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Jihadistas do EI de nacionalidades europeias em poder das tropas curdas querem voltar para casa

Estima-se que cerca de 7 mil cidadãos europeus tenham migrado para se juntar ao Estado Islâmico e que 2 mil tenham regressado à Europa.

Thaís Garcia

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Jihadistas do EI de nacionalidades europeias em poder das tropas curdas querem voltar para casa 15
AFP

Nesta última semana, voltou ao destaque o impasse envolvendo o destino de combatentes do Estado Islâmico, ao serem capturados pelas tropas curdas, aliadas dos Estados Unidos, nos combates no norte da Síria.

Muitos jihadistas desejam ser entregues às autoridades de seus países europeus em busca de um processo judicial mais justo e com garantias.

E alguns afirmam que se arrependeram de suas idas à Síria.

Caso Yago e Shamima

A imprensa britânica BBC, entrevistou o casal combatente do EI, o holandês Yago Riedijk, de 26 anos e sua esposa britânica Shamima Begum, de 19 anos.

Yago foi capturado pelas tropas curdas e está numa prisão em Rmeilan, no nordeste da Síria; e Shamima está em um campo de refugiados sírio com seu filho recém-nascido.

O jovem jihadista disse à imprensa, que deseja voltar à Holanda com sua esposa de 19 anos e filho. Porém, a chance de isto acontecer é mínima.

A Holanda não tem planos de trazer de volta combatentes do EI, para serem julgados em seu território.

Yago foi condenado, no início do ano passado, por se juntar a uma organização terrorista em 2014; e Shamima, que se agregou ao grupo terrorista na Síria, aos 15 anos, perdeu sua nacionalidade britânica.

De acordo com a BBC, Yago viajou para a área do EI, em 2014, porque o movimento terrorista lhe ofereceu um “pacote completo” e lhe vendeu a ideia, de “lutar junto aos irmãos muçulmanos para combater o sofrimento da Síria”.

Embora tenha vivido junto ao EI durante todos esses anos, Yago afirmou que não encontrou o que esperava dentro do movimento terrorista. Muitas vezes, foi obrigado a fazer coisas contra sua vontade e tentou por muitas vezes fugir, mas falhou.

Ele passou por Kobani, Raqqa, Deir al-Zor, e no mês passado se rendeu em Baghouz, o último enclave do EI.

Shamima saiu de Londres em 2015, aos 15 anos, com duas amigas da escola. Ela disse que não se arrependeu de seu tempo na Síria, mas que não tinha ideia do que estava fazendo.

Na Síria, ela se casou e teve três filhos, sendo que dois morreram como resultado de desnutrição e falta de medicação.

Segundo Shamima, uma de suas amigas também morreu na Síria e nada se sabe sobre o destino da outra amiga.

Yago está na lista holandesa de terrorismo nacional desde março de 2016.

O país afirma, que ele pode ter ligações com membros de uma célula terrorista da região de Arnhem, que foi desmantelada em setembro de 2018.

Esta célula foi suspeita de preparar um grande ataque na Holanda.

Na Holanda, 15 jihadistas foram desnaturalizados da sua nacionalidade holandesa, e todos estes possuíam dupla nacionalidade, não correndo o risco então, de se tornarem apátridas.

Combatentes europeus

Estima-se que cerca de 7 mil cidadãos europeus tenham migrado para se juntar ao Estado Islâmico e que 2 mil tenham regressado à Europa; trazendo transtornos aos governos europeus, que temem a efetuação de atentados em cidades europeias.

Um estudo realizado na Alemanha indica que 75% dos combatentes regressados, são de difícil diálogo, e não apresentam disposição alguma em colaborar com as autoridades de seus países europeus.

Além disso, a polícia só poderá interrogá-los, quando houver provas contra eles.

E muitos combatentes que retornam, desaparecem do radar dos serviços de inteligência dos países europeus.

Mulheres e crianças

A BBC informou, que cerca de 25% dos regressos são mulheres, e muitas vezes voltaram para casa com filhos pequenos.

Ou seja, estes são crianças traumatizadas, que podem se converter em indivíduos perigosos, filhos de jihadistas, de pais que morreram no combatendo pelo Estado Islâmico, e algumas dessas crianças, correm o risco de seguirem as pegadas de seus pais.

Ponderando os riscos sofridos pelos países europeus, estes passaram a ser mais rigorosos nos últimos anos, optando por não receber esses combatentes e suas famílias formadas na Síria; e nos casos de dupla cidadania, torná-los apátridas.

Este é um tema complexo para a Europa, devido ao fato de envolver crianças e meninas adolescentes.

Estas últimas, sendo ainda incapazes de discernir as consequências de suas escolhas, sofreram a persuasão de militantes treinados a recrutar jovens dentro deste perfil e com um alto poder de manipulação.

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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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