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Vítima relata abusos em acampamento infantil supervisionado por pastor e atual candidato democrata da Geórgia ao Senado dos EUA, Raphael Warnock

Thaís Garcia

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Anthony Washington, com então 12 anos, sofreu abusos no acampamento para crianças da igreja em que frequentava e supervisionado pelo reverendo e atual candidato democrata da Geórgia ao Senado dos EUA, Raphael Warnock. Entre os abusos, monitores jogaram urina nele e o trancaram fora de sua cabana durante a madrugada.

Washington, agora com 30 anos, relatou os eventos em uma entrevista ao site Washington Free Beacon e disse que sua experiência no acampamento resultou em um processo judicial em 2003 que terminou dois anos depois, quando a vítima disse que ele e sua família receberam um grande acordo financeiro.

O relato de Washington sobre os eventos de 2002 fornece o primeiro insight direto sobre o alegado abuso e negligências ocorridos no acampamento ‘Farthest Out’, em que Raphael Gamaliel Warnock supervisionou como pastor sênior da ‘Igreja Douglas Memorial Community de Maryland’, e levanta novas questões para o candidato democrata, que atualmente está disputando uma cadeira no Senado pela Geórgia.

Washington ficou surpreso ao saber que Warnock está concorrendo ao Senado dos Estados Unidos na Geórgia.

“Não acho que alguém como [Warnock] deva concorrer ao maldito Senado em lugar nenhum, administrando um acampamento como esse”, disse ele ao Free Beacon. “Ele não deveria estar concorrendo ao governo.”

Warnock enfrentou uma apuração minuciosa sobre sua prisão em 2002 por obstruir uma investigação de abuso infantil realizada pela Polícia Estadual de Maryland que se concentrava no tratamento dado às crianças no acampamento. O relato de Washington é apoiado por registros do Departamento de Saúde e Higiene Mental de Maryland, obtidos pelo site Free Beacon no início deste mês, que indicavam que as crianças do acampamento eram rotineiramente deixadas sem supervisão; os funcionários não estavam sujeitos à exigida verificação de antecedentes criminais; e pelo menos 5 casos de abuso infantil ou negligência foram movidos contra o diretor do acampamento, que foi forçado a renunciar.

Warnock serviu como pastor sênior na ‘Igreja Douglas Memorial Community de Baltimore’ de 2001 até meados de 2005. Seu trabalho incluía supervisionar o acampamento da igreja, ‘Camp Farthest Out’, que atendia crianças do interior da cidade. A equipe de campanha do candidato democrata Warnock não respondeu a um pedido de comentário do Free Bacon.

O Free Beacon entrou em contato com Washington e membros de sua família porque seu nome aparece em uma ação movida contra Warnock, o acampamento e vários dos monitores das crianças.

“Eu só queria dar o fora desse acampamento”, disse Washington em uma entrevista. “Eu não queria passar mais um dia lá. […] Aquele acampamento foi realmente um erro.”

Uma ata do caso mostra que advogados de ambos os lados agiram para encerrar o caso “com prejuízo” – quando é encerrado definitivamente e não pode ser levado a tribunal – em maio de 2005, uma resolução que ocorre frequentemente quando os processos são resolvidos fora do tribunal. Funcionários do tribunal e dos arquivos do estado de Maryland disseram ao Free Beacon que não conseguiram localizar nenhum registro do caso. O advogado que representou a família de Washington disse não poder discutir o assunto oficialmente.

A irmã de Washington, Dominique, que também compareceu ao acampamento ‘Farthest Out’ no verão em que seu irmão disse que foi abusado, corroborou o envolvimento da família no processo quando contatada pelo Free Beacon. Outra fonte próxima à família Washington disse ao Free Beacon que o processo estava relacionado a um evento em que os monitores das crianças “despejaram urina em [Anthony], no acampamento”.

Washington disse que o acampamento foi sua primeira viagem prolongada longe de seus pais quando criança, e sua primeira vez em um ambiente rural. Sua mãe enviou os dois filhos porque eles haviam se mudado recentemente da Califórnia para Baltimore e ela esperava que eles fizessem amigos na área.

Os monitores das crianças eram jovens, no final da adolescência ou no início dos 20 anos de idade, e mostravam pouco interesse em cuidar das crianças, disse Washington. Como punição por fazer xixi na cama, ele disse que um monitor o forçou a passar a noite seguinte dormindo sozinho na quadra de basquete.

“Eu fiquei tipo, ‘Que diabos, não vou, está frio lá fora’”, disse Washington. “[Os monitores] não me deixaram entrar na cabana de jeito nenhum. […]’Fechem a porta da cabana, tranquem-na”, disse ele. “Estava escuro. Não havia nada lá fora, exceto a quadra de basquete. Eu nunca experimentei nada parecido com isso. Tipo, você não está em uma barraca, você não está em nada. Você está apenas lá fora, Deus sabe aonde.”

Os monitores também jogaram urina nele de um balde que usavam quando não havia banheiro nas proximidades, acrescentou a vítima. “Eu mesmo passei por essa experiência. Não gosto nem de falar sobre essa merd*. Essa merd* aconteceu […] Foi como um balde. Eles guardaram essa merd* em um balde”, disse ele.

Washington disse que viu monitores “agarrarem crianças”, mas não sabia a extensão do abuso no acampamento ou se outras crianças tiveram experiências semelhantes às dele. “Eu simplesmente sabia que aquela merd* aconteceu comigo, e é com isso que eu estava preocupado, eu e minha irmã”, disse ele.

As crianças do acampamento foram proibidas de ligar para os pais, disse ele. Quando Washington finalmente foi capaz de contar a sua mãe o que aconteceu, ela ficou furiosa com o acampamento. “Eu pude ouvi-la lá dentro, gritando com eles”, disse a vítima. “A próxima coisa que eu soube foi que minha mãe estava indo para o tribunal [… ]Agradeço minha mãe por fazer o que ela fez. Ela é uma salva-vidas.”

A família acabou recebendo um acordo financeiro no caso, disse Washington.

Pelo menos três agências estaduais – a Polícia do Estado de Maryland, o Departamento de Serviços Sociais e o Departamento de Saúde – investigaram as alegações de abuso infantil no acampamento entre 2002 e 2003, de acordo com registros do governo obtidos pelo Free Beacon.

Warnock foi preso no acampamento ‘Farthest Out’ em 31 de julho de 2002, depois que uma policial estadual de Maryland afirmar que, por várias vezes, ele interrompeu suas entrevistas com monitores, enquanto ela investigava alegações de abuso infantil. Warnock e outro reverendo foram acusados ​​de “atrapalhar e obstruir” a polícia, mas as acusações foram posteriormente retiradas pelo promotor estadual.

Quando os inspetores do Departamento de Saúde e Higiene Mental de Maryland visitaram o acampamento ‘Farthest Out’, em 2002, eles também encontraram várias violações de saúde e segurança.

“Os funcionários não supervisionam as crianças”, escreveu um inspetor de saúde em um relatório de 31 de julho de 2002. “As conversas com a equipe médica e a equipe da piscina indicam que isso é rotina entre os monitores. Foi observado durante a inspeção hoje”, diz o documento.

Em junho de 2003, o Departamento de Saúde negou o certificado ao Acampamento ‘Farthest Out’ para operar um acampamento de menores. Uma razão para a negação, de acordo com os registros, foi que o acampamento não relatou pelo menos 5 descobertas de abuso infantil contra seu diretor, Brian Carter, pelo Departamento de Serviços Sociais.

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