Redes Sociais

Austrália

Igrejas da Austrália em rota de colisão com o governo por causa da vacina da AstraZeneca

Thaís Garcia

Publicado

em

Imagem: Freepik License

As principais igrejas da Austrália estão em desacordo com as autoridades do país por causa da vacina da AstraZeneca. Os líderes religiosos querem dar aos fiéis o direito de optar por outra vacina, mas o governo federal diz que a maioria das pessoas não tem escolha, relatou o The Sydney Morning Herald.

A preocupação religiosa com a vacina da AstraZeneca parte do uso de linhagens celulares derivadas de aborto no processo de desenvolvimento da vacina, que eles consideram eticamente questionável. A AstraZeneca está usando linhas de células HEK-293 derivadas do aborto em testes e na fabricação das vacinas. Esta linha celular vem do tecido renal de aborto cometido na Holanda no início dos anos 70.

Enquanto a Austrália importará 20 milhões de doses de Pfizer para populações de alto risco, a maioria dos australianos receberá a vacina da AstraZeneca. São 50 milhões de doses que serão produzidas localmente e com as quais a vacinação está prevista para começar no final de março. Uma terceira vacina, a Novavax, deve estar disponível no final do ano, dependendo dos ensaios clínicos e da aprovação regulatória.

Arcebispos católicos e anglicanos disseram que deveriam ter o direito de optar por outra vacina. Três das principais vozes religiosas da Austrália escreveram ao primeiro-ministro australiano sobre suas preocupações de que a vacina contra a covid-19 seja “eticamente contaminada” por células fetais abortadas.

Na sexta-feira (12), um porta-voz do Arcebispo Católico de Sydney, Anthony Fisher, disse que ele era um forte defensor das vacinas, mas “como qualquer droga, elas devem ser obtidas com segurança e ética”.

“Felizmente, as vacinas Novavax e Pfizer serão disponibilizadas na Austrália, pelo menos elas parecem ter maiores taxas de sucesso e não estão moralmente em risco”, disse ele.

No entanto, as linhas celulares HEK-293 foram usadas em pelo menos um teste laboratorial confirmatório da Pfizer, linhagem celular que vem do tecido renal de aborto cometido na Holanda no início dos anos 70, como mencionado anteriormente.

De acordo com o Population Research Institute (Instituto de Pesquisa Populacional), a farmacêutica Novavax, sediada em Maryland, nos EUA, está “usando uma linha celular de invertebrados eticamente derivada da Sf9” para testar sua vacina. Empresas como Novavax e Sanofi estão demonstrando claramente que vacinas contra covid-19 podem ser desenvolvidas sem depender de linhagens celulares derivadas do aborto.

Uma porta-voz do arcebispo católico de Melbourne, Peter Comensoli, disse que a Igreja esclareceria sua posição ética sobre as vacinas na próxima semana, mas, enquanto isso, referiu-se a seus comentários em uma carta aos fiéis no ano passado.

“Onde houver escolha, encorajamos as pessoas a usar uma vacina que não foi desenvolvida com células fetais humanas derivadas do aborto”, escreveu ele na época. No entanto, os bispos aceitam que o uso de uma vacina eticamente comprometida é aceitável quando nenhuma outra opção está disponível, acrescentam.

Leia também: A polêmica em torno das vacinas desenvolvidas com linhagens celulares derivadas de aborto

Cristã e Correspondente Internacional na Europa.

Deixe um comentário