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Estados Unidos oferecem ao Brasil fragatas, tanques, jipes e helicópteros

Raul Holderf Nascimento

Publicado

em

Imagem: AFP

Tanques M1 Abrams para turbinar o Batalhão de Blindados do CFN (Corpo de Fuzileiros Navais)?

Utilitários Humvee para garantir a mobilidade de tropas terrestres em companha?

Pois essas são apenas duas das várias possibilidades abertas, no fim do ano passado, pela correspondência recebida de Washington com uma lista de material militar usado, formalmente oferecido ao Ministério da Defesa do Brasil.

Os diferentes itens dessa relação são, tecnicamente, considerados “excedentes” das Forças Armadas dos Estados Unidos, e podem ser adquiridos, via Foreign Military Sales (FMS), a preços facilitados, por nações consideradas “amigas” dos EUA (e, em alguns casos, também por doação pura e simples).

As exigências para a transferência desses itens são poucas, e uma das principais é de que o país candidato ao equipamento, caso deseje modernizá-lo, contrate o serviço em território americano.

O Forças Terrestres pôde identificar parte dos armamentos que compõem a lista – fornecida com as quantidades máximas disponíveis para cada item.

As estrelas desse elenco de produtos de 2ª mão são, sem dúvida, os carros de combate M1 Abrams, de 54 toneladas e canhão de 105 mm (atualização: outra fonte indica que a versão ofertada é a M1A1 com canhão de 120 mm), fabricados na metade inicial da década de 1980 no estado americano de Ohio.

Fonte do Ministério da Defesa ouvida por este blog assinala: os blindados tanto poderiam ser comprados pela Cavalaria Blindada do Exército, como pela Marinha – nesse caso, para potencializar a tropa blindada do CFN, hoje concentrada no Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav), sediado no Rio de Janeiro.

O Batalhão possui uma Companhia de Carros de Combate (CiaCC) dotada dos pequenos e leves tanques austríacos SK 105A2S Kuerassier, de 17,5 toneladas. No próximo dia 26 de março a unidade comemora o seu 16º aniversário de criação.

Outros itens ofertados pelos EUA:

  • Fragatas de mísseis guiados Oliver Hazard Perry (OHP), de 136 m de comprimento e 4.200 toneladas de deslocamento. Haveria ao menos uma dezena delas, desativadas nos últimos quatro anos e meio, que estariam, ainda, disponíveis;
  • Helicópteros Sikorsky Black Hawk passíveis de serem operados pela Força Aérea Brasileira (FAB) ou pela Aviação do Exército;
  • Helicópteros Bell AH-1 Cobra propostos para o Exército brasileiro;
  • Veículos leves utilitários Humvee, aptos a serem empregados pelo Exército brasileiro ou pelos Fuzileiros Navais;
  • Fuzis de assalto M-16;
  • Carabinas M-4, entre outros equipamentos.

Até onde se sabe, o Ministério da Defesa ainda não respondeu ao oferecimento dos americanos. A lista que veio de Washington foi repassada a cada uma das Forças, para que elas se manifestem. Mas essa reação, se é que já aconteceu, permanece desconhecida.

Avanço – Diferentes oferecimentos de Washington têm chegado à América do Sul. As Forças Armadas argentinas, por exemplo – que lidam com fortíssimas restrições orçamentárias –, se interessaram pelas viaturas Humvee.

No Brasil, na hipótese de vir a acontecer, a eventual aceitação desses equipamentos de 2ª mão será, forçosamente , pontual.

Desde 2013, em ao menos três oportunidades a Marinha do Brasil dispensou as ofertas de navios da Classe OHP, considerados muito desgastados e de propulsão (por turbinas a gás) problemática.

Inovação real para as Forças Armadas brasileiras representaria o M1 Abrams, ainda que a versão oferecida seja extremamente antiquada, e dotada de um armamento principal – canhão M-68A1,de 105 mm –, que não representa vantagem significativa sobre o poder de fogo do Leopard 1A5 BR, que o Exército brasileiro já opera.

