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Austrália

Cientistas descobrem como sistema imunológico luta contra coronavírus e podem prever quando um paciente se recuperaria

Thaís Garcia

Publicado

em

Imagem: Prof. Katherine Kedzierska da Universidade de Melbourne

Uma equipe de cientistas na Austrália, liderada pela polonesa Katherine Kedzierska, descobriu como o sistema imunológico do corpo luta contra o coronavírus e foram capazes de prever com precisão quando um paciente se recuperaria.

Os pesquisadores do Instituto Peter Doherty para Infecção e Imunidade, em Melbourne, coletaram quatro amostras de sangue de uma mulher “saudável” que foi uma das primeiras pessoas diagnosticadas com a doença respiratória Covid-19 na Austrália.

Atualmente, há mais de 1.314 casos confirmados de coronavírus chinês na Austrália e, 7 desses pacientes morreram.

A mulher de 47 anos, observada pelo centro do estudo, viajou de Wuhan na China – o epicentro inicial do surto – mas não teve contato com o mercado de frutos do mar de Huanan ou com nenhum caso conhecido de infecção do coronavírus chinês.

Ela se apresentou a um departamento de emergência de um hospital em Melbourne, com letargia, dor de garganta, tosse seca, dor no peito e febre.

As estimativas atuais mostram que mais de 80% das pessoas que contraem o vírus apresentam sintomas leves a moderados.

No estudo publicado na revista mensal Nature Medicine na terça-feira (17), os pesquisadores mapearam como o sistema imunológico dessa mulher havia respondido ao coronavírus chinês.

“Analisamos toda a amplitude da resposta imune nessa paciente, usando o conhecimento que construímos ao longo de muitos anos e analisando respostas imunes em pacientes hospitalizados com influenza”, disse uma das pesquisadoras, a Dra. Oanh Nguyen.

“Três dias após a internação da paciente, vimos grandes populações de várias células imunológicas, que geralmente são um sinal revelador de recuperação durante a infecção sazonal por influenza, por isso previmos que a paciente se recuperaria em três dias, e foi o que aconteceu”, explicou Nguyen.

Sistema imunológico humano pode combater o coronavírus chinês

A pesquisadora Carolien van de Sandt disse ao ABC: “É o primeiro artigo que mostra que o corpo pode dar imunidade, revidar e se recuperar. Por se tratar de um novo vírus, não sabíamos como o corpo reagiria”.

“O corpo humano é capaz de combater o coronavírus SARS-Cov2, que causa a doença Covid-19”, disse Van de Sandt.

Boas notícias

Pesquisadores de todo o mundo entraram em contato com a brilhante equipe em Melbourne, não apenas para colaborar no desenvolvimento de uma vacina, mas também para participar de vários projetos para examinar ainda mais de perto as respostas imunes em pacientes do coronavírus chinês.

O centro de pesquisa do Instituto Peter Doherty tem muita experiência no campo das reações imunológicas.

“O que vemos aqui é uma resposta imune muito típica, que acompanha uma boa recuperação e é exatamente isso que vemos em pessoas que têm uma infecção por gripe. Boas notícias: o corpo dessa paciente faz exatamente o que tem que fazer, ou seja, revidar!”, disse van de Sandt.

Segundo os pesquisadores em Melbourne, uma grande proporção de pacientes apresenta queixas leves em uma infecção. A equipe de pesquisa espera que uma grande parte também tenha uma boa resposta imune durante a infecção ao coronavírus. Para confirmar isso, um estudo em larga escala está sendo realizado.

O estudo de acompanhamento analisará não apenas pacientes com queixas leves, mas também pacientes com queixas graves.

Dessa forma, os pesquisadores esperam descobrir quais partes específicas do sistema imunológico são ativadas durante uma infecção leve e, portanto, levando a uma boa recuperação, e o que dá errado em pacientes com uma infecção grave.

Os pesquisadores afirmam que pacientes gravemente doentes geralmente têm um sistema imunológico incapaz de ativar certas partes deste sistema. Se for possível identificar essas partes para o coronavírus chinês, será mais fácil estimar se o paciente terá queixas leves ou graves. Dessa forma, em breve será possível aplicar melhor o atendimento personalizado ao paciente de Covid-19, segundo os pesquisadores do Instituto Peter Doherty .