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Vereador do Rio de Janeiro concede moção de louvor a ditador da Coreia do Norte

Davy Albuquerque

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Vereador do Rio de Janeiro concede moção de louvor a ditador da Coreia do Norte

O vereador Leonel Brizola (PSOL) apresentou um texto à mesa da Câmara Municipal do Rio de Janeiro prestando homenagem à ditadura comunista da Coreia do Norte, e ao seu líder supremo, Kim Jong Un.

“Por todo esforço de seu povo e de seu Máximo Dirigente, Excelentíssimo Senhor Kim Jong-un, na luta pela reunificação da Coreia e a necessária busca da paz mundial”, diz a Moção de Louvor e Reconhecimento, datada do dia 29 de novembro.”

No mesmo dia foi apresentada uma homenagem semelhante ao embaixador norte-coreano Kim Chol-hok. As moções foram entregues ao embaixador durante uma reunião entre o vereador psolista Leonel Brizola e parte do corpo diplomático da Ditadura Norte Coreana.

O ato foi organizado pelo Centro de Estudos da Política Songun do Brasil, que promove eventos e seminários relacionados ao regime, como sobre a Ideia Juche , filosofia que rege o governo, ou a política Songun , que diz respeito à prioridade das Forças Armadas.

A homenagem foi registrada no dia 10 de dezembro em despacho na KCNA, a agência estatal oficial de notícias da Coreia do Norte, considerada a voz do regime comunista. A nota da agência estatal diz que “o Líder Supremo, Kim Jong Un, recebeu o certificado ‘Moção de Louvor e Reconhecimento’ da Assembleia da Cidade do Rio de Janeiro”, reiterando que a homenagem é “concedido a pessoas que prestaram serviços distintos no Brasil”.

Denúncias de violações

A Coreia do Norte é considerada uma das ditaduras mais repressoras do planeta, comandada por um regime passado de pai para filho e baseado em uma ideologia conhecida como Juche , que prega a autossuficiência como caminho para a soberania nacional.

De acordo com a Anistia Internacional, as autoridades norte-coreanas são responsáveis por graves violações aos direitos humanos, incluindo a detenção de até 120 mil pessoas em prisões políticas, sujeitas a tortura, condições desumanas e execuções sumárias. Muitos ali não cometeram crimes — estão detidos por terem relações com pessoas consideradas “nocivas” pelo Estado.

As acusações, corroboradas pela ONU , também apontam restrições à liberdade de movimento, inclusive entre cidades, e de expressão — o país aparece na posição 179 no ranking de Liberdade de Imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteiras , formado por 180 países. Além disso, a Coreia do Norte continua a desenvolver armas nucleares — estimativas apontam que o país teria entre 20 e 30 ogivas prontas para uso — além de mísseis balísticos , mesmo vetado pelo Conselho de Segurança da ONU e sob pesadas sanções internacionais.

As conversas sobre a desnuclearização do país estão paralisadas desde fevereiro, quando fracassou uma reunião bilateral entre Kim Jong-un e o presidente americano, Donald Trump.

“A Coreia do Norte é uma ditadura feroz, um dos regimes mais fechados do planeta, tem uma história terrível em termos de catástrofes criadas por esse sistema político, em particular a grande fome dos anos 1990, é muito estranho que haja qualquer homenagem a esse governo no Brasil.  (…) É lamentável esse tipo de homenagem, ela contribui para uma banalização desses regimes violentos, autoritários e uma desvalorização dos direitos humanos, que já enfrentam uma situação grave no Brasil”, afirma o professor de Relações Internacionais da Universidade Do Estado do Rio de Janeiro, Maurício Santoro.

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Colunista político e editor-chefe do Conexão Política; Fundador do Movimento Brasil Conservador. Brasileiro com orgulho, cristão por convicção, política por vocação.

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