro do ano passado o 70º aniversário da fundação da “República Popular” da China. Em 1º de outubro de 1949, na nova capital Pequim, o ditador Mao Zedong proclamou a “república”. Desde então, o país passou a ser uma “república”, porém, socialista e governada pelo Partido Comunista da China (PCC), seguindo uma diretriz chamada de “sinicização” da religião. Essa diretriz tenta extirpar influências estrangeiras e força a obediência à sinicização da religião na China.

Para o Partido Comunista Chinês, a ascensão da religião, especialmente do cristianismo, representa uma ameaça existencial à sua “saúde política”.

“Não há força que possa abalar os alicerces desta grande nação. Nenhuma força será capaz de parar a marcha constante do povo chinês e da nação chinesa”, disse o atual ditador comunista da China, Xi Jinping, quando estava no portão da ‘Praça da Paz Celestial’ ao comemorar o 70º aniversário da fundação da “República Popular” da China.

Em um artigo da The Gospel Coalition, o editor americano Joe Carter, enumera 9 fatos que você deve saber sobre o Estado comunista chinês e a sua oposição histórica e supressão da fé cristã.

1. Depois de alcançar a vitória na Guerra Civil Chinesa, Mao Zedong estabeleceu a ‘República Popular’ da China como um Estado comunista e declarou oficialmente o país como ateu. Em 1958, Mao lançou uma campanha econômica e social chamada ‘Grande Salto Adiante’, que pretendia transformar rapidamente o país agrário em uma nação socialista industrializada. As tentativas de coletivizar a agricultura levaram à escassez de alimentos e à maior fome da história. Durante o período de três anos, de 1959 e 1961, entre 15 e 45 milhões de chineses morreram. Por causa dessa falha de política, a influência de Mao no Partido Comunista começou a diminuir. Ele lançou a ‘Revolução Cultural’ em maio de 1966, em parte para reafirmar seu poder e prestígio dentro do partido e do país.

2. O início da ‘Revolução Cultural’ foi marcado em 16 de maio de 1966, quando Mao emitiu um documento que incluía “acusações” contra seus inimigos políticos. Este documento ficou conhecido como “Notificação de 16 de maio“. Mao afirmou então que “os representantes da burguesia que se infiltraram no partido, no governo, no exército e em vários círculos culturais eram um bando de revisionistas contrarrevolucionários”. Naquele mesmo ano, o Partido Comunista emitiu a “Decisão Relativa à Grande Revolução Cultural Proletária”, que descrevia os objetivos do presidente de eliminar a educação e a religião, as principais ameaças ao pensamento de Mao Zedong. Durante a ‘Revolução Cultural’, locais de culto foram demolidos, fechados ou ‘reapropriados’ e práticas religiosas foram proibidas.

3. Depois que Mao morreu em 1976, seu sucessor, Deng Xiaoping, instituiu reformas e reabriu o país a influências externas. Em 1980, o número total de cristãos havia aumentado para 4 milhões e começou a crescer rapidamente, devido principalmente às “igrejas domésticas” rurais. Desde então, o número estimado de cristãos no país cresceu a uma taxa de 10% ao ano. “Na era pós-Mao, houve realmente um crescimento explosivo no cristianismo, particularmente dos protestantes. Seu sistema de crenças conseguiu competir favoravelmente com a ideologia comunista”, disse Xi Lian, professor de cristianismo da Universidade Duke nos EUA.

4. O governo comunista alega garantir a liberdade de religião. Como afirma a Constituição da ‘República Popular’ da China de 1982:

“Os cidadãos da ‘República Popular’ da China desfrutam de liberdade de crença religiosa. Nenhum órgão estatal, organização pública ou indivíduo pode obrigar os cidadãos a acreditar ou não em nenhuma religião; nem podem discriminar cidadãos que acreditam ou não acreditam em nenhuma religião. O Estado protege atividades religiosas normais. Ninguém pode fazer uso da religião para se envolver em atividades que perturbam a ordem pública, prejudicam a saúde dos cidadãos ou interferem no sistema educacional do Estado. Órgãos e assuntos religiosos não estão sujeitos a nenhum domínio estrangeiro.”

No entanto, como Cathy Sun escreve na Harvard Political Review, “a constituição é ambígua e deixa espaço para uma interpretação ampla. Na prática, o Partido Comunista chinês (PCCh) explorou essa margem de manobra para implementar medidas extremas de controle e atacar comunidades religiosas que ameaçam seu poder. Sun acrescenta: “No seu âmago, o rígido sistema político da China só pode derivar legitimidade da dependência contínua de instrumentos de repressão, porque se opõe fundamentalmente à liberdade religiosa”.

