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COLUNA | De que a vida a dois precisa?

Antonio Nunes Barbosa Filho

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Segundo a minha esposa, eu sou bastante rodado. E isso não significa dizer que sou velho, usado ou muito menos gasto, depreciado, passado de mão em mão. Em verdade, significa apenas que já viajei muito por este imenso país, em todas as direções e que, por hábito de escritor, costumo observar as pessoas e captar algumas de suas características para as estórias que escrevo. De tanto observar, desenvolvi certa capacidade de interpretar os indivíduos e antecipar-lhes o comportamento a ponto de surpreender até mesmo aquela que é a companheira de vida, mãe de minhas filhas e com quem convivo maritalmente há mais de década, com a boa expectativa de ficarmos velhinhos, lado a lado, sempre caminhando de mãos dadas, como faziam os meus pais e avôs.

Nessas muitas andanças, conheci muita gente, identifiquei qualidades, algumas boas, outras nem tanto, até que decidi que, mesmo em nossas diferenças, aquela seria uma boa mãe para os filhos que eu gostaria de ter. E assim foi feito!

No momento em que decidimos pela união de nossas vidas, disse-lhe três coisas das quais a vida a dois precisa. Pelo menos no que acredito em meu modesto entender do que vem ser a vida.

A primeira vem ser a boa vontade para com o outro, incondicionalmente. Ora, se quando solteiros enfrentávamos as situações mais esdrúxulas pelos amigos, pelos irmãos, por que não por aquele(a) com quem dormimos e acordamos, no mesmo leito, todos os dias?

O segundo ponto vem a ser a sinceridade, também incondicional. Quero, quero! Não quero, não quero! Gostei, não gostei! Está bom, não está. A pior resposta é o “não sei”… o “talvez”… O outro, a outra, precisa ter confiança em sua posição, segurança para a decisão, quando necessitar de apoio. Precisa de sua verdade. Se esta faltar, a qualquer pretexto, saiba que o seu relacionamento está a um passo de não resistir. O mentir – mesmo que seja apenas a omissão da verdade, como tentam se auto-iludir os mais escorregadios – destrói a confiança e, sem esta, o projeto comum não encontra sustento, alicerce. Esteja certo disto!

O terceiro e último aspecto a respeito do qual falei para a então futura esposa foi a dedicação. Ao entrarmos na vida de outrem, que seja para fazer a vida dele(a) melhor do que antes, não apenas para fazer a sua, a minha vida melhor. E se ela, hoje esposa, tivesse a mínima dúvida em relação a um destes valores para o matrimônio, por certo eu não estaria aqui contando esta minha história.

Cabe, também, falar de um quarto e complementar aspecto que entendo necessário para toda relação humana, seja familiar, no trabalho ou apenas quando do convívio por amizade: a reciprocidade. A vida, sobretudo de casados, é um dar e receber, na mesma proporção, ainda que em distintos momentos dessa vida a dois. Se nisto não fores correspondido, não adianta insistires. Ao que tudo indica os três alicerces dos quais anteriormente falamos não estão consolidados nesta tua relação.

A vida a dois é uma escolha permanente pelo outro e disso deveremos estar conscientes. É esquecer, construindo certezas mediante incertezas, das outras 99 possibilidades de escolha. Assim deve ser, posto que esta seja a razão principal de escolher.

Durante o processo de seleção, porém, atente continuamente para o que diz o ditado: Olhe bem, observe bem os pequenos gestos, pois é nestes que se encontra ou se esconde a essência de cada ser, principalmente nestes.

A cada um de vocês, caríssimos leitores, paz e bem!

Espero, sinceramente, que estas palavras, em sua simplicidade, possam ser de alguma utilidade em seu viver.

Engenheiro por formação, professor universitário por vocação e escritor por paixão, Nunes é autor de livros técnicos e infantis. Premiado como contista pela Academia Pernambucana de Letras.

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