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A velha prática do grupo terrorista Hezbollah de armazenar nitrato de amônio

Thaís Garcia

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Imagem: Reprodução

Sabe-se que não é bom armazenar “resíduos” químicos em um porto, principalmente sem cuidados. Há anos, já era de conhecimento da comunidade internacional e comprovado por fotos aéreas mostradas por alguns líderes europeus em reuniões da ONU, que o Líbano armazenava “lixo” químico perigoso no porto de Beirute. No entanto, as denúncias nunca foram levadas a sério. Sabe-se lá o motivo…

A grande explosão da última terça-feira (4) no porto de Beirute matou quase 200 pessoas, feriu milhares e deixou quase um terço de milhão de desabrigados.

Embora uma investigação completa sobre o ocorrido esteja em andamento, relatórios iniciais do Líbano indicam que a explosão foi aparentemente desencadeada por um incêndio menor que atingiu um depósito e provocou a detonação de 2.750 toneladas de nitrato de amônio.

A velha prática do Hezbollah

A partir dessa explosão devastadora no porto de Beirute na semana passada, a velha prática do grupo terrorista Hezbollah de armazenar armas e munições em áreas civis e portos ficou clara.

Há tempos, o Hezbollah transformou parte do porto de Beirute em depósitos de produtos químicos usados ​​para fins “militares”, colocando deliberadamente em perigo as populações civis que vivem nas redondezas, como vimos tragicamente há poucos dias.

Em alerta, o ministro israelense da Defesa, Benny Gantz, disse ao Comitê de Relações Exteriores e Defesa do Knesset nesta semana: “Vimos o desastre que ocorreu no Líbano. Imagine se isso fosse multiplicado e ocorresse nos esconderijos de armas do Hezbollah, que estão em todas as cidades e vilas libanesas”.

O ministro israelense disse que a prática do Hezbollah de manter armas em locais civis representa um risco para os cidadãos libaneses e um desafio para as Forças de Defesa de Israel, que veem o grupo terrorista como seu principal inimigo militar na região.

“Embora Nasrallah seja nosso maior inimigo no norte, ele é o maior problema para o Líbano”, disse Gantz.

“No Líbano, em uma mesma casa, há um quarto de hóspedes e uma sala de mísseis. E quando esse míssil explode, o quarto de hóspedes não fica inteiro, e a sociedade civil libanesa acaba pagando caro. Como uma rede de segurança, estamos lutando contra inimigos que mantêm armas e operam em locais civis. Se não tivermos escolha a não ser lutar, isso terá consequências terríveis”, destacou o ministro.

Citando avaliações de especialistas, o Canal 13 israelense afirmou que o Hezbollah provavelmente pretendia usar o estoque de nitrato de amônio, que causou a grande explosão no porto de Beirute na terça-feira, contra Israel em uma “Terceira Guerra do Líbano”.

A avaliação da emissora foi ao ar depois que o líder do Hezbollah, o terrorista Hassan Nasrallah, fez um discurso negando “categoricamente” que sua organização terrorista tivesse armazenado quaisquer armas ou explosivos no porto de Beirute.

Eu gostaria de excluir absoluta e categoricamente qualquer responsabilidade nossa (na explosão) no porto. Não estocamos armas, mísseis, bombas ou rifles, ou mesmo uma bala ou nitrato de amônio”, disse Nasrallah.

Israel não acusou formalmente o Hezbollah de ter estocado o material que causou a explosão no porto de Beirute.

Nitrato de amônio

O nitrato de amônio é usado na fabricação de explosivos e também na fabricação de fertilizantes. O produto foi responsável por grandes acidentes industriais no passado e também o que causou a explosão que destruiu um prédio federal em Oklahoma City, em 1995.

“Big business”

Mas quem pensa que o Hezbollah é apenas um grupo terrorista libanês está enganado! Hezbollah é “big business” (um grande negócio), e com filiais (“células”) em todo o mundo. Segundo o serviço de inteligência israelense, mais de 65% do comércio de drogas no mundo é controlado pelo Hezbollah. Anos atrás, soldados israelenses, no norte do Líbano, descobriram campos intermináveis ​​de flores de papoula e outros campos intermináveis ​​de maconha perto de Amiq.

