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Pesquisador brasileiro e mestre em Nanotecnologia cria biossensor que identifica ataque cardíaco

O objetivo principal foi desenvolver um protótipo que ampliasse a dinâmica do diagnóstico para o infarto

Redação

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Imagem: Reprodução

Graduado em Química pelo Instituto de Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Luciano Pereira Rodrigues, é mestre em Nanotecnologia e doutor em Eletroquímica Orgânica Aplicada pela mesma instituição. O projeto que criou, o biossensor que identifica infarto, foi publicado na revista Journal of Nanoscience and Nanotechnology, em 2014, e foi finalista do Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS, edição de 2015, oferecido pelo Ministério da Saúde.

Pesquisa

Segundo Luciano Rodrigues, a invenção foi desenvolvida durante o seu mestrado.  Ele disse que quando ingressou no mestrado os coordenadores do laboratório, professores João Marcos Madurro e Ana Graci Brito Madurro, lhe direcionaram ao projeto.

“Eu aceitei o desafio por ter enorme relevância para a saúde pública. O objetivo principal foi desenvolver um protótipo que ampliasse a dinâmica do diagnóstico para o infarto”, disse Rodrigues.

“O dispositivo óptico é composto por uma lâmina de vidro condutora, modificada com um polímero de espessura nanométrica, capaz de se ligar a um anticorpo de captura. O antígeno, molécula na qual o anticorpo se liga e que é o alvo, está no sangue dos pacientes com lesão cardíaca e é reconhecido pela sonda. Um outro anticorpo, este marcado com um nanomaterial luminescente denominado de ‘pontos quânticos’, acopla num ensaio tipo sanduíche. A amostra biológica da pessoa doente possibilita todos os acoplamentos biológicos. Ao irradiar um laser azul, uma luz verde é emitida para os casos positivos. Já nos casos de pacientes negativos nenhuma luz aparece”, explicou Rodrigues.

Figure 2

De acordo com Rodrigues, embora bons resultados tenham sido alcançados com o protótipo do dispositivo, ainda será necessário ser aprimorado para atender a comunidade brasileira.

“Isso requer investimentos por parte de quem for produzir em grande escala e comercializar. No futuro, poderá ter um impacto internacional. Por agora, sua produção e comercialização está protegida em território nacional pelos próximos 20 anos”, disse Rodrigues.

Em uma conversa recente que Rodrigues teve com a bioquímica Jaciara Macedo, responsável técnica do Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), a bioquímica explicou que hoje é feito na urgência um teste rápido cromatográfico, mas que ele não é muito específico e pode dar resultados de falso-negativo, ou seja, o paciente está sofrendo um infarto mas não é detectado.

“O ideal é o teste imunoenzimático de ELISA, mas demora de 4 a 6 horas, e a maioria dos pacientes morre antes de uma hora após os sintomas, no caso do infarto fulminante. Esse protótipo de dispositivo une as características de especificidade do ELISA e rapidez do teste cromatográfico”, explicou Rodrigues.

Dados
Em relação aos dados de mortes de infarto no Brasil, eles são assustadores de acordo com Rodrigues.

“Embora o infarto, obviamente, não seja contagioso, até o momento, em abril de 2020, já morreram 104.813 pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)”, disse Rodrigues.

As doenças do coração são as principais causas de morte no Brasil, representando mais de 30% dos casos.

Segundo os cardiologistas, o grupo de risco para infarto agudo do miocárdio compreende as pessoas diabéticas, hipertensas, sedentárias, com colesterol alto e estresse elevado.

CAPES
O trabalho de Rodrigues foi desenvolvido entre os anos de 2009 e 2011. Luciano Rodrigues havia acabado de deixar a indústria química, após dez anos de trabalho em empresas renomadas do Brasil.

“Já casado e com dois filhos, ressalto que a bolsa que recebia da CAPES era a minha única fonte de renda nesse período. Portanto, esse órgão de apoio à pesquisa foi fundamental para a obtenção desses resultados”, disse Rodrigues.

Próximos passos
Rodrigues se sentiu muito honrado com a carta de concessão da patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), pois apenas um número restrito de pesquisadores no Brasil conquistam essa outorga.

“Espero que haja empresas interessadas em viabilizar isso para sociedade. Embora os royalties sejam credenciados à Universidade Federal de Uberlândia, me coloco à disposição para consultoria técnica”, concluiu Rodrigues.

Com informações, CCS/CAPES.

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