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Portas dos fundos – ou do inferno

Carlos Júnior

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Portas dos fundos – ou do inferno

Desrespeitar os valores cristãos e fazer pouco da fé parece ser o imperativo categórico do mundo moderno. Na sociedade do beautiful people progressista de pseudo-humanismo e dos círculos bilionários financiadores das pautas que fazem bater mais forte o coração de intelectuais, professores universitários, jornalistas e tutti quanti, desprezar o legado cristão e a crença daqueles que professam sua fé é modus operandi necessário a um prodigioso status social e carreirista.

O batalhão de intelectuais orgânicos – tal como descrito por Antonio Gramsci – é o grande responsável por incutir nas mentes mais frágeis a noção de que a religião é sinônimo de atraso, obscurantismo e ignorância, e que todos os problemas no mundo seriam resolvidos com o fim das religiões tradicionais. Seu apego à velha crença é nada mais que reluta ao mundo moderno, o mundo representante do fim das desgraças antepassadas, o mundo das luzes. É nesse mundo – bem irreal, é verdade – que as cabeças e os corações dos ‘’formadores de opinião’’ brasileiros se encontram há pelo menos 30 anos. Ou desde 1968.

É nesse mundo que também está localizado o Porta dos Fundos. Esse canal do YouTube é composto por esquerdistas confessos e de longa data. É um canal que se diz humorístico – mas encontrar graça em seu conteúdo é como procurar uma agulha no palheiro. Recentemente o canal produziu em parceria com a Netflix o dito especial de Natal ‘’A primeira tentação de Cristo’’. O conteúdo fala por si: Jesus Cristo é retratado como gay, a Virgem Maria como adúltera e São José como homem traído. O escárnio, o desrespeito e a baixaria com a religião de 86% dos brasileiros são tão claros e cristalinos que a indignação com o dito especial é mais que compreensível. O deboche com Cristo não pode ser tolerado em hipótese alguma.

Que a coisa já estava uma podridão, isso é fato. Mas como todo bom esquerdista e ateu, eles sempre podem deixar o que já era ruim ainda pior. Em um vídeo para ridicularizar a justa indignação dos cristãos frente ao especial blasfêmico e herético, o canal trouxe como descrição uma frase interessante e que merece uma análise mais aprofundada: ‘’a fome na África, por exemplo, está em pauta desde o início dos anos 2000, mas sempre vem uma piadinha para atrapalhar’’.

A frase é tão maravilhosa que eu nem acredito que eles disseram isso, mas vamos lá:

  1. Não há correlação alguma entre a revolta de cristãos a honrar sua fé e a tragédia humanitária na África. Brasileiros revoltosos contra o vilipêndio religioso não são culpados ou responsáveis indiretos pelo triste estado do continente africano.
  2. A Igreja Católica, maior e mais antiga instituição do mundo e responsável pela maior vertente cristã, é a grande promotora de caridades e bons serviços ao povo africano. No continente africano a Igreja possui 964 hospitais; 5.000 dispensários; 260 leprosários; 650 asilos; 800 orfanatos; 2.000 jardins de infância. Se a Igreja Católica saísse da África 60% das escolas e hospitais seriam fechados.
  3. Grande ou quase total parcela de culpa pela fome e pela miséria existente na África é da existência de ditaduras socialistas no continente. A KGB – polícia secreta do regime comunista soviético – agiu na África e transformou grande parte da região em território socialista e antiamericano. Não é muito difícil antever o que por lá aconteceu: socialização da pobreza, da fome e da repressão.

Ainda assim, o socialismo é o tipo de ideologia defendida por Gregório Duvivier e o restante do canal. É o próprio Duvivier que diz isso ao falar de Jesus Cristo. “Ele foi um socialista, um ser humano admirável como pensador e influencer. O Cristo do Porta dos Fundos é esse do amor, do amor livre, que abraça prostituta, que cuida dos leprosos, que prega a distribuição igualitária de renda. Um Cristo que nunca se preocupou em calar ou censurar os hereges. Ele só pregou a favor dos renegados, desses que foram renegados posteriormente pela Igreja em nome dele”.

Não, Gregório Duvivier, Cristo não tem nada a ver com este modelo que veio da sua cabeça – se é que você tem algo dentro dela. Jesus Cristo não permite o amor livre – sexto mandamento. Abraçou uma prostituta, não a prostituição e mandou a personagem da narrativa bíblica não pecar mais. Cuidou dos leprosos, mas em momento algum pregou a distribuição igualitária da renda – coisa totalmente diferente da boa e velha caridade cristã. Não abra a boca para falar como Cristo foi ou como deve ser. Você não passa de um moleque semianalfabeto sem cultura e cheio de presunção burra.

Um pedido foi feito para a retirada do especial herético. A justiça negou. Na decisão, a juíza Adriana Sucena Monteiro Jara Moura repetiu chavões progressistas da moral secular do bom senso para ignorar o artigo 208 do Código Penal e rasgar a Constituição. Ele entende que “somente deva ser proibida a exibição, publicação ou circulação de conteúdo, em verdadeira censura, que possa caracterizar ilícito, incitando a violência, a discriminação, a violação de direitos humanos, em discurso de ódio”. Ou seja, o total desrespeito ao cristão é válido e permitido pela lei. Mas se ele tentar responder ou procurar a justiça, aí é censura e discurso de ódio. O Brasil é de fato um país de insanos.

No Evangelho de São Mateus, Cristo estabelece o primado de São Pedro sobre sua Igreja, e fala que as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela. Ela irá permanecer de pé até o fim dos tempos independente de qualquer coisa. As portas do inferno não triunfarão. Nem a dos fundos.

Referências:

https://renovamidia.com.br/coluna-a-colera-do-gregorio-duvivier/

https://brasil.elpais.com/cultura/2019-12-22/gregorio-duvivier-o-cristo-do-porta-dos-fundos-e-o-cristo-do-amor.html

https://cleofas.com.br/voce-conhece-as-grandes-obras-de-caridade-da-igreja/

https://www.dw.com/pt-002/200-anos-de-karl-marx-o-legado-em-%C3%A1frica/a-43657691

https://www.acidigital.com/noticias/justica-nega-suspensao-de-filme-blasfemo-de-netflix-89139

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Jornalista. Escreve sobre politica brasileira e americana, com análises não vistas na grande mídia.

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