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Brasil e Israel se reúnem para discutir sobre vacinação e medicamentos no combate à covid-19

Thaís Garcia

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O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araujo, e o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gabi_Ashkenazi, se reuniram através de uma videoconferência na última sexta-feira (12) para discutir a cooperação no enfrentamento da covid-19.

“Ao patrimônio da diplomacia brasileira incorporamos, nestes dois últimos anos, uma parceria profunda e amizade fraterna com Israel, que reflete não só os interesses como também o sentimento dos brasileiros. Cooperação no combate à Covid é mais um passo nesse caminho”, disse o chanceler brasileiro.

Segundo o Itamaraty, os ministros trataram da cooperação Brasil-Israel no combate à pandemia, tanto em vacinas quanto em medicamentos, e também do incremento do comércio, bem como das perspectivas de paz e prosperidade no Oriente Médio após os acordos recentemente firmados entre Israel e vários países árabes.

A teleconferência foi seguida por um telefonema entre o presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que também contou com a participação da equipe de assuntos internacionais do governo federal.

Foto: Ernesto Araújo | Twitter | Divulgação

Vacinação em Israel

Atualmente, Israel é o país que lidera o ranking da vacinação contra a Covid-19 em proporção do número de habitantes.

Segundo dados analisados pelo Instituto de Ciências Weizmann, com 80% das pessoas com mais de 60 anos vacinadas, Israel registrou, nesta faixa etária, uma diminuição de cerca de 50% no número de casos, reportou menos 36% hospitalizações associadas à Covid-19 e menos 29% de internamentos em unidades de cuidados intensivos (UTI) face aos números de 28 dias atrás.

Os dados são de um estudo, ainda em revisão, encabeçado por Eran Segal (do Instituto de Ciências Weizmann), que comparou os dados dos dois confinamentos levados a cabo em Israel (de setembro e de janeiro), e relacionou-os com a campanha de vacinação iniciada no país em dezembro de 2020.

Israel estabeleceu grupos prioritários para a vacinação formado por cidadãos com mais de 60 anos, residentes e trabalhadores em lares de idosos, profissionais de saúde e pacientes com comorbilidades severas. E isso pode explicar o porquê de o número de pacientes de Covid-19 internados com mais de 60 anos ter sido pela primeira vez inferior ao daqueles que têm entre 0 e 59 anos, revelou o autor do estudo no Twitter, que também descreveu o processo como “a magia começou”.

A análise também comparou cidades que receberam primeiro as vacinas contra a Covid-19 com aquelas que as receberam mais tarde. Nos locais onde se vacinou mais cedo, houve uma diminuição de 60% dos casos e um decréscimo de 37% de pacientes com quadros clínicos graves. Por sua vez, onde a vacinação começou mais tarde houve uma redução de 36% nos casos e de 17% em internamentos em UTI.

Até ao momento, já foram vacinadas (pelo menos com uma dose da vacina da Pfizer/BioNTech) 3,5 milhões de pessoas — metade dos israelitas que podem ser vacinados.

No entanto, o estudo mostra que a desejável imunidade de grupo ainda está longe, bem como a descompressão dos serviços de saúde. Apesar de ter havido uma diminuição de 18% dos casos em pessoas com menos de 60 anos (que foram vacinadas mais tarde), houve um aumento nessa faixa de etária de 10,5% nas hospitalizações e um aumento de 32% de pacientes em UTI.

Os autores do estudo reconhecem limitações à análise e salientam que os números apresentados pelo Ministério da Saúde de Israel, que serviram de base a este estudo, poderão estar dependentes, entre outros, da capacidade da testagem e da política de hospitalização levado a cabo por cada hospital.

Apesar de ser ainda uma análise preliminar, os pesquisadores do Instituto de Ciências Weizmann acreditam que os dados “demonstram os primeiros sinais da eficácia de uma campanha de vacinação nacional”.

Medicamentos em Israel

Pesquisadores do Tel Aviv Sourasky Medical Center, também conhecido como Hospital Ichilov de Tel Aviv, anunciaram no dia 4 de feveiro resultados positivos em testes preliminares de um novo medicamento desenvolvido em Israel para o tratamento contra o vírus chinês.

Testes preliminares mostram que 29 de 30 pacientes com covid-19 em estado grave que receberam o medicamento denominado EXO-CD24, uma vez ao dia, tiveram uma recuperação completa em 5 dias.

O professor Nadir Arber, do Centro Integrado de Prevenção do Câncer do hospital, testou um medicamento que vem desenvolvendo para pacientes de covid em estado moderado e grave, com um resultado positivo de 95%.

