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Prêmio Nobel de Medicina vai para a descoberta de como as células se adaptam à disponibilidade de oxigênio

Thaís Garcia

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Prêmio Nobel de Medicina vai para a descoberta de como as células se adaptam à disponibilidade de oxigênio 20
Imagem: Ilustração/Mattias Karlén

O Prêmio Nobel de Medicina de 2019 foi concedido em conjunto a William Kaelin, da Universidade de Harvard, Peter Ratcliffe, da Universidade de Oxford, e Gregg Semenza, da Universidade Johns Hopkins. Os três pesquisadores dos EUA e da Grã-Bretanha compartilharam o prêmio pela descoberta de como as células sentem e se adaptam à disponibilidade de oxigênio.

Prêmio Nobel de Medicina vai para a descoberta de como as células se adaptam à disponibilidade de oxigênio 21

Ratcliffe, Kaelin y Semenza. Foto: RTVE.es

Descobertas
Os três descobriram o interruptor molecular que controla como nossas células respondem a níveis variados de oxigênio nos arredores. Isso não apenas ajuda a explicar como o corpo responde às mudanças, mas também tem implicações no tratamento de uma variedade de distúrbios, desde anemia a ataques cardíacos e câncer.

As células precisam de oxigênio para sobreviver, mas não têm um suprimento constante – os níveis variam em diferentes altitudes, mas também durante o exercício. O suprimento de oxigênio também é interrompido quando o suprimento de sangue é cortado, em doenças como câncer e derrame.

Para entender como as células respondem a essas variações, Gregg Semenza estudou o gene da eritropoietina (EPO), um hormônio que produz mais glóbulos vermelhos quando os níveis de oxigênio estão baixos.

Semenza descobriu que o aumento na EPO era devido a uma região específica do gene. Ele identificou duas proteínas que controlam essencialmente como o gene funciona. Foi encontrado uma delas que responde aos níveis de oxigênio e que está presente quando os níveis estão baixos, mas desaparece quando há muito oxigênio por perto.

Ratcliffe e Kaelins identificaram outra proteína, chamada BVS, responsável por destruir essa proteína quando os níveis de oxigênio estão altos. Juntos, o trabalho dos três vencedores revela uma mudança molecular para responder aos níveis de oxigênio.

Mudança molecular
Desde então, pelo menos 300 genes foram regulados pela proteína original identificada por Semenza. Esses genes têm um papel importante na saúde – alguns controlam como os novos vasos sanguíneos são formados e outros influenciam como as células quebram a glicose, por exemplo. Sabe-se que os genes são importantes no desenvolvimento de embriões e no funcionamento do sistema imunológico.

A mudança molecular também é importante para entender e tratar distúrbios como anemia, que resulta em baixos níveis de oxigênio, e doenças como derrame, ataque cardíaco e câncer, que também podem interromper o suprimento de oxigênio no sangue para as células.

Avanço da medicina

O trabalho de Semenza, Ratcliffe e Kaelins já está mudando a forma como a medicina é praticada, diz o comitê do Prêmio Nobel – um medicamento baseado em seu trabalho já está sendo usado para tratar alguns tipos de câncer.

Isso ocorre porque os tumores de câncer aumentam os níveis da proteína descoberta por Semenza, em resposta aos baixos níveis de oxigênio. Drogas que inibem a proteína podem ajudar a matar o tumor.

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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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