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Aniversário de 70 anos da “República Popular” da China não é motivo para celebração

Thaís Garcia

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Imagem: © AP

Na China, estão comemorando o Aniversário de 70 anos da “República Popular”. Em 1º de outubro de 1949, na nova capital Pequim, o ditador Mao Zedong proclamou a “república”. Desde então, o país passou a ser uma “república”, porém, socialista e governada pelo Partido Comunista da China (PCC).

Por definição, uma república deve ser uma forma de governo na qual o povo é soberano, governando o Estado por meio de representantes investidos nas suas funções em poderes distintos. Será que isso realmente acontece na China?

Em 1949, a igreja cristã chinesa consistia em 1 milhão de membros. Após décadas de opressão e perseguições, a igreja agora com 100 milhões de fiéis, tem mais membros do que o Partido Comunista (89 milhões). Qual será a voz do povo chinês? Será que sua maioria realmente quer um governo socialista opressor, regido por um partido comunista?

O Partido Comunista da China vem aumentando seu controle sobre grupos religiosos, e vê estes grupos como unidades políticas.

Liberdade religiosa

Nos últimos anos, a liberdade religiosa vem sido restringida cada vez mais. Tudo indica que o atual presidente, Xi Jinping, quer ser o “Novo Mao”. Sob sua presidência, a pressão sobre a igreja cristã chinesa aumentou enormemente.

Isso ocorreu, principalmente, após a introdução da nova lei religiosa de fevereiro de 2018. As igrejas são ameaçadas com ataques durante os cultos, fechamento e demolição de prédios e prisões de pastores e evangelistas. Também foi proibido que adolescentes e crianças frequentem a igreja ou participem de acampamentos, escolas bíblicas de férias e retiros religiosos.

As autoridades comunistas chinesas estão sempre procurando novas maneiras de monitorar grupos religiosos. Dessa forma, eles restringem a liberdade de fé do povo chinês, principalmente, das igrejas cristãs aprovadas pelo governo, porque as igrejas caseiras subterrâneas não são registradas e monitoradas pelo governo. Nem por isso, elas estão livres de riscos.

O projeto de lei intitulado “Regras para a administração de grupos religiosos” afirma que mais regulamentação visa “promover o desenvolvimento saudável de grupos religiosos”. E assim, eles são “orientados a se adaptar à sociedade socialista chinesa”.

Por exemplo, as igrejas são obrigadas a seguir instruções de policiais que, na entrada de cada culto, inspecionam todos os pertences de seus membros que desejam participar do culto.

A vigilância e o monitoramento dos cultos e dos fiéis da igreja estão aumentando com a instalação de câmeras e reconhecimento facial, de acordo com um relatório da Comissão Americana para a Liberdade Religiosa Internacional. O abuso de tecnologia na China está criando uma sociedade com características puramente desagradáveis que visam principalmente grupos religiosos.

Em julho deste ano, o Departamento de Estado dos EUA publicou um relatório indicando a China como um dos piores violadores da liberdade religiosa no mundo.

O Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional (IRF), do Escritório de Liberdade Religiosa Internacional do Departamento de Estado, detalha o status da liberdade religiosa em todos os países do mundo, elaborando abusos em países que exigem uma preocupação maior.

Aumento assustador da Perseguição na China

O mundo tem visto um crescente abuso de fiéis, não só cristãos, mas de quase todas as religiões e de todas as partes do continente pelo governo chinês. Também há sérias preocupações sobre a extração de órgãos entre prisioneiros chineses por “interferências” nas práticas budistas e culturais tibetanas; e pela crescente perseguição aos cristãos.

A organização internacional cristã Portas Abertas também divulgou um relatório que mostrou um número alarmante, a China saltou do 43º lugar do ranking dos piores perseguidores de cristãos do mundo em 2018, para o 27º neste ano. De acordo com o Portas Abertas, a China também é apontada como ator principal nas violações da liberdade religiosa.

A comunidade internacional não pode mais ignorar a violação da liberdade religiosa na China. Há uma necessidade urgente de deixar de ser um espectador e se tornar um agente transformador.

Os Direitos Humanos, inclusive a defesa da liberdade religiosa, precisam estar nas pautas principais dos governos mundiais que tenham seus fundamentos nos valores judaico-cristãos. E estes devem pressionar os países, onde a liberdade religiosa inexiste, por uma mudança.

A China define o direito como um aspecto de uma sociedade imperfeita. O comunismo é defensor da supremacia de um interesse coletivo sobre o individual. E como consequência, os Direitos Humanos são constantemente violados neste país.

Lamentavelmente, em prol do próprios desenvolvimento econômico, países democráticos que mantém relações econômicas com a China, fecham os olhos para o constante desrespeito dos Direitos Humanos neste país.

Por isso, o aniversário de 70 anos da “República Popular” da China não é motivo para celebração, “nem aqui e nem na China”!

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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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