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Morre o ex-presidente e ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, aos 95 anos

Thaís Garcia

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Imagem: AFP

Morreu hoje (6) em Cingapura, o ex-presidente e ditador Robert Mugabe (95) do Zimbábue. Mugabe estava doente há algum tempo. O atual chefe de Estado, Emmerson Mnangagwa, confirmou sua morte pelo Twitter.

Nos últimos meses, Mugabe teria sido tratado em um hospital em Cingapura de uma doença inexplicável. Antes de ser deposto em 2017, ele era o chefe de Estado mais antigo no mundo, na época com 93 anos.

A história de vida de Robert Mugabe seguiu uma linha marxista-leninista-maoísta, tornando-se um ditador e foi muito criticado por violar os direitos humanos em seu país. Mugabe acreditava que ele e sua família tinham o “direito divino” de governar o Zimbábue.

“Somente Deus, que me designou, pode me mandar embora. Nem o partido, nem os britânicos. Somente Deus”, declarou Mugabe em 2008.

Mugabe queria entregar o poder a sua segunda esposa, Grace Marufu. Mas o exército se revoltou contra ele e Mugabe foi deposto para seu próprio espanto.

Rodésia
Robert Gabriel Mugabe nasceu em 21 de fevereiro de 1924 em Harare, na então chamada Rodésia do Sul, uma colônia britânica. Ele frequentou uma escola de missionários católicos. Seu pai abandonou a família quando Robert tinha 10 anos de idade e ele foi criado por uma mãe instável e emocionalmente prejudicada.

Mugabe se formou em direito, administração pública e economia. Em 1965, ele se envolveu no processo de independência no sul da Rodésia, que foi precedido por sete anos de guerra. Ele foi o segundo presidente do Zimbábue, após a independência e esteve no poder por 37 anos. Há 2 anos, o ex-presidente e ditador renunciou, quando o parlamento iniciou um processo para sua retirada do poder. Seu vice, Mnangagwa, o sucedeu.

Poder
Inicialmente, Mugabe tinha um status “heroico” nos círculos esquerdistas, por ser um “combatente da resistência contra o domínio colonial britânico”. A imagem de Mugabe tombou quando ele transformou seu país em ditadura e, no final do século passado, e iniciou uma violenta campanha contra os camponeses brancos do Zimbábue, que foram expulsos à força de seu país. Ele também perseguiu os homossexuais no Zimbábue e os chamava de “piores que os cães”.

Segundo um conhecedor de Mugabe, Martin Meredith, que escreveu um livro sobre ele, Robert Mugabe era obcecado pelo poder.

Corrupção

Economicamente, ele destruiu o Zimbábue por uma má administração esquerdista, dominada pela corrupção. No início deste século, o país africano foi atingido pela hiperinflação, como resultado do qual o dólar do Zimbábue perdeu todo o seu valor. Depois de seu governo, Mugabe deixou o Zimbábue como um dos países mais pobres do mundo.

Bens
Mugabe deixou uma conta bancária estimada em dez milhões de dólares e uma infinidade de bens. Seus 4 filhos e sua atual esposa herdaram suas cinco residências em seu próprio país, incluindo o luxuoso palácio de ouro e mármore no distrito de Borrowdale. Um complexo com 25 banheiros, construído por uma empresa de construção sérvia, que recebe muitos pedidos no Zimbábue e foi parcialmente pago pela China. Mugabe também deixou uma mansão construída em Kutama, sua aldeia natal, 80 Km a noroeste de Harare.

Houve muitas críticas ao desperdício por sua segunda esposa e ex-secretária, Grace Marufu. Ela desfrutou de alguns apelidos lisonjeiros no Zimbábue, como “Dis Grace” (Des Graça) e “A primeira-compradora do país” (referente à primeira-dama). Certa vez, a sra. Mugabe feriu um fotógrafo, que registrava suas imagens durante seus gastos extremos em Hong Kong, batendo nele com os dedos cheios de anéis de diamante.

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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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