5. Por lei, o Estado comunista exige que os cristãos adorem apenas em congregações registradas no Movimento Patriótico dos Três Autos. O Movimento Patriótico Cristão Chinês de Três Autos (TSPM) é um órgão ‘protestante’ sancionado pelo Estado para a organização de todas as igrejas protestantes na China. A organização foi criada em 1951 para promover uma estratégia de “autogoverno, auto-apoio e autopropagação”, para remover influências estrangeiras das igrejas chinesas e para professar a lealdade da igreja membro ao governo comunista. Para as igrejas registradas no TSPM, o governo paga por muitos de seus edifícios e financia a ‘educação’ de seus pastores. Por causa de seu alinhamento com o Partido Comunista e sua promoção da teologia liberal, muitas congregações na China se recusam a participar do TPSM. Aqueles que se recusam a participar geralmente são chamados de igrejas subterrâneas ou domésticas.

6. Em 1971, o governo comunista implementou uma política de filho único no país. Em 2013 – dois anos antes de encerrar oficialmente a política, o Ministério da Saúde chinês informou que, nas quatro décadas anteriores, 336 milhões de abortos foram realizados – o maior massacre de seres humanos na história do mundo. Para colocar esse número em perspectiva, as 336 milhões de mortes na China foram mais do que todas as pessoas mortas nas 10 dez guerras mais mortais da história da humanidade. [Com base nas estimativas mais altas (em milhões): Segunda Guerra Mundial (72), Primeira Guerra Mundial (65), Conquista Mongol (60), Rebelião Lushan (36), Rebelião Taiping (30), Conquista da Dinastia Ming na dinastia Qing (25), Conquistas do Império Timúrida, (20), Revolta Dungan (12), Guerra Civil Russa (9) e Segunda Guerra do Congo (5,4)].

7. Em 2019, a Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) observou que a Bíblia pode ter sido reescrita pelo governo chinês, as igrejas estão sendo fechadas ou demolidas e os pastores sendo presos. Em um esforço contínuo para suprimir ou extinguir a crença religiosa, o governo comunista chinês prendeu mais de 5.000 cristãos e 1.000 líderes de igrejas. O governo também continua sua perseguição fechando e demolindo milhares de igrejas.

8. O número de cristãos protestantes na China aumentou de 1 milhão em 1949, ano em que o Partido Comunista chegou ao poder, para mais de 49 milhões em 2010. Após décadas de opressão e perseguições, a igreja agora tem cerca de 100 milhões de fiéis. Ela tem mais membros que o próprio Partido Comunista (89 milhões).

Os especialistas acreditam que esse número pode mais que triplicar na próxima geração e até 2030 na ‘República Popular’ da China, que ainda permanece ‘oficialmente’ registrada pelo governo comunista como ‘ateia’. No entanto, a China poderia ter mais frequentadores de igrejas do que os Estados Unidos.

9. Enquanto o Partido Comunista tenta suprimir a Palavra de Deus, o país também se tornou o maior publicador e exportador mundial de Escrituras. A única impressora legal de Bíblias da China, a Amity Printing Company, publicou sua primeira Bíblia em cooperação com as Sociedades Bíblicas Unidas (UBS) em 1987. A partir de 2018, 80 milhões de cópias da Bíblia foram impressas para a igreja na China, enquanto 100 milhões cópias foram impressas para igrejas no exterior. Atualmente, a China produz 20 milhões de cópias por ano – uma média de 1 cópia da Bíblia a cada segundo.

Enquanto o ditador comunista Xi Jinping diz: “Não há força que possa abalar os alicerces desta grande nação. Nenhuma força será capaz de parar a marcha constante do povo chinês e da nação chinesa”, a Bíblia diz: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” [Mateus 16:18,19].

Nota-se então que a marcha do povo chinês mudou. Há um despertar da nação. Não é mais pelo comunismo que marcham, talvez nunca tenha sido, mas pela Verdade que liberta. Quanto mais o povo chinês está sendo reprimido e perseguido, mais a Igreja de Cristo está crescendo no país. Isso hoje é um fato. Portanto, estamos testemunhando a Palavra de Deus de ‘Mateus 16’ sendo cumprida na China.

 

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