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Japão sonda Vietnã e Indonésia como novos parceiros na aliança EUA-Austrália-Índia-Japão

Thaís Garcia

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Poucos dias depois dos ministros das Relações Exteriores do Quadrado Indo-Pacífico (‘The Quad’) – uma aliança informal formada pelos EUA, Austrália, Índia e Japão – se reunirem em Tóquio, o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, foi para o Vietnã e agora está na Indonésia – duas grandes potências médias, cujo papel seria fundamental na limitação do expansionismo do governo do Partido Comunista Chinês na região.

O diálogo de Suga em Hanói e Jacarta pode ajudar a fortalecer ainda mais, se não expandir o núcleo de segurança do ‘The Quad‘ em um estágio posterior. A visita de Suga nos dois países pode alimentar o surgimento de um novo equilíbrio de poder na região, contrabalanceando a forte influência chinesa atual.

A viagem do primeiro-ministro japonês amplificará alguns dos pontos de discussão que foram recentemente sinalizados por altos funcionários dos EUA durante a última reunião em Tóquio. O Japão e os Estados Unidos são aliados na área de segurança, compartilhando inteligência em profundidade em áreas de interesse comum, incluindo a China e a região Indo-pacífico.

Antes da visita de Suga, altos funcionários dos EUA, com a intenção de bloquear a influência crescente de Pequim na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), de 10 nações, já haviam moldado o terreno para o diálogo de Suga com seus interlocutores.

Há menos de um mês, o Secretário de Estado adjunto dos EUA para assuntos político-militares e o vice-ministro vietnamita de Relações Exteriores trocaram mensagens online sobre cooperação de segurança bilateral no “11º Diálogo de Política, Segurança e Defesa EUA-Vietnã”. A lista de tópicos sinalizados incluiu cooperação em segurança, comércio de defesa, segurança marítima e manutenção da paz. O Vietnã, a primeira parada da visita do primeiro-ministro japonês, é atualmente o chefe-rotativo da ASEAN, que é o principal parceiro comercial da China. Apesar de uma forte relação econômica, Pequim e Hanói, que entraram em guerra em 1979, compartilham uma desconfiança histórica.

Falando em Tóquio na sexta-feira (16), Suga disse que deseja que sua viagem ao Sudeste Asiático “mostre à nossa nação e ao mundo que o Japão terá um papel de liderança na paz e prosperidade da região”, informou o Nikkei Ásia. Após suas conversas, Suga e seu homólogo vietnamita, Nguyen Xuan Phuc, concordaram em cooperar na iniciativa “Indo-pacífico livre e aberto”. Em uma conferência de imprensa conjunta na segunda-feira (19), Suga disse que o Vietnã é um pivô e um parceiro importante para alcançar um Indo-pacífico livre e aberto. Os dois países também estão próximos de um acordo sobre a exportação de equipamentos militares japoneses para o Vietnã.

Durante a segunda etapa de sua visita à Indonésia, o Primeiro-ministro japonês deve sondar o nível e a extensão com que a Indonésia, conhecida por sua tradicional aversão por alianças, está aberta à participação conjunta no aumento da segurança do Indo-pacífico.

Enquanto Suga visita Jacarta, o Secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, recebe o Ministro da Defesa indonésio, Prabowo Subianto, sinalizando que o Japão e os EUA, membros-chave do ‘The Quad’ Indo-pacífico, provavelmente estariam atraindo a Indonésia para uma possível aliança.

“Sua visita a Washington é particularmente significativa porque nas últimas duas décadas o Sr. Subianto teve sua entrada nos Estados Unidos duas vezes negada por supostas violações dos direitos humanos. Washington agora parece estar disposto a olhar para o outro lado, em questões relativas ao passado de Subianto, para promover uma cooperação bilateral de defesa mais estreita com a Indonésia”, disse Kuni Miyake, Conselheiro Especial do gabinete de Suga, ao The Japan Times.

A aliança com a Indonésia é importante por conta de sua geografia oceânica única. O país seria central para impor pressão sobre a China. O arquipélago da Indonésia hospeda pelo menos quatro pontos de estrangulamento importantes, que podem ser aproveitados para conter Pequim, já que alguns deles são essenciais para o comércio marítimo da China.

O mais importante entre esses canais é o estreito de Malaca – o elo comercial mais curto e crucial entre os oceanos Índico e Pacífico. É uma passagem marítima estreita de 890 km de água entre a Península Malaia e a ilha indonésia de Sumatra. A grande maioria das importações de petróleo da China, do Golfo, Venezuela e Angola, passa por essa rota, que também é a “tábua de salvação” para o Japão e a Coreia do Sul – outras grandes economias industriais da região.

A Indonésia também hospeda o estreito de Sunda – o canal entre as ilhas de Sumatra e Java. É uma via navegável importante para os navios que viajam ao longo da rota do Cabo na África para o Leste Asiático. Os navios australianos com destino ao sudeste ou leste da Ásia também fazem uso ativo dessa passagem.

O terceiro canal, o estreito de Lombok, também parte do arquipélago indonésio, é profundo e amplo. Portanto, é ideal para o trânsito de grandes petroleiros e outros navios cargueiros gigantes com 100.000 toneladas de peso morto ou mais.

Os estreitos de Ombai e de Wetar, também na Indonésia, desempenham um papel militar único. Por serem extremamente profundos, eles fornecem passagem não detectada para submarinos que viajam entre o Pacífico e o Oceano Índico. Consequentemente, há um interesse considerável por esses estreitos entre as comunidades estratégicas dos países do Indo-pacífico, que temem o trânsito de submarinos chineses do Pacífico para o Oceano Índico.

Os atritos recentes entre a Indonésia e a China podem oferecer novas oportunidades para o Japão e o The Quad Indo-pacífico se unirem. As diferenças crescentes entre a Indonésia e a China giram em torno da reivindicação de Pequim sobre a “Linha de Nove Traços”, um alinhamento vagamente definido, que a China diz que marca “sua fronteira marítima” no Mar do Sul da China. A China cita “razões históricas” para fazer valer suas reivindicações, ao longo de uma linha cujas coordenadas específicas não foram especificadas.

Na opinião de Jacarta, as fronteiras marítimas são definidas pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM). Com as incontestáveis ​​ilhas Natuna da Indonésia como ponto de referência, Jacarta argumenta que a CNUDM permite a extensão das fronteiras oceânicas da Indonésia em áreas que se enquadram na linha de reivindicação errônea da China.

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