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Dieta vegana e vegetariana estão ligadas a maior risco de derrame cerebral

Thaís Garcia

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Dieta vegana e vegetariana estão ligadas a maior risco de derrame cerebral 19
Imagem: Getty Images

Pessoas que comem dietas vegana e vegetariana têm menor risco de doenças cardíacas e maior risco de derrame cerebral (AVC), sugere um estudo britânico importante. A pesquisa, publicada no British Medical Journal, analisou 48.000 pessoas por até 18 anos.

AVC
O acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como “derrame cerebral”, é a doença que mais mata no Brasil e a que mais causa incapacidade no mundo: cerca de 70% das pessoas que sofrem um derrame não retorna ao trabalho depois do acidente vascular cerebral e 50% ficam dependentes de outras pessoas no dia a dia.

O derrame, ou AVC (Acidente Vascular Cerebral), resulta da lesão das células cerebrais, que morrem ou deixam de funcionar normalmente, pela ausência de oxigénio e de nutrientes na sequência de um bloqueio do fluxo de sangue (AVC isquêmico) ou porque são inundadas pelo sangue a partir de uma artéria que se rompe (AVC hemorrágico).

Os fatores de risco do AVC são muito numerosos e, quanto maior for o seu número, maior o risco de ocorrência de um AVC. Alguns desses fatores não são controláveis, como a idade, o sexo (mais frequente nos homens) e a genética. Em relação à idade, é importante referir que cerca de 25% dos AVCs ocorrem em pessoas jovens.

Uma dieta não-balanceada, a diabetes, a hipertensão arterial, o colesterol, a obesidade, o sedentarismo, as arritmias, a displasia fibromuscular, o consumo de tabaco e de álcool também aumentam o risco de AVC.

Estudo
O estudo analisou os dados do EPIC-Oxford, um grande projeto de pesquisa de longo prazo que aborda dieta e saúde. Metade dos participantes, recrutados entre 1993 e 2001, eram comedores de carne, pouco mais de 16.000 vegetarianos ou veganos, com 7.500 que se descreviam como “comedores de peixe”.

Eles foram questionados sobre suas dietas, quando ingressaram no estudo e novamente em 2010. História médica, tabagismo e atividade física foram tarefas consideradas pelo estudo.

Os veganos e vegetarianos tiveram 10 casos a menos de doença cardíaca coronariana por 1.000 pessoas, em comparação com os que comem carne, mas três casos de derrame a mais.

No entanto, não é possível provar se o efeito se deve a sua dieta ou a algum outro aspecto de seu estilo de vida. Especialistas em dieta disseram que, qualquer que seja a escolha alimentar das pessoas, comer uma grande variedade de alimentos é melhor para a saúde.

No total da pesquisa, houve 2.820 casos de doença coronariana e 1.072 casos de derrame – incluindo 300 derrames hemorrágicos, que ocorrem quando um vaso sanguíneo enfraquecido explode e sangra no cérebro.

Verificou-se que os “comedores de peixe” tinham um risco 13% menor de doenças cardíacas do que os comedores de carne, enquanto os vegetarianos e veganos tinham um risco 22% menor.

No entanto, aqueles em dietas à base de vegetais tiveram um risco 20% maior de derrame. Os pesquisadores sugeriram que isso poderia estar relacionado a baixos níveis de vitamina B12, mas disseram que mais estudos são necessários para investigar a conexão.

Também é possível que a associação não tenha nada a ver com a dieta das pessoas e apenas reflita outras diferenças na vida das pessoas que não comem carne.

Dieta balanceada
De acordo com o Dr. Frankie Phillips, dietista da British Dietetic Association, “a mensagem, para todos, é que faz sentido ter uma dieta bem planejada e comer uma grande variedade de alimentos”, disse ele em uma entrevista à BBC.

Phillips acredita que um consumo excessivo de carne processada e vermelha, o que está associado a um risco aumentado de câncer de intestino, também não é saudável. E que um equilíbrio de alimentos é necessário, tanto de verduras, frutas e legumes, como de carnes e peixes.

Em uma boa dieta alimentar, principalmente para as crianças, deve-se incluir pelo menos cinco porções de frutas e legumes por dia. Além disso, que as refeições devem ser baseadas em alimentos ricos em amido de fibras mais altas, como batatas, pão, arroz ou macarrão e não deve ser esquecido das proteínas de carne magra, peixe, frutos do mar, leguminosas, tofu ou nozes sem sal. Incluir laticínios ou alternativas de laticínios também é necessário.

Os alimentos ricos em gordura, açúcar ou sal devem ter menos frequência e em pequenas quantidades.

Alerta
Dietistas britânicos alertam que as pessoas com dieta vegana e vegetariana também precisam tomar um cuidado especial para consumir bastante ou alguns nutrientes específicos.

Por exemplo, pessoas que comem carne, laticínios e peixes geralmente têm vitamina B12 suficiente, necessária para o sangue e o sistema nervoso saudáveis. No entanto, os veganos podem se tornar deficientes, embora a vitamina B12 também esteja presente em alimentos como cereais fortificados e extratos de levedura.

O ferro também é menos facilmente absorvido a partir de alimentos à base de plantas; portanto, aqueles que optam por não comer carne precisam garantir que incluem alimentos como pão e farinha integrais, frutas secas e leguminosas.

No mês passado, houve um pedido para que os veganos estivessem cientes da necessidade de garantir que estavam consumindo bastante ou outro nutriente, chamado colina, importante para a saúde do cérebro.

Ajuda profissional
Antes de começar uma dieta, deve-se procurar ajuda profissional. É essencial o acompanhamento com um nutricionista, e se possível com um endocrinologista, um cardiologista e um educador físico. Esses são especialistas que possui a sua função e responsabilidade e sabem o que realmente é aconselhado para cada um.

O nutricionista precisará ser consultado a cada 20 dias, para que o desenvolvimento da dieta possa ser acompanhado e assim, evitar riscos de saúde.

 

 

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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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