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Europa investe em fábricas de baterias de carros elétricos como arma contra o monopólio asiático

Thaís Garcia

Publicado

em

Imagem: Colagem/Conexão Política

A Alemanha e a França abriram em conjunto uma planta piloto para células de bateria em Nersac, no sul da França. Os dois países também prometeram bilhões de euros em investimentos para esse setor, para se tornarem menos dependentes dos países asiáticos, que atualmente possuem o monopólio no mercado de baterias de carros elétricos.

Os investimentos também serão direcionados à fábrica de baterias previamente planejada em Kaiserslautern, na Alemanha.

A futura fábrica do fabricante de baterias Saft, em Nersac, colaborará para que a Europa se torne mais independente dos fabricantes de baterias na Ásia, quebrando o monopólio asiáticos.

“É a primeira vez desde o estabelecimento da Airbus que construímos a produção industrial nessa escala”, disse o ministro da Economia e Finanças da França, Bruno Le Maire, referindo-se ao fabricante europeu de aeronaves.

Domínio asiático

Atualmente, o mercado de células de bateria de carros elétricos é dominado por empresas da China (CATL), Japão (Panasonic) e Coreia do Sul (LG Chem e Samsung). Até agora, as empresas europeias evitaram a produção em larga escala de células de bateria, devido aos altos riscos e custos que a acompanham.

Com a nova parceria alemã-francesa, a Europa deve cobrir toda a cadeia de valor para a produção de baterias e deixará de depender de outros países para esta importante tecnologia.

Segundo a Saft, que faz parte da Total, a planta piloto em Nersac estará pronta o mais tardar em 2023. Estão previstos investimentos de cerca de € 200 milhões.

A instalação de produção de teste em Nersac é de fato o precursor da produção em série das células da bateria. A intenção é iniciar a produção em série em Douvrin, no norte da França, e na cidade alemã de Kaiserslautern, na Opel. Por trás dos planos está um consórcio Opel, PSA (controladora da Opel) e Juice.

A longo prazo, a produção em série de células de bateria nos dois países poderia criar de 2.000 a 2.500 empregos cada.

“Estamos construindo a maior fábrica alemã de células de bateria em Kaiserslautern. Juntamente ao nosso parceiro Saft, investimos bilhões de euros e criamos 2.000 empregos”, disse Michael Lohscheller, CEO da Opel, em Rüsselsheim.

O governo alemão prometeu subsídios de pelo menos 1 bilhão de euros para a instalação de uma produção local de células de bateria.

Mais parcerias

A Comissão da UE já deu sinal verde para o que está sendo chamado de aliança de bateria em sete países europeus, um segundo grande projeto europeu. O objetivo é construir fábricas de baterias suficientes para suprir adequadamente o crescimento esperado dos carros elétricos na Europa. 17 empresas estarão diretamente envolvidas no projeto, incluindo as empresas alemãs BASF, o fabricante de automóveis BMW e a empresa de baterias Varta. Essas empresas cooperarão entre si e com mais de 70 parceiros externos, incluindo empresas menores e instituições públicas de pesquisa.

A Tesla também solicitou subsídios federais para a produção de células de bateria e para pesquisas na Alemanha. O fabricante americano de carros elétricos planeja montar uma fábrica em Brandemburgo. Ainda não está claro se a Tesla também deseja participar de um projeto tão grande.

O fabricante de baterias Varta, de Ellwangen, na Alemanha, não especificou a quantidade de subsídio que eles receberam da Comissão. Enquanto a parceria Opel-PSA se preocupa principalmente com a produção, a Varta deseja desenvolver ainda mais a tecnologia de íons de lítio, com o objetivo de aumentar a densidade de energia das células. Ao mesmo tempo, a Varta também pretende colocar ânodos de silício na produção em massa.

Com a concessão do apoio da UE, a participação do grupo químico alemão BASF também está se tornando mais concreta. Espera-se que a BASF considere a construção de uma planta de produção de cátodo de lítio em seu local de Schwarzheide em Brandenburg, perto de Berlim. Embora isso ainda não tenha sido confirmado oficialmente, parece cada vez mais provável. A gigante química aparentemente planeja investir cerca de 500 milhões de euros no projeto.

“Queremos produzir materiais catódicos para 300.000 carros elétricos por ano a partir de precursores de nossa fábrica na Finlândia. Após a decisão da Comissão da UE, a Diretoria Executiva decidirá sobre o local de produção alemão”, disse Christine Haupt, porta-voz da BASF.

A Volkswagen, juntamente à empresa sueca Northvolt, também decidiu construir uma fábrica de células em Salzgitter com capacidade de 16 GWh (expansível para 24 GWh). Está programado para iniciar a produção no final de 2023, e a produção piloto já está em andamento lá.

A própria Northvolt também está planejando sua fábrica de células em Skellefteå, na Suécia. Espera-se iniciar a produção lá em 2021 com capacidade de 32 GWh e expandir para 40 GWh até 2024.

 

 

 

 

 

 

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