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Novos usuários de telefone na China são obrigados a se submeter ao escaneamento facial

Thaís Garcia

Publicado

em

Imagem: Colagem

Em nome da “segurança”, o governo do Partido Comunista Chinês do ditador Xi Jinping está solicitando às operadoras de telecomunicações que coletem digitalizações faciais ao registrar novos usuários de telefone em lojas ‘off-line’ a partir deste mês de dezembro, segundo o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação do país.

Em setembro, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China emitiu um aviso sobre “salvaguardar os direitos e interesses legítimos dos cidadãos on-line”, estabelecendo regras para impor o registro de nomes reais. As operadoras de telecomunicações foram solicitadas a usar “inteligência artificial e outros meios técnicos” para verificar a identidade das pessoas quando solicitam um novo número de telefone.

A medida, descrita pelo ministério como uma maneira de “proteger os legítimos direitos e interesses dos cidadãos no ciberespaço”, facilita o rastreamento de usuários chineses de telefones celulares e internet.

O uso expandido do reconhecimento facial na China, das escolas de ensino médio aos supermercados e transportes públicos, começou a levantar preocupações sobre segurança e consentimento da informação. Muitos chineses estão preocupados com a extensão dos dados pessoais coletados pelo governo e com uma vigilância mais rigorosa sobre seu povo.

Na China, ativistas de direitos humanos, advogados e grupos minoritários religiosos ou étnicos são frequentemente monitorados pela ditadura comunista chinesa. A equipe da organização International Christian Concern (ICC) ouviu que alguns cristãos chineses aprenderam a embrulhar seus celulares com papel alumínio para evitar serem rastreados pelas autoridades. Alguns também acreditam que seus telefones celulares são grampeados para compartilhar informações cruciais em reuniões presenciais.

Embora a nova “medida de segurança” adotada pela China seja aplicável a todos, sem dúvida alguma, os grupos mencionados acima facilmente se tornarão vítimas de mais perseguição, assédio, prisão ou opressão.

Liberdade religiosa
Nos últimos anos, a liberdade religiosa vem sido cada vez mais restringida na China. Tudo indica que o atual presidente, Xi Jinping, quer ser o “Novo Mao”. Sob sua presidência, a pressão sobre os cristãos chineses aumentou enormemente.

Isso ocorreu, principalmente, após a introdução da nova lei religiosa de fevereiro de 2018. As igrejas são ameaçadas com ataques durante os cultos, fechamento e demolição de prédios e prisões de pastores e evangelistas. Também foi proibido que adolescentes e crianças frequentem a igreja ou participem de acampamentos, escolas bíblicas de férias e retiros religiosos.

As autoridades comunistas chinesas estão sempre procurando novas maneiras de monitorar grupos religiosos. Dessa forma, eles restringem a liberdade de fé do povo chinês, principalmente, das igrejas cristãs aprovadas pelo governo, porque as igrejas caseiras subterrâneas não são registradas e monitoradas pelo governo. Nem por isso, elas estão livres de riscos.

O projeto de lei intitulado “Regras para a administração de grupos religiosos” afirma que mais regulamentação visa “promover o desenvolvimento saudável de grupos religiosos”. E assim, eles são “orientados a se adaptar à sociedade socialista chinesa”.

Por exemplo, as igrejas são obrigadas a seguir instruções de policiais que, na entrada de cada culto, inspecionam todos os pertences de seus membros que desejam participar do culto.

A vigilância e o monitoramento dos cultos e dos fiéis da igreja estão aumentando com a instalação de câmeras e reconhecimento facial, de acordo com um relatório da Comissão Americana para a Liberdade Religiosa Internacional. O abuso de tecnologia na China está criando uma sociedade com características puramente desagradáveis que visam principalmente grupos religiosos.

Em julho deste ano, o Departamento de Estado dos EUA publicou um relatório indicando a China como um dos piores violadores da liberdade religiosa no mundo.

O Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional (IRF), do Escritório de Liberdade Religiosa Internacional do Departamento de Estado, detalha o status da liberdade religiosa em todos os países do mundo, elaborando abusos em países que exigem uma preocupação maior.

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