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China construiu laboratório para estudar SARS e Ebola perto do epicentro do surto do vírus corona. EUA alertaram em 2017 que o vírus poderia “escapar”

Thaís Garcia

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A China construiu um laboratório em Wuhan para estudar alguns dos vírus mais perigosos do mundo, o SARS e o Ebola – e especialistas em biossegurança dos EUA alertaram em 2017 que o vírus poderia “escapar” da instalação que se tornou essencial no combate ao surto.

O laboratório foi construído em Wuhan, a cidade no centro do surto do vírus corona, que até agora já infectou mais de 14.682 pessoas* e matou 305*, segundo a Comissão Nacional de Saúde da China.

Acredita-se que um mercado de peixe em Wuhan seja o local onde o vírus mortal se espalhou. Ele fica a cerca de 32 quilômetros do Laboratório Nacional de Biossegurança de Wuhan, que abrigava patógenos perigosos, incluindo SARS e Ebola.

Mercado de peixe em Wuhan, a cerca de 32 quilômetros do Laboratório Nacional de Biossegurança.

Em 2017, quando a inauguração do laboratório se aproximava, cientistas americanos publicaram na revista Nature suas preocupações de que esses vírus assassinos pudesse “escapar” e infectar pessoas. Tim Trevan, consultor de biossegurança de Maryland, nos EUA, disse que temia que a cultura da China pudesse tornar o instituto inseguro, porque uma “estrutura em que todos se sentissem à vontade para falar e que tivesse uma abertura de informações seria importante”.

O vírus da SARS – que entre 2002 e 2004 infectou 8.098 pessoas e matou 774 – havia ‘escapado’ várias vezes de um laboratório em Pequim, antes da abertura do laboratório de Wuhan, segundo o artigo da Nature. A China instalou o primeiro dos 5 a 7 biolaboratórios planejados e projetados para a máxima segurança em Wuhan em 2017, com o objetivo de estudar os patógenos de maior risco, como o SARS.

O laboratório, instalado no Instituto de Virologia Wuhan, foi construído em 2015 e ficou pronto em 2017. Ele foi o primeiro laboratório do país projetado para atender aos padrões de biossegurança nível 4 (BSL-4) – o mais alto nível de risco biológico, o que significa que seria qualificado para lidar com os patógenos mais perigosos. Os laboratórios da BSL-4 devem ser equipados com roupas de proteção especiais ou espaços especiais de trabalho em gabinetes, nos quais são confinados vírus e bactérias que podem ser transmitidos pelo ar para caixas seladas que os cientistas alcançam usando luvas de alta qualidade. Existem cerca de 54 laboratórios BSL-4 em todo o mundo. O primeiro da China, em Wuhan, recebeu credenciamento federal em janeiro de 2017.

Apesar dos primeiros temores sobre a contaminação em massa, especialistas chineses disseram que “atualmente não há suspeitas de que a instalação tenha algo a ver com o atual surto”, detectado pela primeira vez na China em dezembro do ano passado.

O microbiologista da Universidade Rutgers, Richard Ebright – e também responsável pelo sequenciamento de genoma crucial que permite aos médicos diagnosticar o vírus – disse ao Daily Mail que “não há motivos para suspeitar de que o laboratório esteja conectado ao vírus corona em Wuhan”.

De acordo com Guizhen Wu, da revista Biosafety and Health, o laboratório de Wuhan estava operacional ‘para experimentos globais em patógenos BSL-4’ desde janeiro de 2018.

“Após um incidente de vazamento de laboratório da SARS em 2004, o Ministério da Saúde da China iniciou a construção de laboratórios de preservação de patógenos de alto nível, como SARS, vírus corona e vírus de gripe pandêmica”, disse Guizhen Wu.

Vacinas e tratamentos

Os cientistas americanos que alertaram dos riscos em 2017 disseram à Revista Nature que o trabalho realizado em Wuhan era importante para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos.

Isso incluiu a realização de testes em animais, incluindo macacos, já que os regulamentos para pesquisas com animais são muito mais flexíveis na China do que nos países ocidentais. O mais recente surto do vírus corona, que atualmente os cientistas acreditam ter sofrido mutação para infectar pessoas por meio de contato animal-humano, agora se espalhou para outros 10 países e 9 cidades com uma população combinada de 32 milhões de pessoas presas, estão incapazes de escapar do vírus mortal.

