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Funcionário do Ministério do Interior da Alemanha é afastado após publicar artigo afirmando que medidas de confinamento podem matar mais que o coronavírus

Thaís Garcia

Publicado

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Reprodução

Um artigo de Stephan Kohn (Partido Social Democrata), do Ministério Federal do Interior da Alemanha (IMC), aponta que as medidas de confinamento no combate ao coronavírus chinês podem resultar em muito mais mortes do que se pensava anteriormente.

O artigo de mais de 80 páginas foi publicado em 10 de maio no jornal Corona, criado pelo próprio Ministério Federal do Interior (IMC). A opinião de Kohn foi baseada no fato de que dez professores e cientistas alemães de renome o aconselharam na preparação da análise.

Segundo o artigo de Stephan Kohn, as medidas de confinamento e restrições podem causar “danos colaterais à saúde” e o número de mortes e outros danos causados ​​pelas medidas tomadas é muitas vezes maior que o número potencialmente de mortos pelo vírus. Ele cita que cerca de 2,5 milhões de operações adiadas em março e abril resultariam em 5.000 a 125.000 mortes prematuras.

Além disso, de acordo com a tese, “milhares de mortes também resultariam de tratamentos de acompanhamentos interrompidos de operações (por exemplo, câncer, derrame e ataque cardíaco) e suicídio. O artigo também diz que haveria mais mortes por problemas cardíacos e derrames.

Kohl alerta também para os riscos de suicídios e vítimas adicionais de violência doméstica e abuso dentro da família.

De acordo com Kohn, a crise econômica maciça terá um impacto negativo para todos, incluindo os idosos, que os políticos tanto desejam proteger com suas decisões de bloqueios. O número de mortes por coronavírus é comparativamente baixo e afeta principalmente pessoas que já estão próximas da morte, devido à sua idade ou doenças anteriores.

O jornal Bild relata que devido à publicação do artigo, Stephan Kohn foi suspenso de todas as suas tarefas ministeriais por ter espalhado “sua opinião privada” e excedido sua “responsabilidade factual”.

No entanto, os fatos que Kohn elabora em seu artigo de mais de 80 páginas mostram coerência. No início de maio, o professor e doutor Peter Schirmacher  – chefe de patologia da mundialmente famosa Universidade de Heidelberg, membro da Academia Leopoldina e da Academia Nacional de Ciências, que assessora a chanceler Merkel – alertou que os efeitos das medidas tomadas na assistência médica causam mais danos do que benefícios.

Segundo o Bild, um estudo conduzido pelo professor Peter Schirmacher afirma que o dano causado pelas medidas contra a pandemia é maior que os benefícios. O professor alerta que as regras de combate ao coronavírus poderiam causar muito mais mortes do que se pensava anteriormente.

“Muitos dos afetados não procuram um médico”, disse o professor ao Bild.

Segundo Schirmacher, as restrições de combate ao coronavírus levam a um aumento da morbidade (doença) e da mortalidade.

Coragem civil

A coragem civil de Stephan Kohl foi inesperada na Alemanha. Outros médicos e cientistas envolvidos na criação do jornal Corona ficaram surpresos ao ver o artigo do Ministério Federal do Interior (IMC) de 10 de maio. Aparentemente, eles deliberadamente o rejeitaram, e em um comunicado à imprensa publicado no mesmo jornal, agora eles estão pedindo ao IMC que apresente de forma transparente as avaliações de risco supostamente feitas lá.

Em contraponto, em uma declaração publicada pelo jornal Achgut na segunda-feira (11), os cientistas envolvidos no artigo de Kohl se posicionaram a favor de Stephan Kohn e alertaram: “Em nossa opinião, os funcionários públicos teriam que iniciar uma reavaliação imediata das medidas de proteção baseadas neste documento, para os quais também recomendamos e oferecemos nosso conselho”.

Com base no artigo, no estudo e no apoio da classe de cientistas envolvidos, pode-se dizer que alguém do Ministério Federal do Interior alemão praticou uma política de combate ao coronavírus amplamente falida e surge a questão de quem é o responsável.

Segundo o jornal Bild, as autoridades do Ministério do Interior do Estado foram instruídas a “ver o artigo do jornal como irrelevante e destruí-lo”.

 

 

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