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“Coronavírus é um soldado a serviço de Alá”, segundo o Estado Islâmico

Não apenas seus inimigos são os mais atingidos, mas o caos atual é uma excelente oportunidade para o Estado Islâmico se reagrupar

Thaís Garcia

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Alguns jihadistas do Estado Islâmico veem o coronavírus chinês como “um presente de Alá”. Para eles, não apenas seus inimigos são os mais atingidos, mas o caos atual é uma excelente oportunidade para o Estado Islâmico se reagrupar.

Balagh, uma revista mensal distribuída em Idlib por extremistas simpatizantes à Al Qaeda, o autor chama o coronavírus chinês de “um dos soldados de Alá”. O autor menciona que é a “vingança de Alá” aos olhos dos jihadistas em Idlib, na Síria.

Os jihadistas em Idlib não são os únicos que se sentem assim. Segundo o MEMRI, um instituto de pesquisa que analisa a mídia em língua árabe em busca de declarações notáveis, muitos jihadistas vibram com a disseminação do coronavírus. Steven Stalinsky, diretor do MEMRI, recentemente citou uma lista completa de exemplos no The Wall Street Journal.

O Hamas, por exemplo, a organização terrorista que controla a Faixa de Gaza em Israel, vê a chegada do coronavírus chinês como “uma intervenção de Alá”. A razão para isso é clara: “sociedades ocidentais e abertas, como os EUA, mas também Israel foram até agora mais atingidas do que a hermeticamente fechada Faixa de Gaza”.

Para os jihadistas, é igualmente lógico que o Irã xiita seja atingido com força. Alguns extremistas sunitas acreditam que, com o surto no Irã, “Alá está punindo os muçulmanos iranianos por sua ‘cegueira’ e ‘politeísmo’”.

Os muçulmanos xiitas também acreditam que “o vírus chinês enviado por Alá está do lado deles”. Já em janeiro, um clérigo muçulmano sírio, Abdul Razzag al-Mahdi, disse que os muçulmanos deveriam “rezar pelo vírus para eliminar o maior número possível de inimigos chineses de Alá, como punição por sua repressão contra a minoria muçulmana uigur na China”.

Um comandante xiita na Síria acredita que “o Irã poderia usar pacientes infectados como arma biológica, vivos ou mortos. Caso os pacientes estejam vivos, eles devem ser persuadidos pelo governo iraniano a se sacrificar como mártires”.

Reagrupamento

Esse tipo de retórica sob um ângulo islâmico tentar interpretar o coronavírus chinês está ligada a uma ação. No deserto entre a Síria e o Iraque, os combatentes do Estado Islâmico (EI) estão se aproveitando do caos para um novo levante.

Na semana passada, um relatório do Instituto para o Estudo da Guerra ( Institute for the Study of War) relatou um ataque de militantes do EI contra forças pró-governo na Síria. Isso aconteceu em 9 de abril, perto da fronteira com o Iraque, não muito longe de Abu Kamal, onde o EI foi oficialmente derrotado no ano passado. O ataque foi repelido com a ajuda do apoio aéreo russo. Dois dias antes, em 7 de abril, o EI assumiu a responsabilidade pelo assassinato de um político do partido sírio Baath em Daraa, no extremo sul.

E assim, uma ameaça real parece ressurgir nas fronteiras da Síria. Embora seja perfeitamente compreensível que muita energia seja direcionada ao combater do coronavírus chinês no momento, a Síria não pode permitir que esses “soldados de Alá” passem pelas fronteiras.

 

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