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Empresa chinesa detém monopólio de novas bombas de gasolina na Venezuela; especialista aponta ‘risco de fraude’

Thaís Garcia

Publicado

em

Ph B | Unsplash

Apesar de em seu portal a empresa chinesa Censtar Science & Technology Corp indicar que seu mercado mais forte está no Sudeste Asiático, na África ou no Oriente Médio, ela agora é a mais nova encarregada de distribuir exclusivamente as novas bombas de gasolina na Venezuela.

Recentemente, os postos de abastecimento de propriedade da PDVSA passaram para uma nova administração, após a revogação dos contratos com os antigos proprietários. Nestes novos estabelecimentos, novas bombas de gasolina com tecnologia avançada começaram a ser vistas.

Os novos licitantes são obrigados pela empresa venezuelana estatal de petróleo a um plano de investimento que inclui um contrato de exclusividade para adquirir as novas bombas de gasolina da Censtar Science & Technology Corp.

A empresa chinesa Censtar Science & Technology Corpque  está sediada na cidade de Zhengzhou, capital da província de Henan, na China. O equipamento vendido por ela é pago pelo licitante a um preço que em média é da ordem de US $ 1.500. Mas eles têm a vantagem de estar isentos da alíquota de 16% do IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) e de taxas de importação.

Em seu portal, a empresa chinesa oferece não só equipamentos para o abastecimento de gasolina, mas também de diesel, gás natural e outros combustíveis. Os preços variam de US $ 1.000 a US $ 2.500.

Os convênios com a Censtar são amparados legalmente pela Lei Antibloqueio e a intenção é que, pelo menos enquanto os postos estiverem sob a bandeira da PDVSA, se avance no processo de modernização dos postos em todo o país.

A Censtar Science & Technology Corp. afirma estar no mercado há 23 anos, “comprometida em fornecer soluções completas de equipamentos com relação ao varejo e manuseio de produtos petrolíferos”.

Monopólio e transparência

O economista venezuelano José Toro Hardy fez uma análise no site Analítica de como o regime socialista venezuelano, usando a “Lei Antibloqueio”, elimina as licitações e entrega aos chineses o monopólio dos negócios das novas bombas de gasolina na Venezuela.

Toro Hardy garante que com a “Lei Antibloqueio” o “segredo” foi oficializado. Também os isenta de licitações e outros processos que garantam os interesses da República.

“Estão cancelando unilateralmente as concessões que existiam para a gestão de muitos postos de gasolina e entregando-as a um grupo de investidores que ninguém conhece e pelas costas do país. Claro, só vendem gasolina com preço em dólar”, afirma o economista.

Em seu artigo, o economista critica que as novas bombas de gasolina na Venezuela sejam compradas de um único fornecedor chinês. “O que aumenta as suspeitas de que possa haver uma fraude”, analisa Hardy.

Hardy disse estar preocupado com o que o regime quer fazer com o resto da indústria venezuelana do petróleo e outros ativos do Estado, utilizando a mesma Lei Antibloqueio.

“Onde estariam suas posições ultranacionalistas?”, disse. “Esse mesmo grupo ofensivo que arruinou a Abertura do Petróleo na Venezuela, e acusou seus promotores de serem traidores da pátria, tornou-se hoje, em associação com não sabemos quem, promotores de um dos mecanismos menos transparentes que conhecemos: as bombas de gasolina.”

Cristã e Correspondente Internacional na Europa.