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Entrevista

Entrevista exclusiva com o jornalista italiano Andrea Ruggeri sobre o cenário brasileiro

“O presidente Bolsonaro é uma pessoa especial, verdadeira”, diz Ruggeri

Redação

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Imagem: Reprodução

 Entrevista exclusiva feita pelo Docentes Pela Liberdade (DPL) com o jornalista italiano e presidente da Associação Nacional Ítalo Brasileira Ordem e Progresso, Andrea Ruggeri, e cedida ao Conexão Política.

 A entrevista com Ruggeri faz parte de um esforço do movimento Docentes pela Liberdade (DPL) em trazer pensadores competentes e capazes de agregar análises relevantes para o cenário nacional. As opiniões expressas na entrevista não reproduzem, necessariamente, as posições do DPL ou Conexão Política.

Andrea Ruggeri

Com 1,90 metro de altura e 130 quilos, o jornalista italiano Andrea Ruggeri vivia se metendo em brigas na adolescência. Certa vez, dois colegas jogaram lama avermelhada na roupa branca que Andrea havia vestido para ir à discoteca, um presente da tia. Pois o jovem não teve dúvidas e partiu para cima dos dois. “Saiu muito sangue de nariz”, ele lembra, rindo. “Uma vizinha viu a cena e ficou gritando ‘djàvlon, ‘djàvlon, que, no dialeto local, significa ‘grande diabo’ num sentido bem-humorado, que remete a crianças que aprontam muito”.

Os dois jovens que apanharam de Andrea eram, respectivamente, um praticante de luta livre e um campeão de queda de braço. “São meus amigos até hoje”, diz ele, ainda a rir. O apelido ficou, e o católico praticante Andrea Ruggeri se tornou Andrea Djàvlon.

Radicado no Brasil desde 1990, quando se mudou para cá com todas as economias e elas foram confiscadas pelo governo do presidente Fernando Collor de Mello, Andrea nunca mais parou de arranjar brigas. A diferença é que agora usa a escrita, e não o punho.

Na entrevista, concedida a um integrante do movimento Docentes pela Liberdade (DPL), Djàvlon descreve sua trajetória e apresenta seu ponto de vista a respeito da pandemia de Covid-19.

Como o senhor veio parar no Brasil?

Nasci há 59 anos, na região da Emilia-Romagna, perto de onde morreram Anita Garibaldi e Ayrton Senna. Minha mãe brincava: “Deixaram brasileiros mortos aqui e levaram meu filho!”. Vivi boa parte da minha adolescência na Sicília. Meu pai era militar, marechal, e eu servi o exército e fui para a guerra, no Líbano. Depois que escrevi um livro sobre a intervenção italiana no país, a esquerda começou a me perseguir e eu fui para os Estados Unidos. Lá conheci um empresário brasileiro, que me convidou a visitar o Brasil. Visitei, depois voltei para a Itália. Mas reencontrei na Itália uma mulher que havia conhecido no Rio de Janeiro, e então me mudei para o Brasil.

 Quando se instalou no país?

Cheguei em 1990. Trouxe comigo todo o dinheiro que eu tinha, porque havia uma aplicação muito boa no Brasil, o ‘over’. Coloquei todo o meu dinheiro na aplicação, e um tal de Collor de Melo levou todo o meu dinheiro. Aí eu fiquei aqui, não tinha muita alternativa. Ou voltava com uma mão na frente e outra atrás ou tentava recuperar o meu dinheiro. Comecei a trabalhar primeiro gerenciando escolas de origem italiana, e também fazendo jornalismo, que era um hobby e acabou se tornando uma profissão. Mas sempre viajei muito, cobri em Nova York os atentados de 11 de setembro. Decidi trabalhar em lugares onde o risco vinha dos adversários, e não dos amigos.

Como foi seu primeiro contato com o Presidente Jair Bolsonaro?

Depois do atentado contra o então candidato Bolsonaro, tive um encontro casual com ele nos corredores do hospital Albert Einstein. Percebi que o Presidente Bolsonaro é uma pessoa especial, verdadeira, então decidi escrever artigos sobre ele, tentar explicar suas propostas. As pessoas me diziam que ele era uma pessoa rude, grossa, difícil de lidar. Não é verdade. Descobri que ele é uma pessoa natural, até fácil de lidar. O importante é ser verdadeiro. Eu sempre fui acostumado com pessoas verdadeiras, meus tios eram lavradores, passavam o dia no campo, chegavam em casa com os calos nas mãos e só diziam a pura verdade. De forma rude, mas eram verdadeiros, gente de verdade.

O contato continuou depois?

