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Coreia do Norte investe em turismo de saúde para contornar escassez crônica de moeda estrangeira

Thaís Garcia

Publicado

em

Imagem: AFP

A Coreia do Norte anunciou que deseja oferecer tratamento médico para estrangeiros a partir do próximo ano. O país isolado se concentra principalmente na vizinha socialista China, um dos poucos países com os quais mantém relações regulares. Devido às sanções estrangeiras contra o país, o regime socialista norte-coreano apresenta uma escassez crônica de moeda estrangeira.

O jornal norte-coreano Rodong Sinmun anunciou o estabelecimento de uma organização de viagens para o turismo de saúde. Ela reunirá pacotes em que as pessoas recebem uma rota médica em “centros de tratamento modernos”. Isso inclui, por exemplo, cirurgia de catarata, tratamento de câncer de mama, implantes dentários e medicina tradicional.

O setor de turismo é um dos poucos que não foram afetados pelas sanções internacionais devido ao programa nuclear norte-coreano. Este ano, 350.000 turistas chineses chegaram ao país, que rendeu cerca de US $ 175 milhões. Os turistas vêm principalmente pela bela paisagem, mas em um futuro próximo, resorts com fontes termais, fontes de enxofre e banhos de lama devem atrair muito mais chineses.

No mês passado, o ditador norte-coreano Kim Jong-un visitou um spa em construção, nas montanhas perto de Yangdok.

Turismo de saúde
O turismo de saúde é uma das atividades mais antigas conhecidas na história da humanidade. Remonta a milênios e culturas históricas como a indiana, a grega e a romana. Envolvia desde os tratamentos medicinais ligados a água doce e do mar (como os banhos romanos e turcos que ficaram famosos), ao clima de algumas regiões e cidades.

Os principais países que atuam nesse segmento são a Tailândia, Singapura, Índia, Costa Rica, África do Sul, México, Estados Unidos e o Brasil. E as principais especialidades procuradas são cirurgias plásticas, ortopédicas, ortodônticas, gástricas (bariátricas) e cardiológicas.

Discrepâncias
O artigo a respeito do turismo de saúde do jornal norte-coreano Rodong Sinmun só pode ser lido online e não está disponível no jornal impresso disponível para a maioria dos cidadãos norte-coreanos.

Os norte-coreanos comuns têm grande dificuldade em obter cuidados básicos adequados. Clínicas e médicos carecem de medicamentos e equipamentos, e o mesmo se aplica a hospitais nas cidades e vilas menores.

Além disso, o povo norte-coreano passou a consumir 300 gramas de comida por dia. Isso é metade do que eles recebiam anteriormente, segundo a agência de notícias Reuters.

As Nações Unidas já calcularam que mais de 10 milhões de norte-coreanos precisam de ajuda alimentar. Cerca de 40% dos cidadãos são desnutridos.

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas considera uma média 600 gramas de grãos por pessoa, por dia, como o mínimo necessário para sobreviver a longo prazo.

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