Redes Sociais

Mundo

Meninas e mulheres de Myanmar são vendidas como escravas sexuais na China

Estima-se que há de 4 a 6 milhões de mulheres e meninas como escravas sexuais na China, de acordo com a pesquisa da Human Rights Watch.

Thaís Garcia

Publicado

em

Meninas e mulheres de Myanmar são vendidas como escravas sexuais na China 21
Human Rights Watch

Segundo a pesquisa da Human Rights Watch, cresce em larga escala o número de mulheres e meninas de Myanmar, que estão sendo vendidas como escravas sexuais na China.

As autoridades chinesas e birmanesas reconhecem o problema, mas não estão intervindo.

Em sua maioria, são meninas e mulheres que vivem na pobreza, vindas dos estados de Kachin e Shan, na Birmânia. Estas, se encontram em um estado vulnerável, sendo levadas à deriva.

Isto acontece, devido ao conflito étnico na região, onde os homens estão ausentes em suas famílias, pois estão lutando em algum outro lugar.

Os traficantes de seres humanos atraem as vítimas com a promessa de um emprego na China. Uma vez atravessado a fronteira, estas mulheres e meninas são forçadas a se casar com um homem chinês.

E são obrigadas a fazer sexo, não apenas com o homem que a comprou, mas também com outros, relata a Human Rights Watch, com base nas declarações das vítimas.

Os homens chineses pagam uma média de 5.000 a 20.000 yuan (equivalente a 2.751 a 11.262 reais) por mulher e até 150.419 reais por uma noiva jovem; e algumas destas, são vendidas por mais de uma vez.

Algumas mulheres conseguem fugir e voltar para casa após o parto, mas são forçadas a deixar seus filhos para trás.

Estima-se que há de 4 a 6 milhões de mulheres e meninas como escravas sexuais na China, de acordo com a pesquisa da Human Rights Watch.

O governo de Myanmar registrou 226 casos de tráfico humano em 2017, mas especialistas disseram à Human Rights Watch que o número real é muito maior.

Escassez de mulheres chinesas

Atualmente, há 34 milhões de homens a mais do que mulheres na China. Isto é consequência de uma política adotada no país, por muitos anos em vigor, de permitir aos casais chineses apenas um único filho.

E como resultado, surgiu essa desigualdade que fomentou o tráfico de noivas de países vizinhos.

Dentre estes países, estão Myanmar, a Coreia do Norte, o Vietnã, o Camboja, Laos, as Filipinas e a Mongólia.

De acordo com os números chineses, estima-se que há 40 milhões de homens em idade para casar por ano, para os quais nenhuma mulher chinesa está disponível.

Solução

Muitas vezes a polícia chinesa também prende mulheres estrangeiras, porque elas estão ilegalmente no país.

Na China, não há muita abertura para a discussão do problema, e é difícil encontrar pessoas ou organizações que queiram falar sobre o assunto.

O temor de serem repreendidos e punidos pelo governo do Partido Comunista Chinês, é nítido no país.

Além disso, há a corrupção da polícia chinesa, que recebe propina para não tomar medidas.

Portanto, uma intervenção de autoridades locais é uma missão praticamente impossível.

O mundo está de olho na China, e espera que o próprio país perceba, que a política do filho único deve ser abandonada.

Dessa forma, o tráfico de mulheres e meninas cessará e haverá novamente um equilíbrio entre o número de homens e mulheres na China, mesmo que isso leve anos.

Retificação (24-03-2019)
No final de 2015, a política do filho único aplicada na China foi revogada. E a partir do início de 2016, o governo chinês passou a permitir o limite de dois filhos.

Ajude-nos a mantermos um jornalismo LIVRE, sem amarras e sem dinheiro público. APOIAR »

Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

Parceiros

Publicidade

alan correa criação de sites