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Milhares de migrantes de mais de 40 países rumam para os EUA. A maioria vem da África.

Thaís Garcia

Publicado

em

Imagem: CBN News

Congo, Cuba, Haiti, Paquistão, Síria, Eritreia, Bangladesh e especialmente migrantes da África. Milhares de migrantes de mais de 40 países rumam para os EUA.

A pressão sobre o México, pela administração Trump, levou a um declínio dos migrantes que buscavam asilo na fronteira sul dos EUA, no mês de junho. Mas, os relatórios sul-americanos apontam para um número crescente de migrantes de todo o mundo que continuando no caminho para o norte, informou o jornal americano CBN News.

Essa grande massa de requerentes de asilo a caminho dos EUA vem de países muito mais distantes que a América Central e, antes de chegarem aos Estados Unidos, eles precisam primeiro fazer uma traiçoeira caminhada pela selva de Darién, que fica entre a Colômbia e o Panamá.

Região de Darién
A região de Darién, conhecida como ‘Darien Gap’, é uma grande faixa de pântano e floresta entre a Colômbia e o Panamá. A selva começa em Turbo, na Colômbia e termina em Yaviza, no Panamá; e tem 106 km de comprimento.

No lado do Panamá, a floresta é montanhosa e com o terreno atingindo 1.845 metros no pico mais alto.

Custo

De acordo com a CBN News, para cobrir os custos da longa jornada, muitos migrantes informaram que contam com a ajuda financeira de amigos e familiares nos Estados Unidos.

A rota
Quase todos os migrantes vindos da África, Ásia e outros lugares do mundo precisam ir primeiro ao Equador, porque é o único país no Hemisfério Ocidental que permite a entrada destes, sem visto.

A rodoviária em Medellín, na Colômbia, é uma das principais escalas para os migrantes que vêm do exterior. De lá, os migrantes tomam o ônibus para Turbo, na Colômbia, que é o ponto de partida para a entrada na selva de Darién. A viagem à Turbo dura cerca de uma semana.

A rota feita por muito deles não é simples. Muitos param no Panamá, passam pelo Equador e Colômbia, e em seguida, tentam voltar ao Panamá. Mas o destino final é “a América”.

No cais público colombiano de Turbo, muitos migrantes chegam de barco e seguem para um local chamado Capurgana, que é o último local dentro da Colômbia. E de lá, eles começam a caminhar.

Há tantos migrantes que falta barcos para suas locomoções. Os africanos, em sua maioria vêm do Camarões; e chegam em massa através dos cais públicos da Colômbia. A maioria deles não tem ideia do que está prestes a enfrentar.

De acordo com Fabricio Marin, coordenador do porto de Turbo na Colômbia, os números de migrantes continuam aumentando.

“Até ontem (30 de agosto), transportamos mais de 6.000 pessoas de diferentes nacionalidades – Congo, Cuba, Haiti, Paquistão, Síria, Eritreia, Bangladesh. Aumentou muito, especialmente os migrantes da África”, disse o coordenador Fabricio Marin à CBN News.

“Muitos deles pensam que, quando chegam a Turbo, acham que o pior já passou, mas, na realidade, o sofrimento deles está apenas começando”, acrescentou Fabricio.

Crianças em perigo

O número de crianças forçadas a fazer essa perigosa jornada é preocupante.

No lado da fronteira do Panamá, a Polícia de Fronteira presenciou cerca de 40 crianças emergirem sozinhas da selva no último ano, depois que seus pais morreram em algum lugar do percurso. Quando isso acontece, a polícia muitas vezes não consegue identificar de que país essas crianças vêm ou mesmo quais são seus nomes.

“Vimos quase 600 delas apenas este ano, fazendo a travessia com os pais, muitas nem sequer andavam ainda. É realmente difícil de assistir, porque muitos deles simplesmente não têm ideia do que estão prestes a enfrentar”, disse Fabricio.

“Eles chegam aqui em péssimas condições de saúde, exaustos, desidratados e cobertos de picadas de insetos da selva. É realmente doloroso para a nossa equipe. Estamos profundamente perturbados ao ver as crianças serem afetadas dessa maneira”, disse Luz Santos, trabalhadora humanitária do Serviço Nacional da Criança e da Família do Panamá.

A funcionária do Serviço de Fronteira, Osleydy Rodriguez, que trabalha reunificando famílias que se separam na trilha, disse que muitas crianças estão sendo colocadas em perigo.

“Ouvimos histórias de um animal que atacou um bebê e o matou por aí. Quando resgatamos crianças perdidas, procuramos pelas estações de fronteira. E por exemplo, reunimos recentemente uma criança de 2 anos com a mãe, depois de 7 dias perdida”, disse Osleydy.

Acampamentos
No Panamá, foram montados acampamentos que abrigam até 10.000 migrantes, e na Costa Rica, o número de pessoas que podem ser abrigadas é de apenas algumas centenas por semana.

Mudança de rota
Nesses últimos meses, notou-se o aumento no fluxo de refugiados e migrantes, principalmente africanos, que estão a caminho da fronteira sul dos EUA. Ao mesmo tempo, nos últimos seis meses, a Europa registrou uma queda acentuada no número de migrantes e refugiados africanos que chegaram à sua fronteira. Na Itália, as travessias marítimas caíram 80% em um ano.

É provável que ambas as tendências estejam relacionadas à política de desembarque regional da União Europeia, introduzida pela primeira vez pelo Conselho Europeu, em junho de 2018. Segundo essa política, a Líbia se tornou o principal centro de processamento dos pedidos de refugiados e asilo, daqueles que tentavam atravessar o Mediterrâneo a partir do Norte da África para a Europa.

As pessoas interceptadas no mar pela Guarda Costeira da Líbia, treinada e equipada pela UE, não estão mais sendo levadas para a Europa. Mas, são trazidas de volta à Líbia, onde se encontram em centros de detenção administrados localmente.

Dos 700.000 refugiados, migrantes e requerentes de asilo atualmente na Líbia, muitos morreram ou desapareceram – o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados não divulgou números oficiais. Outros enfrentam tortura física, fome e as mulheres e meninas, violência sexual.

O sistema deixou os migrantes com apenas duas opções: arriscar perder a vida ao tentar migrar pela Líbia ou seguir a rota longa e ainda mais cara da América do Sul para os Estados Unidos. E cada vez mais, eles estão optando pela segunda. Sem saber, que terão que atravessar uma grande selva, onde muitos não sobrevivem. E se conseguirem, suas jornadas estarão apenas começando.

A recusa da Europa em receber os refugiados vindos da Líbia está levando os mesmos a atravessar o Atlântico e selvas perigosas, para chegar aos EUA.

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