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Documentos no Brasil provam que Huawei violou sanções internacionais impostas ao Irã

Thaís Garcia

Publicado

em

Imagem: © REUTERS

O processo criminal do governo dos Estados Unidos contra a diretora financeira da gigante de telecomunicações Huawei, Meng Wanzhou, por alegações de contornar as leis americanas de fornecimento de equipamentos de informática ao Irã está prestes a tomar um novo rumo, depois que uma investigação da Reuters revelou na quarta-feira (16) que ela não era a única do alto escalão executivo da Huawei envolvida na gestão de uma empresa subsidiária que está no centro das acusações.

A investigação revela que a Huawei reteve o controle de uma empresa subsidiária, a Skycom Tech Co. Ltd, que forneceu equipamentos ao Irã e foi utilizada como fachada para as operações criminosas entre 2007 e 2014. O caso foi exposto depois que os EUA descobriram uma operações de lavagem de dinheiro, que usou o sistema bancário americano, com destino ao Irã.

No caso americano contra Meng – que além de diretora financeira também é filha de Ren Zhengfei, o fundador da Huawei – os promotores a nomearam como a única executiva da Huawei que estava no controle da Skycom. A investigação da Reuters acrescenta mais detalhes ao argumento dos promotores, pois revela que ela não foi a única autoridade de alto escalão da empresa chinesa envolvida em todo o caso. A investigação também revela que além de ter uma presença no Irã, a Skycom também tinha uma presença no Brasil e que, além de Meng, outros dois executivos de alto nível da Huawei também controlavam uma afiliada da Huawei, a Hua Ying Management Co Ltd; uma empresa com sede em Hong Kong e proprietária da Skycom. Os registros corporativos protocolados no estado de São Paulo e também obtidos em Hong Kong mostram que a Huawei e a Skycom estavam intimamente ligadas.

Os dois executivos – Ken Hu e Guo Ping – são listados como diretores da Hua Ying, informa a Reuters. Registros de São Paulo também revelam que a Skycom era uma das duas afiliadas da Huawei que possuíam a Huawei Brasil e que a empresa ganhou a propriedade do braço brasileiro da empresa de tecnologia sem fazer nenhum pagamento por si mesma e por meio de uma transferência de ações feita por dois acionistas da Huawei Brasil em 2002 – ambas também afiliadas da Huawei.

Guo Ping e Ken Hu estão listados como Vice-Presidentes e Presidentes Rotativos da Huawei no site da empresa.

A maior revelação da reportagem da Reuters é que a Huawei continuou a controlar a Skycom mesmo depois de vender sua participação na empresa para a Canicula Holdings Ltd., sediada em Maurício, país insular do oceano Índico, a cerca de 2 mil km da costa sudeste do continente africano. Isso reforça o argumento do Ministério Público americano, que também afirma que a Huawei continuou seu controle sobre a Skykom, com os promotores também alegando que a Huawei havia de fato emprestado fundos a holding Canicula para comprar a Skycom.

A Skycom foi vendida para a holding em 2007, e a Reuters revela que, no ano seguinte, Meng autorizou a nomeação de um executivo para representar a Skycom e a Huawei Tech Investment Co. Ltd. (empresas acionistas da Huawei Brasil) na diretoria da empresa de São Paulo. A reportagem prossegue revelando que até 2012, quando a Skycom encerrou sua participação na Huawei Brasil, os representantes da empresa eram pessoas físicas que também representavam os interesses da Huawei. A participação da Skycom na Huawei Brasil foi encerrada em 2012, quando esta transferiu suas ações para uma afiliada da Huawei com sede na Holanda, a Huawei Technologies (Netherlands) BV, segundo os arquivos de São Paulo.

O processo contra Meng nos Estados Unidos tornou-se uma questão diplomática espinhosa que atraiu ampla atenção global por violar sanções internacionais impostas pelos EUA, União Europeia e ONU.

A Huawei e Meng negaram as acusações e alegaram que não informaram erroneamente o banco britânico HSBC sobre as transações da Huawei com o Irã. Essas transações, que envolvem o fluxo de fundos para o Irã, são ilegais de acordo com a lei dos EUA e as sanções internacionais impostas ao país islâmico.

A Huawei recusou o pedido da Reuters para comentar a investigação da agência de notícias.

Cristã e Correspondente Internacional na Europa.

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