No Reino Unido, mais de uma dúzia de pessoas foram testadas para o vírus corona, com 5 negativos confirmados e 9 ainda aguardando resultados. Existe apenas 1 laboratório para testes do vírus corona na Grã-Bretanha, operado pela Public Health England (PHE). Todos os casos que estão sendo investigados foram sinalizados pelas diretrizes de infecção porque eram pessoas que haviam viajado para Wuhan nos últimos 14 dias e estavam mostrando sinais de sintomas respiratórios.

O cientista em saúde pública e Epidemiologista da Universidade de Harvard, Dr. Eric Feigl-Ding,  se mostrou preocupado em alertou a comunidade internacional através do Twitter.

“O novo vírus coronas é um 3,8!!! Quão ruim é esse valor R0 reprodutivo? É um nível pandêmico termonuclear ruim – nunca vi um coeficiente de viralidade real fora do Twitter em toda a minha carreira. Não estou exagerando”, escreveu Feigl-Ding.

Mais tarde,  Feigl-Ding atualizou sua informação dizendo que a transmissão do vírus corona foi estimada em 2,6 por outro grupo de pesquisa (abaixo dos 3,8 dos relatórios iniciais).

“Mas 2,6 ainda é extremamente ruim – cada pessoa infectada infectará 2,6 outras. Até os autores admitem que a contenção do surto de Corona será muito difícil”, escreveu o epidemiologista.

Medidas de controle

Feigl-Ding desenrolou uma thread no Twitter explicando sua preocupação e instruindo que serão necessárias medidas de controle mais drásticas.

“Isso implica que as medidas de controle precisam bloquear bem mais de 60% da transmissão para serem eficazes no controle do surto. Se a transmissão continua na mesma taxa atualmente, dependerá da eficácia das atuais medidas de controle implementadas na China.”

“Na ausência de medicamentos antivirais ou vacinas, o controle depende da pronta detecção e isolamento de casos sintomáticos. Atualmente, não está claro se esse surto pode ser contido na China”.

“Até o autor do novo relatório de 2,6 [Neil Ferguson] admite que precisamos nos planejar para a mudança de que “CONTER ESSA EPIDEMIA NÃO SEJA POSSÍVEL”. Portanto, não estou de maneira única preocupado – o problema de saúde pública é muito real!”

“O autor do 2,6 concorda que [o vírus] é super perigoso e pode infectar sem sintomas: ‘Uma epidemia com um R0 de 2,5 ainda pode infectar entre 60% e 90% da população, dependendo dos padrões de contato. Nem todos são sintomáticos’”.

“Há quanto tempo o vírus corona surgiu e começou a se espalhar? ‘O vírus Adão (ou Eva), do qual todos os outros descendem, apareceu pela primeira vez antes de 30 de outubro de 2019 e até 29 de novembro.’ Basicamente, de 1,5 a 2,5 meses de proliferação não confinada”.

Rastreamento mundial do Vírus

Pesquisadores da Universidade de Saúde Pública Johns Hopkins, em Baltimore, nos EUA, criaram um mapa, que é constantemente atualizado, para o rastreamento do vírus corona.

Segundo o mapa, os casos confirmados* por país:
14.451 China Continental
20 Japão
19 Tailândia
18 Singapura
15 Coréia do Sul
14 Hong Kong
12 Austrália
10 Taiwan
8 Alemanha
8 Macau
8 EUA
8 Malásia
6 França
6 Vietnã
5 Emirados Árabes Unidos
4 Canadá
2 Itália
2 Rússia
2 Filipinas (1 morte: a primeira fora da China)
2 Índia
2 Reino Unido
1 Nepal
1 Camboja
1 Espanha
1 Finlândia
1 Suécia
1 Sri Lanka

Abaixo o link do mapa atualizado:

https://t.co/jel2KhkW8i?amp=1

*Os dados estão sendo atualizados diariamente.

 

 

Cristã e Correspondente Internacional na Europa.