Cobri a posse do Presidente, estive na posse de quase todos os ministros, comecei um trabalho de apoiá-lo e estreitar as relações com a Itália. Organizamos a Associação Ítalo-Brasileira Ordem e Progresso, que trabalha com macro projetos de alta cúpula. Agora, com o Covid, estamos trazendo as soluções médicas que a Itália conseguiu encontrar, estamos trazendo acordos internacionais, problemas de dívidas de governos um com o outro, projetos de repovoamento da Itália, de formação universitária de brasileiros na Itália e vice-versa, turismo.

O senhor envia reportagens para a Itália?

Sim, envio para a Itália notícias do Brasil, notícias que ninguém mais envia. O que os veículos italianos recebem são falsidades, besteiras, vindas principalmente da imprensa televisiva brasileira. Eu estou tentando mostrar a realidade do Brasil, nada mais. Eu não faço política com o jornalismo. Faço o contraditório. Mas aqui no Brasil, para fazer o contraditório, já precisaria de mil jornalistas. A grande mídia é alinhada com uma posição única. E eu sou uma pessoa que, quando escreve, é duro na escrita, não deixo o braço torcer.

Qual sua análise sobre a origem da pandemia?

A pandemia, para mim, é uma coisa criada na China. Em todos os países aconteceu a mesma coisa: entra algum infectado, já se começa a falar sobre números de infectados, de mortos, como se fosse uma coisa grave. Quando ninguém fala quantas pessoas morrem de gripe no Brasil. Problemas de respiração em idosos são comuns. Começou a entrar esse medo, o corredor de aplausos quando alguém sara do Covid, como se estivesse saindo de uma doença imensamente grave, o que não é verdade. O Covid é um vírus muito inferior a doenças como malária, enfarto, câncer, aids.

Como avalia a postura da Organização Mundial da Saúde (OMS) neste episódio?

A OMS não serve para nada. O Covid veio da China e a recomendação era ficar fechado em casa e, apenas em casos mais graves, ser entubado, sem dar a chance de cura para milhares de pessoas. E o aconselhamento da OMS era não fazer autópsia, porque poderia infectar mais. Muitas pessoas morreram, de outras doenças, porque estavam fechadas em casa, sem procurar assistência médica. E, proibindo a autópsia, os médicos italianos não sabiam o que estavam enfrentando. Não sabendo, precisavam usar as informações que recebiam da OMS, que usava os dados de Wuhan, na China. Ou seja, as informações chegaram da Itália de forma errada, enquanto que, nos lugares onde não havia incineradores, como a cidade de Bergamo, as filas de mortos se formaram. Por isso, enquanto os protocolos errados da China e da OMS eram praticados, demorou para as curas serem testadas, demorou para os médicos italianos descobrirem a cura da hidroxicloroquina, a cura do plasma sanguíneo. E agora a doença na Itália está controlada. Sabemos agora que a cura existe, todo mundo pode ficar curado. Não precisamos ficar trancados em casa esperando a vacina.

Como enxerga a situação geopolítica mundial depois da crise?

O risco de uma guerra é grande, porque a China agora não vai ter a facilitação dos Estados Unidos da compra de grão, de trigo. Três países dominam o abastecimento do trigo mundial: Estados Unidos, Brasil e Rússia. Se Estados Unidos e Rússia rompem com a China, o front está no Brasil. As pessoas não entendem que o Brasil não é um país de Terceiro Mundo. Não, é um país importantíssimo, é o produtor de um quinto da alimentação mundial. A batalha está sendo travada no Brasil. Aqui, os chineses já dominaram alguns estados, vários governadores são controlados por empresas que estão totalmente coligados com a China, transformaram seus estados em embaixadas da China no Brasil. O ataque ao governo central é maciço e vem dessas duas frentes, a frente globalista em geral e a frente da China.

Quais estados?

Em São Paulo, que é o estado que tem mais ligações com a China, as manifestações da Antifa e dos blackblocks são tratadas como se fossem democráticas, enquanto que as manifestações de famílias vestindo verde e amarelo são apresentadas como se fossem manifestações fascistas contra a ordem pública.

Como funcionam os grupos ‘blackblocks’ que atuam no Brasil?

Nós na Itália somos especialistas sobre isso, porque há muitos anos eles fazem manifestações para destruir qualquer coisa que o governo crie. Tudo o que a Itália queria construir, indústrias, rodovias, era alvo dessas manifestações violentas. Normalmente os membros são vestidos de preto, com faixas, máscaras, capacetes. São muito agressivos, violentos. Em São Paulo, sabe-se que existe a influência de pessoas infiltradas, que vieram de outros países. São pequenos grupos, com propósitos antidemocráticos. Eles querem ser chamados de antifascistas, mas são exatamente o contrário.

 

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