Sabendo que seu apoio depende dos jovens árabes, muitas vezes analfabetos, eles garantem que o barulho anti-Israel seja maior do que seu verdadeiro negócio, investindo parte dos lucros no bombardeio de Israel e assim, mantendo-os “ocupados”. Dessa forma, o grupo terrorista libanês trabalha há anos.

Muitos governos no mundo apertam suado a mão da liderança terrorista do Hezbollah, que, como em um filme, oferece duas opções: “cooperar ou morrer”. Nos últimos anos, foi dado um passo adiante. O Hezbollah precisava de espaço de armazenamento, peças de armas e produtos químicos da Europa. Foi então que, empresas europeias, de repente, foram compradas pelo Irã, e simplesmente passaram a produzir produtos para as armas do Hezbollah. Se algo semelhante ocorre em países latinos, seria “mera coincidência”, não seria? No mínimo, digno de uma investigação (#ficaadica).

Hezbollah na Europa

Israel vem alertando a Europa há anos sobre as compras massivas e o uso de nitrato de amônio pelo Hezbollah para seus projetos terroristas – com o apoio e controle do governo iraniano – no Líbano e em diversos lugares do mundo.

No ano passado, o Mossad avisou agências de inteligência europeias de que o Hezbollah estava armazenando, na Alemanha e no Reino Unido, nitrato de amônio para fabricar bombas e usá-las em atentados em Londres, Chipre e outros lugares.

O Canal 13 observou que “o material que explodiu no porto não é novo para Nasrallah [líder do Hezbollah] o Hezbollah”.

A emissora detalhou as conexões anteriores do Hezbollah com o nitrato de amônio, incluindo “incidentes” na Alemanha e no Reino Unido, ambos amplamente relatados na época, nos quais seus membros foram supostamente encontrados com quantidades substanciais do material.

Em 2015, o grupo terrorista libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, armazenou 3.000 toneladas de nitrato de amônio em um depósito em Londres, na Inglaterra. Após uma denúncia do Mossad, o serviço de segurança britânico MI5 e a Polícia Metropolitana de Londres encontraram o material perigoso em um galpão.

O Hezbollah armazenou o material explosivo como milhares de embalagens de gelo em quatro galpões no noroeste de Londres, de acordo com um relatório do The Telegraph no ano passado. A tática para enganar, armazenando o material como bolsas de gelo, também foi usada na Alemanha, relata o The Jerusalem Post.

Uma fonte citada no The Telegraph disse que “o nitrato de amônio seria usado para terrorismo bem organizado e poderia ter causado muitos danos”.

O MI5 prendeu um homem de 40 anos por planejamento de ataques terroristas, mas não encontrou evidências de que os terroristas estivessem planejando um ataque no Reino Unido.

Um governo estrangeiro informou ao MI5 sobre o estoque de explosivos. A emissora pública israelense KAN informou que o Mossad forneceu a informação à Inglaterra.

“O MI5 trabalhou de forma independente e próxima a parceiros internacionais para interromper a ameaça de intenções maliciosas do Irã e seus asseclas no Reino Unido”, disse uma fonte de inteligência ao The Telegraph.

Em 2019, a Inglaterra baniu o Hezbollah, tornando-o uma ofensa criminal, e quem apoiar ou se juntar ao grupo terrorista pode pegar uma pena de prisão de até 10 anos.

No mesmo ano, Chipre prendeu um membro do Hezbollah por 6 anos, condenado culpado de armazenar explosivos para atacar alvos judeus no exterior. Na época, 8,2 toneladas de nitrato de amônio foram encontradas pela polícia cipriota no porão de uma casa em Larnaca.

A Alemanha, também com a ajuda do Mossad, encontrou estoques explosivos do Hezbollah. A operação, que saqueou mesquitas por toda a Alemanha em abril deste ano e prendeu residentes associados ao Hezbollah, foi acompanhada pela proibição das atividades da organização terrorista no país.

Em Berlim, a polícia alemã encontrou centenas de quilos de nitrato de amônio em um galpão alugado por partidários do Hezbollah. Eles mantinham quantidade suficiente do material “para explodir uma cidade”.