Mas em pelo menos dois cenários o Abrams representaria um avanço para os militares brasileiros: (1) ele é uma evolução importante sobre o M-60 A3TTS (adquirido na década de 1990, durante a Era Fernando Henrique Cardoso), que conforma a dotação do 20º Regimento de Cavalaria Blindado, sediado em Campo Grande (MS) – defronte à fronteira com o Paraguai –, e (2) significaria um salto de qualidade (poder de choque+mobilidade+desempenho) para a tropa blindada dos Fuzileiros Navais.

Nesse último caso seria, contudo, preciso ver como os Fuzileiros levariam os seus Abrams do mar para a terra.

Na MB, atualmente, esse serviço só poderia ser feito pelo navio de desembarque de carros de combate Garcia D’Avila (G29), de 8.571 toneladas (a plena carga), que serviu na Marinha Real sob o nome de Sir Galahad (homenagem ao navio de desembarque logístico afundado pela Aviação Argentina durante a Guerra das Malvinas).

A manutenção e eventuais serviços de modernização representariam o grande problema de qualquer Instituição Militar brasileira que opte pelo M1.

Quase toda a força blindada nacional sobre lagartas segue a linha alemã, apoiada nas oficinas da empresa KMW, da cidade de Santa Maria (RS) — que, inclusive, já se ofereceu (em 2017) para desenvolver um tanque de esteiras no Brasil.

O M1 precisaria ser, periodicamente, conservado e modernizado em arsenais americanos.

Com informações, Roberto Lopes Especial para o Forças Terrestres

Imagem: M1 Abrams com canhão M68A1 de 105 mm

M1 Abrams com canhão M68A1 de 105 mm

Estudante de Letras, cristão, colunista, e redator. Amo ciências políticas, sou conservador e nordestino com orgulho. Brasil acima de tudo!

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8 Comentários

8 Comments

  1. carlos

    25.01.2019 at 15:42

    Brasil não precisa disso. Nossos problemas não se resolvem com armamento militar, precisamos de serviço de inteligência para acabar com crime organizado e corrupção. Acho que o Trump quer terceirizar uma guerra com a Venezuela, para que os soldados brasileiros morram em batalha.

  2. Steeler

    25.01.2019 at 09:05

    Na minha opinião o que pode ser aproveitado e que de fato venha a ajudar são os Helicópteros e principalmente as Fragatas, o litoral brasileiro é muito vasto e a marinha nacional tem poucos navios.

  3. Rafael Nascimento

    24.01.2019 at 09:36

    Maravilha

  4. Otto

    22.01.2019 at 15:34

    Conseguiu a “Blueprint” do tanque Abrahms onde? Desenho e gostaria de pegar de outros modelos. Grato

  5. João

    22.01.2019 at 14:36

    O Brasil tem que tomar vergonha na cara e não aceitar restos de ninguém, pois tendo, uma boa administração, é capaz de produzir equipamentos de última geração.

    • Rafael Oliveira

      22.01.2019 at 17:22

      reativar o projeto blindado tomoyo, seria uma boa opção…
      o tomoyo 3 era um ótimo tanque…
      tbm tem o Osório, porem este era muito caro

    • Fábio

      22.01.2019 at 18:13

      O problema é que esse tipo de investimento militar precisa de anos e anos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. É necessário toda uma política de estado voltada pra essa área, mas as forças armadas do Brasil foram jogadas às traças nos governo de Esquerda que tivemos. Se esses armamentos valerem a pena, técnica e economicamente falando, talvez seria uma boa opção para suprir temporariamente a necessidade de reforçar essas áreas em que o Brasil está mais defasado.Nunca se sabe, exatamente, o que vai acontecer no futuro próximo, e é bom estar preparado.

    • Eduardo Araújo

      22.01.2019 at 20:00

      Vejo a situação pelo mesmo ângulo do Fábio e ressaltaria que vivenciamos uma situação ímpar na América do Sul, com alguns governos de esquerda – o venezuelano, especialmente – que vez ou outra nos acenam em tom de ameaça. Por falar em Venezuela, é preciso alguma vigilância nas movimentações militares promovidas pelo ditador esquerdista, como permitir um posto avançado chinês no país (não sei se é verdade, confirmem-me ou não, por favor) e os Tupolev russos “descansando” em seu território. Enfim, há circunstâncias que justificam uma melhor preparação já para o presente e – como salientou o Fábio – o concurso da indústria nacional para isso é uma tarefa de médio a longo prazo..

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