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Netanyahu quer inserir microchip em crianças

“Se as informações com a localização das crianças forem carregadas na Internet, um pedófilo com algum conhecimento cibernético poderá invadir o sistema e persegui-las”, disse a especialista em cibernética Einat Meron.

Redação

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Especialistas em cibernética criticaram o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por sua proposta de inserir um microchip em crianças que retornarem às escolas e jardins de infância quando o bloqueio por coronavírus chinês for suspenso, informou a Ynet na sexta-feira (8).

Enquanto falava em uma coletiva de imprensa na segunda-feira (11), Netanyahu sugeriu que o Ministério da Saúde usasse novas tecnologias para ajudar Israel a se adaptar à sua nova rotina, enquanto o Estado está suspendendo o bloqueio do coronavírus chinês. “Ou seja, tecnologia que não foi usada antes e é permitida pela legislação que aprovaremos”, esclareceu.

“Falei com nossos chefes de tecnologia para encontrar medidas em que Israel é bom, como sensores. Por exemplo, todas as pessoas, todas as crianças – quero primeiro as crianças – teriam um sensor que soaria um alarme quando você chega muito perto, como os [sensores] dos carros “, disse o primeiro-ministro israelense.

“Será difícil fazer isso com mais de um milhão de crianças em idade escolar que retornam às suas instituições de ensino para garantir que um aluno fique a uma distância de dois metros do outro. É fictício e perigoso”, disse a especialista em resiliência cibernética Einat Meron à Ynet.

“Teoricamente, eu entendo a ideia”, disse ela. “Mas embora esses microchips sensíveis à distância existam nos veículos, é diferente nos seres humanos”. Segundo Meron, “um som de bipe dizendo que eu cheguei perto de alguém não é suficiente. Quem disse que isso vai mudar alguma coisa? Eu teria chegado mais perto de qualquer maneira”.

A especialista acrescentou que “o problema real é a fiscalização, e aqui tudo muda”. Meron disse à Ynet que “as crianças com microchip não passarão em nenhum teste – tanto na prática quanto na legalidade”. Semelhante à noção de Meron de que notificar os cidadãos à distância não afetará suas ações, muitos temem que o Estado faça uso das informações disponíveis pelos sensores.

“Se as informações com a localização das crianças forem carregadas na Internet, um pedófilo com algum conhecimento cibernético poderá invadir o sistema e persegui-las fora de suas escolas, segui-las e distribuir as informações em outras plataformas”, disse Meron. “O Estado pode assumir a responsabilidade por isso?”

O Gabinete do primeiro-ministro israelense respondeu à crítica de Meron dizendo que a sugestão de Netanyahu “não deve ser implementada através de bancos de dados, mas através de uma tecnologia simples que notifica [os cidadãos] sobre sua distância. É uma opção voluntária projetada para ajudar as crianças a manter distância, como o Mobileye com veículos”.

O gabinete acrescentou que a sugestão do primeiro-ministro é “uma ideia que pode ajudar a manter o distanciamento social e não haverá violação da privacidade”.

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Na quarta-feira (6), o site Walla informou que os movimentos de todos os veículos em Israel foram rastreados pela polícia e armazenados em um banco de dados não regulamentado chamado Eagle Eye. Uma fonte citada pelo site disse que a informação “pode ​​ser mantida por anos a fio”.

A Associação dos Direitos Civis de Israel (ACRI) enviou uma solicitação sob a Lei de Liberdade de Informação de que a polícia divulga a extensão das operações Olho de Águia, bem como o tempo em que as informações sobre os movimentos dos cidadãos são armazenadas no sistema.

A polícia de Israel respondeu à ACRI, dizendo que a atividade do sistema não era padronizada internamente, apesar de vários anos de operações. “De qualquer forma, uma vez finalizado, o procedimento não será divulgado ao público”, acrescentou a polícia.

No final de março, a Ynet relatou um banco de dados classificado da Shin Bet (Agência de Segurança de Israel) que armazenava informações sobre todos os cidadãos israelenses e a maioria dos palestinos da Cisjordânia. Os dados rastreados pela agência de segurança incluíram movimentos, telefonemas e mensagens de texto.

 

Com informações, The Jerusalem Post, YNet e Walla.

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