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Startup israelense desenvolve tecnologia que mede e registra reações da pupila em pacientes em coma

Thaís Garcia

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Imagem: Reprodução

A startup israelense BrainWatch Tech está desenvolvendo uma tecnologia de monitoramento da pupila humana que notifica os profissionais de saúde sobre mudanças nas reações da pupila de pacientes com lesão cerebral grave e a necessidade potencial de intervenção imediata.

Todos os anos, nos Estados Unidos e na União Europeia, mais de 1 milhão de pessoas são diagnosticadas com lesões cerebrais graves causadas por acidentes traumáticos, como acidentes de carro, quedas ou derrames.

Enquanto esses pacientes estão em terapia intensiva, a equipe de enfermagem deve examinar manualmente suas pupilas levantando as pálpebras, iluminando os olhos com uma lanterna e medindo a resposta da pupila com uma régua e registrando o resultado dos testes.

Pupilas contraídas em resposta à luz indica que o tronco cerebral, porção do sistema nervoso central situada entre a medula espinhal e o diencéfalo, ainda está ativo. Se não houver reação, significa que a condição do paciente está piorando e que é necessária medicação ou cirurgia para impedir uma possível deterioração neural e mais danos cerebrais.

Em pacientes com lesão cerebral traumática grave, as anormalidades na reação da pupila costumam ser indicativas de deterioração neurológica e estão correlacionadas a resultados neurológicos insatisfatórios.

Portanto, o exame pupilar é uma ferramenta importante na avaliação clínica do paciente comatoso, pois é uma indicação direta do estado do tronco cerebral, e as alterações no mesmo representam um sinal imediato de deterioração neurológica. Nesses casos, é necessária intervenção clínica urgente.

Apesar de sua importância clínica, o padrão de atendimento para exame de pupila em pacientes inconscientes não mudou significativamente nos últimos 100 anos, disse Ilan Carmel, o CEO da startup, ao The Times of Israel.

A avaliação manual da pupila é uma tarefa trabalhosa e demorada. Nas melhores condições, é realizada uma vez por hora na unidade de terapia neurointensiva. Como resultado, não é monitorado continuamente e as mudanças no tamanho da pupila raramente são detectadas quando ocorrem, acrescentou Carmel, embora a intervenção médica imediata seja crítica para a sobrevivência do paciente e o resultado neurológico.

“Estamos desenvolvendo um sistema automático e contínuo de monitoramento dos reflexos pupilares à luz que funcionará sem contato físico”, disse Carmel.

O produto, que agora está sendo prototipado, terá a aparência de óculos de realidade virtual, equipados com lente de câmera e lâmpada, que monitora, mede e registra continuamente o tamanho da pupila e os reflexos através das pálpebras fechadas de pacientes com graves danos cerebrais, segundo Carmel.

O sistema eletrônico alertará imediatamente a equipe sobre achados anormais no paciente que usa os óculos. O monitoramento contínuo criará um registro da condição do paciente e da resposta ao tratamento ao longo do tempo.

O sistema também permitirá o rastreamento em tempo real de pupilas durante cirurgias cerebrais complexas, um recurso que atualmente não existe, disse a empresa em um comunicado.

Carmel disse que espera que o protótipo esteja pronto em um ano e que a empresa possa realizar testes clínicos em hospitais para avaliar o sistema.

A tecnologia nasceu no programa de BioDesign da Universidade Hebraica de Jerusalém em parceria com o Hadassah Medical Center, que conecta os alunos de graduação em Negócios e Bioengenharia da Universidade Hebraica com os médicos do Hadassah Medical Center para aumentar a conscientização sobre as necessidades médicas e ajudar a trazer inovações médicas para o mercado.