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E-krona: Suécia inicia testes de sua primeira moeda digital

Thaís Garcia

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Imagem: Reprodução

A Suécia é conhecida como a primeira nação europeia a emitir o papel-moeda, em 1661, e provavelmente também será a primeira nação do mundo a introduzir sua própria moeda digital; tornando-se a primeira sociedade sem dinheiro vivo. O banco central da Suécia, o Riksbank, disse que começou a testar a “e-krona”, levando o país a um passo mais perto de criar a primeira moeda digital do banco central (CBDC).

O projeto piloto de um ano utilizará a tecnologia de contabilidade distribuída (DLT), como a ´blockchain´, para criptomoedas.

Os CBDCs são dinheiro tradicional, mas em formato digital, emitidos e supervisionados pelo banco central de um país. Por outro lado, criptomoedas como bitcoin são produzidas resolvendo quebra-cabeças matemáticos complexos e governadas por comunidades online díspares, em vez de um corpo centralizado.

No projeto e-krona, que o Riksbank está conduzindo com a Accenture, os usuários simulados poderão manter o e-krona em uma carteira digital, além de efetuar pagamentos, depósitos e saques por meio de um aplicativo móvel. Os usuários também poderão efetuar pagamentos por meio de dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes e cartões.

O projeto piloto será executado até o final de fevereiro de 2021, com a opção de estender e desenvolver soluções técnicas, de acordo com o Riksbank.

“O objetivo do projeto é mostrar como uma e-krona pode ser usada pelo público em geral”, afirmou o Riksbank em comunicado.

Uma plataforma técnica recém-desenvolvida será adotada com uma interface de usuário (espaço onde a interação entre humanos e máquinas ocorre) que permite pagamentos por e-krona a partir de um telefone celular, cartão ou relógio.

A plataforma também contém simulações de provedores de serviços de pagamento, pontos de venda e outras partes do sistema de pagamento sueco.

Em uma entrevista à MIT Technology Review, o economista do Riksbank Gabriel Söderberg disse que o Riksbank examinou várias tecnologias para a e-krona, incluindo sistemas de criptomoeda como o bitcoin.

Segundo o Riksbank, a tecnologia estará disponível 24h por dia e durante todo o ano, e os pagamentos serão instantâneos.

O projeto piloto também está analisando a possibilidade de construir uma tecnologia que permita o uso da e-krona offline.

“Fazer pagamentos com e-krona será tão fácil quanto enviar uma mensagem de texto”, disse o Riksbank em seu site.

“Uma e-krona ofereceria ao público em geral acesso contínuo ao dinheiro do banco central, como o dinheiro faz, mas em formato digital. A oferta de uma e-krona, disponível para todos, também reduziria o risco de a posição da moeda ser enfraquecida pelas alternativas concorrentes de moeda privada”, acrescentou.

Moedas digitais no mundo

Juntamente ao surgimento de criptomoedas como o bitcoin, houve o anúncio do gigante de mídia social Facebook, em junho passado, de planos para criar sua própria criptomoeda, a Libra, que foi visto como um catalisador para os bancos centrais de todo o mundo considerarem emitir suas próprias moedas digitais.

A China havia revelado anteriormente planos para desenvolver sua própria moeda digital.

O Banco Popular da China (PBoC) disse no mês passado que basicamente concluiu o padrão de design e tecnologia de “nível superior” para o desenvolvimento de seu pagamento eletrônico em moeda digital (DCEP).

Como parte dos preparativos para o lançamento no mercado, o PBoC selecionará regiões geográficas para o teste piloto da moeda digital.

Em janeiro, os bancos centrais da Grã-Bretanha, zona do euro, Japão, Suécia e Suíça uniram forças para avaliar o caso de emissão de CBDCs.

Eles estão considerando realizar sua primeira reunião em meados de abril em Washington, acompanhada pelo Bank of International Settlements, para discutir maneiras de simplificar questões de liquidação e segurança além-fronteiras relacionadas ao uso de moedas digitais.

Suécia

Segundo o Riskbank, o principal objetivo do projeto piloto é aumentar o conhecimento sobre uma moeda digital do banco central.

Na Suécia, 80% de todas as transações já são feitas eletronicamente, através do cartão de crédito ou através do aplicativo para celular “Swish”. E mais de 99% dos vendedores do país aceitam cartões eletrônicos.

O “Swish” surgiu em 2012, a partir de uma colaboração entre os seis maiores bancos suecos; e consiste em uma plataforma de pagamento móvel instantânea, que facilita o pagamento eletrônico de seus clientes.

Tanto as instituições financeiras quanto o governo sueco, encorajaram os cidadãos a se integrar na economia digital, com o resultado de que hoje o “Swish” é usado por metade da população sueca.

Há anos, o transporte público em Estocolmo parou de aceitar dinheiro: os bilhetes de transporte são pagos antecipadamente por meio de um aplicativo móvel, comprados com cartão de crédito ou em uma máquina de venda automática.

Por enquanto, o mundo estará de olho nos experimentos suecos e observará os efeitos concretos da possível abolição do dinheiro vivo que, segundo os planos do Riskbank, está previsto para o ano de 2023.

 

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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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