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Ministro Marcos Pontes diz que leilão esperado do espectro 5G no Brasil deva ocorrer no primeiro semestre de 2021

Redação

Publicado

em

Naila Rocha

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, afirmou durante a cerimônia de lançamento do Canal 1 da TV Brasil (emissora que integra a EBC) em São Paulo, em 22 de junho, que o leilão de exploração para a implantação da tecnologia 5G no Brasil pelas operadoras deva ocorrer no primeiro semestre de 2021.

“O 5G é uma tecnologia que vai revolucionar os mercados, com aplicações em vários setores. Junto com a Internet das Coisas, o Brasil vai ganhar muito em desenvolvimento econômico e social”, disse o ministro.

5G no Brasil

O Brasil, um dos maiores mercados da gigante chinesa de telecomunicações Huawei, pode estar pronto para fechar seus contratos de 5G com as empresas de telecomunicações europeias, Ericsson e Nokia, enquanto os Estados Unidos estão conversando com o governo brasileiro, e propondo financiar a operação de infraestrutura 5G, sob a condição de que o Brasil deixe a Huawei fora das negociações.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, disse que descartar a Huawei das negociações é uma questão de “segurança nacional” para Washington e tem como objetivo “proteger dados e propriedade intelectual, além de informação confidenciais das nações”.

Huawei no Brasil
Isso representa uma grande perda para a gigante chinesa de telecomunicações, pois a empresa reforçou sua presença no mercado brasileiro nas últimas duas décadas, durante o período de governo de Lula e Dilma.

A Huawei conduziu testes 5G para as quatro principais empresas de telecomunicações, a Telefonica Brasil, TIM, Claro e Oi, e está ajudando estas empresas a modernizar sua infraestrutura, antes do leilão esperado do espectro 5G, que deve ocorrer no primeiro semestre de 2021. A empresa também prometeu instalar uma fábrica em São Paulo até 2022, com um investimento de 800 milhões de dólares.

Financiamento americano

O mercado brasileiro parecia um tiro certeiro para a Huawei, mas agora, com os EUA prontos para financiar os custos de infraestrutura se o governo brasileiro escolher por ‘players’ europeus ou outros não-chineses, o possível acordo com a Huawei “iria por água abaixo”. E isso significa uma enorme perda para a gigante chinesa das telecomunicações.

“Quem quer fazer investimentos em países onde suas informações não serão protegidas?” disse o embaixador dos EUA, Chapman à Folha.

O governo e a Anatel também estão avaliando propostas de empresas como a norte-americana Qualcomm, com planos para 2021/2022.

O financiamento americano seria por meio da International Development Finance Corporation, um banco de desenvolvimento criado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no final de 2018, que atua como um contraponto à iniciativa chinesa do Cinturão Econômico da Rota da Seda e ao Banco de Desenvolvimento da China, que oferece crédito para obras de infraestrutura em outros países.

O governo Trump pediu aos governos de todo o mundo, incluindo o Brasil, que evitassem a Huawei devido a preocupações com espionagem do Partido Comunista Chinês.

Reação global

A reação global contra os abusos do Partido Comunista Chinês e os relatos de espionagem do Exército de Libertação Popular através de empresas de tecnologia chinesa causaram danos maciços às empresas chinesas de 5G, especialmente a Huawei.

A reação contra a Huawei é proveniente dos governos, como no caso do Reino Unido, e também dos próprios operadores de telecomunicações, como no Canadá, onde duas das três principais empresas de telecomunicações anunciaram que não lidariam com a Huawei em sua distribuição 5G.

As empresas de telecomunicações canadenses fecharam as portas para as empresas chinesas. Duas operadoras de telecomunicações canadenses, a BCE Inc. (controladora da Bell) e a Telus Corp, decidiram agora usar equipamentos da Nokia e Ericsson para construir suas redes 5G de próxima geração no Canadá. Isso significa efetivamente que o Canadá deixou a China “a ver navios”, juntamente ao seu fornecedor de tecnologia 5G, a Huawei.

A Bell já usa a Huawei em sua rede 4G existente, no entanto, o envolvimento da empresa chinesa na implantação de 5G já foi descartado. A Telus chegou ao ponto de afirmar em fevereiro deste ano que faria parceria com a Huawei para implantar a tecnologia 5G no país. Com Bell e Telus rejeitando a Huawei, o Partido Comunista Chinês deve ficar enfurecido. Todas as três principais operadoras de telecomunicações do Canadá, Bell, Telus e Rogers, estão agora trabalhando com a Nokia e a Ericsson.

Os Estados Unidos estão usando o mesmo manual usado no Canadá e, portanto, o governo Trump aumentou a pressão sobre a Huawei em maio com restrições que impedem os fabricantes estrangeiros de semicondutores cujas operações usam software e tecnologia dos EUA de enviar chips para a Huawei sem primeiro obter uma licença das autoridades americanas. As autoridades britânicas disseram que essa restrição levantou questões sobre a qualidade dos equipamentos da Huawei no futuro.

O governo dos Estados Unidos já aconselhou os países europeus a utilizarem produtos da Ericsson, Nokia e Samsung, em vez da Huawei.

A reação global contra empresas chinesas, especialmente vendedores de equipamentos de telecomunicações que lideravam a corrida 5G global como Huawei, ZTE e Datang Telecom, levou ao ressurgimento de duas empresas europeias, a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia.

Atualmente, as nove empresas que vendem equipamentos 5G são Altiostar, Cisco Systems, Datang Telecom / Fiberhome, Ericsson, Huawei, Nokia, Qualcomm, Samsung e ZTE, das quais três empresas chinesas, Huawei, Datang e ZTE, lideram a corrida, por seus produtos serem mais baratos.

A Polônia assinou um acordo de cooperação com os EUA para a nova tecnologia 5G, afirmando que a segurança e a cooperação com os EUA serão um aspecto central.

O Vietnã, por questões geopolíticas, também contornou a chinesa Huawei e desenvolveu uma tecnologia própria para o 5G.

Hoje (14), o governo britânico acabou de anunciar que vai proibir as empresas de telecomunicações de seu país de comprar novos equipamentos fabricados pela chinesa Huawei. As empresas britânicas vão ter até 2027 para remover a tecnologia chinesa já instalada de suas redes 5G.

 

 

 

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