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ARTIGO | Parem as máquinas!

Antonio Nunes Barbosa Filho

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O surgimento e prolongamento da “pandemia” serviram para inúmeros propósitos. Dentre estes, para avaliarmos a nossa própria capacidade de julgamento do modo como nos colocamos diante da vida, de nossas obrigações e para com os demais, bem como sobre os rumos que toma a humanidade, não apenas em relação ao âmbito local ou nacional, pois o “problema” está posto em escala mundial.

Percebemos, nítida e inegavelmente, que várias dimensões do viver estão intrinsecamente relacionadas e, justamente por isso, não podem ser tomadas isoladamente, uma em detrimento das outras: saúde, educação, economia, justiça, estrutura social e comportamento individual e coletivo… Restou claro que adotar equivocada compreensão acerca da complexidade do viver neste sentido, resultou prejuízos não apenas à economia, mas a todas as engrenagens sociais.

Ainda me surpreende, diria até que me causa espanto, a incompreensão de muitos acerca da gravidade dos cenários em que estamos inseridos. De um lado, alguns se desesperam e preferem se esconder com medo de “adoecer” fisicamente por intermédio de possível contato com o vírus pandêmico e não conseguem enxergar que já estão extremamente enfermos: da alma, em profundidade, o que resulta do comportamento, em sentido amplo. De outro, alguns sorriem debochada e displicentemente como se o momento fosse pertinente a infinitas brincadeiras e que nada disso fosse possível lhes alcançar. Como diz um amigo: De uns tempos para cá, produziu-se em série bobos da corte!

Parece que se perdeu a capacidade de se posicionar com sobriedade diante da vida, de seus desafios e que viver passou a ser algo descompromissado, algo que “se der, deu”, “se não der, valeu”! Viver passou a ser uma grande aventura e não um grande projeto, para cujas realizações é preciso planejamento, com todo empenho, dedicação e perseverança. Contentar-se com migalhas, com a repartição do que estiver ao alcance imediato comunalmente ou do que vier a ser distribuído por ações governamentais, parece ser mais do que suficiente para muitos. A saudável ambição de ser capaz de oferecer autonomamente às futuras gerações mais do que recebemos de nossos antecessores vai perdendo espaço para uma série de expectativas de direitos e de pretensões de responsabilidades ou de culpas de terceiros para com alguns. E, para tanto, é preciso gerar riquezas, produzir, suar a camisa para ser merecedor, para que somente assim estas possam ser partilhadas. Não há outro caminho minimamente sustentável neste intuito.

Não faz muito tempo, algumas gerações acreditavam que “era preciso fazer acontecer”. O marasmo e o comodismo parecem ter triunfado na sociedade ocidental. Talvez resultado da própria opulência gerada em alguns países ou apenas no seio de algumas famílias ao longo do esforço de décadas por seus antepassados. Ensinamentos e valores que deram base à evolução da humanidade foram deixados de lado e o resultado está à disposição de todos, a olhos vistos, para quem puder enxergar: a humanidade está em plena involução, talvez rumando à autodestruição. Não há como negar. E a passos largos.

Então, parem! Parem as máquinas… Urge retomar os processos de forjar homens de fibra, com coragem para enfrentar a vida, seus desafios, com a capacidade de, se preciso for, dar a vida por sua família e por seu país, comprometidos com o bem comum. Parem, enquanto é tempo! O que se produziu no seio das sociedades ocidentais nos últimos anos mais se parece com hienas do que com seres humanos: são como animais covardes, traiçoeiros, que saem à caça somente em bandos, uma vez que são não mais do que meros comedores de carcaças.

Resta comprovado que não têm hombridade para compreender a força do ditado que exalta a dignidade do ser, de viverem como homens valorosos, o que desconhecem, posto que incapazes de admitir que “vale mais viver um único dia como leão, do que a vida inteira como hiena”.

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Engenheiro por formação, professor universitário por vocação e escritor por paixão, Nunes é autor de livros técnicos e infantis. Premiado como contista pela Academia Pernambucana de Letras.

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