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Embaixador da China ameaça pequeno território dinamarquês por se recusar a assinar contrato 5G da Huawei

Thaís Garcia

Publicado

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Imagem: © REUTERS

O embaixador chinês na Dinamarca ameaçou autoridades de alto nível nas Ilhas Faroé, alertando que o país comunista cancelaria um acordo de livre comércio se as ilhas se recusassem a assinar um contrato com a controversa empresa chinesa de telecomunicações Huawei.

O ocorrido confirma primeira vez que o Partido Comunista Chinês (PCC) tenta vincular negociações comerciais na Europa com o acesso às redes 5G para a Huawei, uma empresa de telecomunicações que afirma “não ter vínculos com o governo chinês”.

Uma gravação de áudio nas Ilhas Faroé, um pequeno território do Reino da Dinamarca, ao norte das ilhas Shetland, na Grã-Bretanha, revela que o embaixador chinês na Dinamarca, Feng Tie, demonstrou “amarrar” as crescentes exportações de salmão para a China, do arquipélago para o país. A operadora de telecomunicações local, Føroya Tele, concorda em deixar a Huawei construir a rede 5G. Feng disse que, se o contrato não fosse concedido, a China não entraria em nenhum acordo comercial com as ilhas.

A gravação mostra que o líder e primeiro-ministro das Ilhas Faroé, Bárður Nielsen, rejeitou as exigências do embaixador chinês, afirmando que o governo não interferiria na seleção do contrato da rede 5G. O Ministério da Defesa dinamarquês também está desaconselhando a seleção da Huawei como provedor de rede 5G, informou o jornal dinamarquês Berlingske.

O líder e e primeiro-ministro das Ilhas Faroé, Bárður Nielsen.

Por mais de uma semana, o governo das Ilhas Faroé tentou manter em segredo a gravação de áudio, impondo restrições à emissora de TV Kringvarp Føroya de divulgar a fita.

Influência comunista chinesa
O acontecimento marcou a primeira vez, que se sabe, que o Partido Comunista Chinês (PCC) tentou vincular as negociações comerciais na Europa com o acesso às redes 5G para a Huawei, uma empresa de telecomunicações que afirma não ter vínculos com o governo chinês.

“A China agora está brandindo bastões econômicos próprios para quando os países europeus não adotam a Huawei para redes 5G. Foi uma espiada no que provavelmente é um amplo esforço da parte da China para pressionar e convencer as autoridades europeias a seu lado. Chegou a hora dos líderes europeus chamarem Pequim por sua interferência”, disse Luke Patey, pesquisador sênior do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, ao The Telegraph.

Esta semana, a Telefónica Deutschland, a segunda maior empresa de telefonia móvel da Alemanha, anunciou que permitiria equipamentos Huawei em sua rede 5G, apesar da pressão dos Estados Unidos para não usar a empresa por temer que ela será usada como um dispositivo de vigilância para o Partido Comunista Chinês.

Em julho deste ano, o especialista chinês e colunista do Daily Beast, Gordon Chang, disse ao Breitbart News que os Estados Unidos deveriam “eliminar” a Huawei.

“Eles roubam a propriedade intelectual dos EUA desde o início. Desde que foi fundada em 1987, a China baixava clandestinamente dados usando os servidores da Huawei”, disse Chang.

“A maneira de impedir a Huawei é eliminá-la, e os Estados Unidos têm o poder de fazer isso”, concluiu Chang.

Em novembro, a China lançou a maior rede 5G do mundo até o momento, com a Huawei fornecendo o hardware para quase 50% das redes no país comunista. A empresa também anunciou que está tentando construir o maior sistema de inteligência artificial do mundo.

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Cristã e Correspondente Internacional na Europa.

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