Arber disse que o medicamento EXO-CD24 é barato e eficaz e deve ser administrado uma vez ao dia, durante 5 dias.

Dos 30 pacientes que receberam o medicamento, 29 mostraram uma melhora acentuada em 2 dias e tiveram alta do hospital 3 a 5 dias depois. Um paciente também se recuperou, mas sua recuperação demorou alguns dias mais, segundo o hospital.

Após esses resultados positivos, o hospital apelou ao Comitê de Helsinque do Ministério da Saúde para solicitar a extensão do estudo a mais pacientes.

Medicamento EXO-CD24

Segundo o Prof. Arber, o remédio é administrado por inalação, uma vez ao dia, em um procedimento que dura apenas alguns minutos, durante cinco dias.

“O medicamento é  baseado em exossomas que o corpo libera da membrana celular e usa para comunicação intercelular. Enriquecemos os exossomas com a proteína 24CD, que sabidamente desempenha um papel importante na regulação do sistema imunológico”, segundo o diretor do Prof Arber do laboratório, Dr. Shiran Shapira, que conduz pesquisas sobre a proteína CD24 há mais de duas décadas.

O ex-coordenador de coronavírus de Israel, Prof. Ronni Gamzu, saudou a descoberta como “excelente”, dizendo que ajudaria pessoalmente o professor Arber a garantir o ‘sinal verde’ junto ao Ministério da Saúde para testar a medicação em um grupo maior de pacientes.

“Estou orgulhoso de que aqui em Ichilov estejamos entre os líderes mundiais na busca da cura para a horrível epidemia”, disse o Prof. Gamzu, que agora retornou à sua posição como CEO do hospital.

Não está claro se a droga é igualmente eficaz contra as cepas da Grã-Bretanha, África do Sul e Brasil.

Medicamento Allocetra

Outro hospital israelense, o Hadassah Medical Center, em Jerusalém, também relatou um tratamento e resultado semelhante. O hospital administrou a 21 pacientes em estado crítico que sofriam de condições subjacentes um medicamento chamado Allocetra. De acordo com os médicos, 19 pacientes se recuperaram em 6 dias e tiveram alta do hospital em média após 8 dias.

O ensaio clínico foi conduzido com a permissão do chamado Comitê de Helsinque do Ministério da Saúde por uma equipe liderada pelo Prof. Vernon van Heerden, diretor da Unidade de Terapia Intensiva Geral do Hadassah Medical Center. “Estamos satisfeitos que os pacientes, que estavam em estado grave e crítico, se recuperaram após o tratamento com Allocetra”, disse um porta-voz da Enlivex.

O medicamento Allocetra foi desenvolvido pelo professor Dror Mevorach, diretor do Centro de Pesquisa de Reumatologia e Medicina Interna do Hadassah Medical Center, para lidar com o sistema imunológico hiperativo que causa a secreção de citocinas. O remédio usado no ensaio clínico foi desenvolvido em colaboração com a Enlivex, com sede em Ness Ziona – uma empresa de medicamentos de imunoterapia em estágio clínico, com foco no equilíbrio do sistema imunológico. Mevorach já havia testado o medicamento com sucesso em dez outros pacientes com vírus chinês.

O Allocetra trata a super-resposta do sistema imunológico e a resposta inflamatória que às vezes é observada em pacientes com covid-19, chamada de tempestade de citocinas. O fenômeno pode causar ataques graves do sistema imunológico aos próprios órgãos do corpo, levando à falência de órgãos e às vezes à morte. As tempestades de citocinas são difíceis de tratar porque são respostas complexas que envolvem vários sistemas biológicos reagindo e interagindo ao mesmo tempo.

As citocinas são proteínas utilizadas na sinalização celular que convocam as células imunológicas durante uma resposta imunológica. O Allocetra usa os próprios mecanismos de regulação do corpo para conter a tempestade sem prejudicar o sistema imunológico, disse a empresa. O tratamento infunde bilhões de células apoptóticas precoces, ou células mortas, na corrente sanguínea. Macrófagos e células dendríticas, os primeiros respondedores do corpo, se alimentam dessas células apoptóticas, liberando menos sinais de alerta de citocinas e acalmando a tempestade.

O Allocetra destina-se a tratar uma ampla variedade de casos em que há uma reação exagerada do sistema imunológico levando a um aumento na secreção de proteínas pelas células do sistema imunológico chamadas citocinas e desencadeando uma onda de citocinas ”, explica Mevorach. “A atividade é realizada tratando células de um doador saudável e modelando-as em laboratório para que, quando injetadas no corpo do paciente, a inflamação ou tempestade de citocinas, que são muito prejudiciais aos pacientes, seja controlada.

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