“Isso é o que Nasrallah pretendia fazer na Europa”, disse Gantz ao Canal 13. “Em relação ao que foi armazenado no porto de Beirute, a avaliação é de que Nasrallah pretendia usá-lo na Terceira Guerra do Líbano”.

Israel lutou duas guerras com o Líbano, em 1982, e, após um ataque do Hezbollah na fronteira, em que soldados israelenses foram mortos e sequestrados, em 2006.

 Ameaças a Israel

Na semana passada, um grupo de parlamentares britânicos de todos espectros políticos expressou preocupação de que o Reino Unido não esteja aplicando efetivamente a proibição ao Hezbollah.

O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, no passado ameaçou destruir Israel causando uma explosão massiva no porto de Haifa usando tanques de amônia, que ele disse desencadearia uma “explosão nuclear”.

Em um vídeo, Nasrallah, ameaçou explodir os tanques de amônia na cidade portuária de Haifa, em Israel.

Assista ao vídeo (legendas em Inglês):

Além disso, o Hezbollah vem tentando colocar as mãos no nitrato de amônio através da Síria desde 2009, e tentou se infiltrar no Ministério da Agricultura do Líbano, de acordo com informações que vazaram.

Em 16 de fevereiro de 2016, Nasrallah também disse que amônia e 15.000 toneladas de gás estão armazenadas em Haifa, e que explosões podem causar a morte de dezenas de milhares de pessoas. “O especialista” acrescentou que isso é exatamente o mesmo que uma bomba atômica. Em outras palavras, o Líbano tem uma bomba atômica. Isso não é exagero. Nasrallah ri quando diz isso no vídeo, observando que o Hezbollah se absteve de atacar os tanques de amônia na guerra de 2006.

Nasrallah também disse a seus seguidores que o grupo terrorista pode disparar amônia com diferentes mísseis, com o mesmo impacto de uma arma nuclear. Ele disse que consultou especialistas e que 800.000 pessoas seriam afetadas e dezenas de milhares mortas.

Em fevereiro de 2017, ele fez outra palestra sobre a amônia armazenada em Haifa. Ele disse na TV Al-Mayadeen que “alguns dias atrás” os tanques de armazenamento de amônia tiveram que ser esvaziados. Ele afirmou que era porque “a resistência” havia falado dos tanques de armazenamento.

Uso como arma terrorista

As imagens dos discursos revelados após a explosão de nitrato de amônio, indevidamente armazenado por anos no porto de Beirute, sugerem que o Hezbollah estudaria o uso da amônia como acelerador que multiplicaria exponencialmente a potência de seus mísseis ou já usa. O nitrato de amônio é amplamente utilizado em fertilizantes, mas também em explosivos.

Muitos relatórios de inteligência mostram que o Hezbollah está bem ciente do uso do nitrato de amônio como um explosivo e que o grupo terrorista também pode querer usar o produto como uma arma terrorista.

Intervenção da comunidade internacional

Se a primeira explosão em Beirute em si não foi devido a uma ação deliberada, essa quantidade gigantesca de nitrato de amônio teria sido armazenada neste hangar por anos, porque o Hezbollah, como sempre, silenciou aqueles que questionaram e bloqueou qualquer tentativa possível de esvaziar este hangar e mover este produto altamente perigoso.

Se as advertências que chegaram aos ouvidos das autoridades competentes – hoje condenadas pelo povo – não foram seguidas, é apenas porque o Hezbollah detém as engrenagens-chave do Estado libanês, e bloqueia qualquer iniciativa que não sirva aos seus interesses e aos de seu soberano iraniano.

Portanto, a explosão que abalou a capital libanesa não é fruto apenas do cinismo criminoso do Hezbollah, que não hesita em tomar os civis libaneses como reféns. Mostra também a frouxidão e cumplicidade da comunidade internacional que se cala há anos, permitindo que uma organização terrorista islâmica desempenhe suas atividades livremente.

Alguns países estão lentamente começando a despertar quando descobrem as atividades terroristas do Hezbollah em seu próprio território. Em passos lentos caminham, mas talvez, tarde demais para as vidas ceifadas na recente explosão de Beirute.

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Cristã e Correspondente Internacional na Europa.

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