
A duas semanas do segundo turno, o PT enfrenta um racha sem precedentes, que teve início logo após o primeiro turno das eleições. O partido havia apostado em uma frente ampla de esquerda para consolidar sua posição no segundo turno e, assim, reverter a liderança de André Fernandes, do PL, que obteve 40% dos votos. Contudo, o sonho de união virou pesadelo, e o cenário desejado pelo PT não se concretizou.
Lideranças de esquerda cearense, que eram esperadas para apoiar Evandro Leitão e o presidente Lula, recusaram-se a se unir ao grupo. Para essas lideranças, essa união seria “a maior covardia contra o povo cearense”. Internamente, muitos criticam a hegemonia e o autoritarismo com que o PT tem agido, sem espaço para outros partidos ou adversários políticos.
José Sarto, atual prefeito de Fortaleza e derrotado no primeiro turno, foi um dos que externaram esse sentimento. Outro que engrossou o coro foi Roberto Cláudio, ex-prefeito da cidade por dois mandatos, que, embora tenha apoiado Sarto no primeiro turno, agora anunciou voto útil em André Fernandes. Outras figuras da esquerda, como Sarto, optam pela neutralidade, enquanto outras, como Roberto, aderem abertamente a André. Até o momento, nenhuma liderança expressiva da esquerda cearense decidiu caminhar com o lulopetismo.
A fragilidade da campanha de Evandro Leitão é evidente. O PT, vendo seu plano de coalizão desmoronar, chegou a procurar o capitão Wagner (União Brasil), mas ele também decidiu apoiar André. O senador Eduardo Girão (Novo), que também disputou o primeiro turno, foi o primeiro a declarar publicamente seu apoio ao candidato do PL.
Em meio a todo esse fogo cruzado, o PT encontra-se isolado em Fortaleza. Com André Fernandes ampliando sua vantagem nas pesquisas, como mostram os levantamentos Datafolha e Paraná Pesquisas, o partido corre contra o tempo. O Conexão Política apurou que o núcleo petista organiza reuniões neste fim de semana, em busca de estratégias que possam reverter a situação. Entretanto, o clima interno é de desânimo, e a possibilidade de reação parece cada vez mais distante.