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Mais crianças internadas em hospitais por motivos de saúde mental do que por doenças físicas, diz presidente do principal órgão profissional de pediatras do Reino Unido

O presidente da Faculdade Real de Psiquiatria e Saúde Infantil afirma que isso tem sido um fenômeno desde o início da pandemia

Thaís Garcia

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Image by Anemone123 from Pixabay

O número de crianças internadas em hospitais por motivos de saúde mental agora ultrapassa o número de crianças com problemas de saúde física, disse o pediatra Dr. Russel Viner, presidente da Royal College of Paediatrics and Child Health – RCPCH (Faculdade Real de Pediatria e Saúde Infantil). Viner disse que este é um fenômeno que os pediatras têm visto em todo o Reino Unido desde o início da pandemia de covid-19.

A RCPCH é o principal órgão profissional de médicos especializados em saúde infantil do Reino Unido, responsável por representar os psiquiatras, a pesquisa psiquiátrica e fornecer informação ao público sobre problemas de saúde mental.

Dr. Russel Viner estava se dirigindo a membros do Parlamento britânico no comitê de educação que estava ouvindo evidências sobre a ciência por trás do fechamento de escolas.

Isso acontece depois que uma pesquisa britânica do Prince’s Trust revelou que 1 em cada 4 jovens se sente incapaz de lidar com a vida e que a crise teve um “tributo devastador” em adolescentes e jovens adultos.

O Prof Viner foi questionado pela Dra. Caroline Johnson, uma parlamentar conservadora e pediatra consultora, se mais crianças estavam sendo admitidas no hospital por motivos de saúde mental do que por doenças físicas.

Johnson disse: “Em um turno recente que fiz no hospital, havia mais crianças internadas com doenças agudas por apresentações de saúde mental do que crianças com doenças agudas físicas? É um padrão incomum ou é um padrão que você está vendo em outras partes do país também?”

Viner, que é professor de ‘Saúde do Adolescente’ no Instituto de Saúde Infantil da University College London, respondeu: “Sim, esse é absolutamente um padrão sobre o qual nossos pediatras em todo o país nos falam desde o início da pandemia.”

Ele disse que o distanciamento social levou a uma redução de outros vírus e da transmissão de outras infecções que normalmente levariam a crianças a necessitar de tratamento hospitalar.

“Vimos em todas as unidades infantis uma pequena mudança em direção a mais problemas de saúde mental, sendo as razões pelas quais as crianças vêm para as unidades infantis, que não é necessariamente o melhor lugar para elas”, acrescentou.

Os últimos números do Serviço Nacional de Saúde (NHS) – o sistema de saúde público da Inglaterra – mostraram que os números mais recentes do NHS mostraram que o número de crianças encaminhadas para serviços de saúde mental para crianças e adolescentes (CAMHS) foi de 4.615 por 100.000, o maior já registrado e quase 20% a mais do que no ano passado.

O prof. Viner disse que o fechamento de escolas afetou a saúde mental das crianças de várias maneiras diferentes e que vários estudos internacionais tentaram quantificar isso. Ele explicou que uma série de problemas diferentes surgiram nas crianças como resultado de serem mantidas em casa, como dificuldade para dormir, redução da atividade física e redução do bem-estar.

No início deste mês, a Royal College of Psychiatrists (Faculdade Real de Psiquiatria) alertou que com a pandemia de Covid-19, uma geração corre o risco de ser perdida para uma doença “vitalícia”. Ele disse que o fechamento de escolas, provas canceladas, salas de aula vazias e confinamento ameaçam uma crise de saúde mental que pode atormentar a atual geração de crianças nos próximos anos.

Metade dos psiquiatras infantis da faculdade está relatando um aumento nos casos de emergência ou urgência; 1 em cada 6 crianças agora tem um problema de saúde mental, de acordo com a pesquisa do NHS, comparado a 1 em cada 9 crianças apenas três anos atrás.

Com informações, The Telegraph.