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Por que acompanhar o ensino remoto dos filhos

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Imagem: Reprodução

Por Prof. Nilton Gomes Pereira Neto. Licenciando em Física, Coordenador Regional em Minas Gerais da Associação Docentes Pela Liberdade (DPL) e fundador do Kids Ad Astra, um projeto para o ensino de Astronomia e observações astronômicas para crianças da rede pública e projetos sociais em Sabará-MG.

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa

Ética:

Substantivo feminino

  1. Parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo esp. a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social.
  2. Conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.

No meu entendimento, a ética no ensino seria a de transmitir o conhecimento de forma séria, verdadeira, sem distorções e, principalmente, sem que o professor influencie a opinião dos alunos usando a sua própria, seja ela política, religiosa ou sexual.

Mas infelizmente não é o que tenho percebido, ao contrário, através das “aulas” no regime remoto, eu como pai, venho sofrendo o “desprazer” de acompanhar o conteúdo real daquilo que estão “ensinando” para minhas filhas de 9 e 12 anos, alunas da rede pública municipal e estadual, respectivamente, no município de Sabará, estado de Minas Gerais.

Digo desprazer, ironicamente, pois, ao contrário, deveria ser uma experiência prazerosa para um pai, que também é Professor de Física, ter o privilégio de saber que seu filho está sendo ensinado com ética, material adequado e sem imposição ou indução de opiniões pessoais, usando de distorções para levar a uma única conclusão.

No sábado, 17/10/2020, minha filha de 12 anos, aluna do 7º ano do fundamental, imprimiu um material de Geografia, anexado abaixo, em que, a meu ver, os desenvolvedores do conteúdo manipulam de forma inescrupulosa e irresponsável a formação de opinião dos alunos, induzindo-os a criminalizarem o capitalismo, o liberalismo econômico e o conservadorismo; indiretamente, induzindo a opiniões “sócio-comunistas”, usando de ferramentas como “vitimar” o meio ambiente e “vilanizarem” a industrialização e o capitalismo. Veja o texto:

Ao assistir ao vídeo indicado no item “SAIBA MAIS”, a indignação aumenta. Pois, “demonizam” o ser humano, sem ao menos mostrarem como a conscientização das práticas industriais e da sustentabilidade vem aumentando nas últimas décadas; sendo que muitas das práticas mostradas nos vídeos, como a caça e uso de peles como vestimentas, são pré-históricas e apenas utilizadas por comunidades indígenas em áreas remotas do nosso país e do planeta.

Quando pensamos que o “circo de horrores” terminará, vem o “tiro de misericórdia”, com os questionamentos totalmente guiados e influenciando os alunos a responderem o que querem ouvir:

No primeiro “questionamento”, já induzem ao ódio à industrialização, ligando-a ao desmatamento e degradação ambiental. Em seguida, no segundo “questionamento”, ironizam o comércio e o consumo, utilizando dos shoppings como exemplo de “templo de consumo”.

O Brasil é um dos países com as mais rígidas leis ambientais do mundo. Na verdade, a fiscalização precisa melhorar, mas o Brasil subiu de 69º, em 2018, para 55º, em julho de 2020; sendo que alguns dados referentes a 2020 ainda não foram incluídos, podendo ainda melhorar no ranking. [1]

Quanto ao comércio, seria até desnecessário mencionar, mas mais da metade do PIB nacional é gerado pela comercialização e prestação de serviços, que juntos são responsáveis por 75% da geração de empregos no país.[2]

O terceiro “questionamento”, nos itens a, b e c, prefiro nem dizer o que estou pensando (gargalhadas), pois não passa de um exagero descomunal. Embora o índice nacional não ultrapasse 5% de reciclagem, não vemos lixo acumulado por todos os cantos. E mesmo que o país esteja perdendo quase que 14 bilhões com a não-reciclagem, muito desta culpa dá-se aos governos anteriores à 2018, que não investiram em saneamento básico. Além do fornecimento de água potável e tratamento de esgoto, também contempla infraestrutura de transporte, acondicionamento e descarte de detritos, que só foi aprovado em 2020 com o Marco de Saneamento do atual governo.[3]

Continuando a tortura, na próxima página de “exercícios” vem mais “pauladas”:

No quarto “questionamento”, usar o papel como exemplo de desmatamento é uma informação totalmente falsa e até motivo de processo por parte da indústria de celulose no Brasil contra essa WWF, a mesma com “voluntários” investigados por supostos incêndios criminosos na Amazônia em 2019, que pressupõe-se terem sidos efetuados com a intenção de promover comoção ambiental, através de suposta tentativa terrorista de desestabilização do atual governo em conjunto com outras ONGs.

Porque digo falsas:

1 – 100% da celulose, matéria-prima do papel e muitos outros produtos industrializados, no Brasil, é produzida a partir de madeira totalmente de Reflorestamento.

2 – Antes que digam que para produzir papel, são gastos 540 litros de água por quilo produzido, acrescento a informação que desses 540 litros, 97% são devolvidos à natureza totalmente tratados e isentos de impurezas do processo de produção. E em muitos casos, essa água é tratada e reutilizada novamente no processo, ou seja, todo o ciclo é totalmente sustentável, inclusive levando em conta que a eletricidade usada no processo é proveniente de uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, como citado acima.

E para fechar com chave de ouro, o quinto “questionamento” condena descaradamente o capitalismo/industrialização, deixando para o aluno apenas a opção de criticar a prática, para posteriormente, ser introduzido à utopia do socialismo/comunismo.

Sem a industrialização, a humanidade não teria avançado tecnologicamente o que avançou. Pois, grande parte do desenvolvimento e pesquisa é aplicado na indústria para facilitar a produção e diminuir o consumo de matéria prima, o que diretamente influi na preservação ambiental, diminuindo a extração de matéria prima e emissão de poluentes, além de diminuir os custos finais dos produtos que são vendidos no comércio, responsável pelos 75% de empregos no país.

A geladeira de sua casa, a televisão a que assiste, o celular que utiliza para se comunica, a casa em que você mora, todos são provenientes da industrialização e do comércio de bens e serviços. Logo, sem eles, não estaríamos ainda nas cavernas? Reflita bastante.

Deixo aqui, o alerta, para que os pais fiscalizem de perto o conteúdo que seus filhos estão recebendo de possíveis “pseudoeducadores” (leia-se doutrinadores). Acompanhem de perto, pois não será um tempo perdido. E caso tenham discordância da veracidade das narrativas impostas, sejam responsáveis e narrem a verdade aos seus filhos. Mostrem fontes seguras de informação, para que não sejam transformados em “idiotas úteis” subservientes a ideologias políticas ultrapassadas, comprovadamente ineficientes. Ideologias estas que poderão transformá-los em ferramentas para atos escusos de políticos desonestos, que visam apenas seu próprio enriquecimento ilícito e de seus pares a custo da liberdade e da pobreza dos cidadãos.

[1] fonte – https://grupoqualityambiental.com.br/2020/07/05/180-paises-no-ranking-da-sustentabilidade-e-o-brasil-na-lista/
[2] fonte – https://blog.mackenzie.br/atividades-economicas-movimentam-a-economia-do-brasil/
[3] fonte – https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2020/08/04/brasil-deixa-de-ganhar-r-14-bilhoes-com-reciclagem-de-lixo

[Em tempo: O artigo  faz parte de um esforço do movimento Docentes pela Liberdade (DPL) em trazer pensadores competentes e capazes de agregar análises relevantes para o cenário nacional. As opiniões expressas na entrevista não reproduzem, necessariamente, as posições do DPL ou Conexão Política.]

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