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Análise

Superterça II: Biden garante 4  dos 6 estados em disputa em nova etapa

Guilherme L. Campos

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Na segunda Superterça das primárias democratas para escolha do adversário de Donald Trump nas eleições de novembro, Joe Biden, o candidato do establishment democrata, ganhou em 4 dos 6 estados em disputa nesta terça-feira (10). Na primeira Superterça, realizada em 3 de março Biden levou 10 dos 14 estados em disputa. Chances de Bernie Sanders, o mais extremista dos democratas, agora são mínimas.

Mississippi, Missouri, Idaho e, por último, mas não menos importante, Michigan, o estado com maior número de delegados — 125 — em disputa nesta segunda Superterça, deram a vitória ao ex-vice presidente Joe Biden. Bernie Sanders levou com folga apenas em Dacota do Norte; no estado de Washington a disputa está pau-a-pau e, com 49% das urnas apuradas até o momento da publicação desta matéria, Sanders vencia por uma vantagem de apenas 0,20%, ou pouco mais de 2 mil votos.

Em seu discurso de vitória na noite de ontem, Joe Biden já ensaiou uma aproximação do eleitorado socialista de Bernie Sanders dizendo que promete “entregar uma visão ousada e progressista ao povo americano”.

O sucesso de Biden tem sido alimentado principalmente por eleitores negros, idosos e trabalhadores brancos. Essa tendência continuou na última terça-feira (10), quando Biden conquistou 84% dos eleitores negros no Mississippi e 69% deles no Missouri. Ele também foi o escolhido entre os eleitores mais velhos nesses estados.

Abaixo uma pequena análise do processo.

Michigan

O estado de Michigan, que deu uma importante e inesperada vitória a Sanders em 2016 contra a então candidata do establishment democrata, Hillary Clinton, dessa vez adotou um posicionamento menos extremista e garantiu a vitória mais importante da noite a Joe Biden.

Tal reposicionamento do eleitor democrata de um candidato declaradamente socialista para outro veladamente socialista, indica claramente um medo desse grupo com políticas ostensivamente socialistas, o que pode fazer com que no decorrer da campanha, com uma inevitável aproximação de Biden ao discurso extremista de Sanders com o objetivo de atrair tal eleitorado — grande maioria jovens — pode fazer com que parte desse grupo democrata que já se reposicionou de Sanders para Biden, se reposicione novamente no espectro ideológico levando votos democratas para o atual presidente Donald Trump, o que não é incomum na política americana.

Vale lembrar que Michigan, em 2016, deu a vitória a Donald Trump nas eleições gerais.

Gafes e agressividade podem minar Biden até novembro

Prevendo o que já parece ser inevitável, ou seja, a escolha de Joe Biden como oponente de Donald Trump, pode-se também antecipar que Joe Biden terá uma campanha difícil, uma vez que vem contabilizando quase que diariamente novas gafes e momentos de agressividade com eleitores que o questionam durante seus eventos. Biden tem esquecido informações e se atrapalhado com o que fala em seus discursos. A coordenação da campanha já diminuiu drasticamente o tempo dos discursos do pré-candidato para minimizar danos, alguns deles chegando a apenas 7 minutos de fala.

Episódios

Biden, por exemplo, já confundiu sua esposa com sua irmã no palanque de um de seus eventos de campanha; já declarou estar disputando a eleição para a “House”, ou seja, Câmara — quando na verdade é para a presidência, ou seja, White House; Biden também afirmou que como presidente *nomearia* a primeira mulher negra para o Senado americano — se referindo provavelmente a Suprema Corte. Biden também falou da importância de ser *reeleito* presidente, se corrigindo, em seguida — e piorando ainda mais a gafe — concluindo que só é possível reeleger Donald Trump.

Se acumulam também os episódios de ataque contra seus próprios eleitores, ou potenciais eleitores, durante eventos de sua campanha. Não raro, quando questionado por algum eleitor democrata sobre algum tema polêmico, Biden fica visivelmente agressivo e despeja respostas grosseiras e até xingamentos aos seus simpatizantes. O caso mais recente, ocorrido justamente no estado de Michigan, Biden confronta um trabalhador de fábrica que o questionou sobre a Segunda Emenda americana, a que garante o direito às armas de fogo. Além do confronto (vídeo abaixo), Biden também se confundiu durante a discussão e disse que confiscaria fuzis “AR-14”, quando se referia às AR-15.

Ao longo da campanha, tais gafes e demonstrações de agressividade podem deixar o eleitor democrata preocupado com as condições mentais e psicológicas de Joe Biden, gerando maior abstenção entre o eleitorado ou até levando os votos para Donald Trump.

Na atual corrida por delegados democratas, até às 14h desta quarta-feira, Joe Biden somava 846 delegados, contra 684 de Bernie Sanders. Para ser escolhido, o pré-candidato precisa alcançar 1991 delegados até o fim do processo, em junho.

Corrida por delegados até às 14 horas de quarta-feira, após a segunda Superterça das primárias democratas

Primárias Republicanas

O que poucas pessoas sabem fora dos EUA é que as primárias também estão ocorrendo no espectro Republicano, apesar de não significarem nada, uma vez que seu adversário não possui qualquer chance. Não sendo necessário maiores comentários acerca do processo no lado Republicano, à título de curiosidade é possível ver o retrato do processo visualizando o gráfico abaixo. Trump está bem próximo dos 1276 delegados necessários para oficializar sua nomeação.

Gráfico mostra a “disputa” por delegados no lado Republicano após a segunda Superterça.

Católico, Conservador, Correspondente Internacional, Observador Político e criador do 'Direto da América'. Atualmente vive no estado da Pensilvânia, Estados Unidos.

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