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Ataque de drones à Arábia Saudita causa aumento nos preços do petróleo. Cerca de 5% da produção global foi afetada

Thaís Garcia

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Imagem: Reuters

Os preços do petróleo aumentaram bastante, depois de um ataque de drones contra duas instalações de petróleo na Arábia Saudita, no último fim de semana. Cerca de 5% da produção global de petróleo foi perdida. A expectativa é que isso leve rapidamente a preços mais altos nas bombas de gasolina.

No primeiro dia de negociação após o ataque, a cotação do petróleo Brent subiu em 19% na Ásia, para US $ 71,95 por barril. Esse é o maior aumento de preço desde que o contrato Brent foi lançado, em 1988. O preço de um barril de petróleo americano subiu 15%, para US $ 63,34 por barril.

Preços nos postos

De acordo com os especialistas, o aumento explosivo dos preços do petróleo terá consequências para os preços nos postos.

Os preços do gás são normalmente fixados em dias úteis. Os preços para sábado, domingo e segunda-feira já foram estabelecidos. Em princípio, são acordos, mas podem ser quebrados. Na terça-feira, está previsto pelo menos um aumento de 1 a 2 centavos de dólar por litro, além do atual preço sugerido no varejo e, a longo prazo, talvez 5 centavos de dólar por litro.

Ataques e consequências
No sábado (14), as instalações de petróleo em Abqaiq e Khurais foram atingidas por vários drones na Arábia Saudita. O campo de petróleo da Abqaiq, no nordeste do país, abriga a maior refinaria de petróleo do mundo. O campo em Khurais, entre a capital Riyadh e o Golfo Pérsico, é um dos campos de petróleo mais importantes do país.

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A Aramco, o maior exportador mundial de petróleo, teve que reduzir pela metade sua produção de petróleo como resultado do ataque.

Para os mercados de petróleo, este é o pior ataque já sofrido. Até a perda de suprimentos de petróleo do Kuwait e do Iraque, em agosto de 1990, foi superada. Na época, Saddam Hussein invadiu seu país vizinho. A perda, também já é considerada maior que da produção iraniana durante a Revolução Islâmica, em 1979.

Especialistas apontam que a vulnerabilidade da infraestrutura saudita, que até agora era considerada muito estável para os mercados de petróleo, é uma nova realidade que os comerciantes devem começar a levar em consideração.

Medidas
Em um esforço para acalmar os mercados de commodities, o presidente dos EUA, Trump, anunciou medidas. Se necessário, Trump deu permissão para usar o petróleo da reserva estratégica do país. Essa reserva foi estabelecida após a crise do petróleo de 1973. O petróleo é armazenado em quatro depósitos subterrâneos no Golfo do México, nos estados do Texas e Louisiana.

“Petróleo mais que o suficiente!”, garantiu Trump no Twitter.

Verdadeiros culpados
A responsabilidade pelos ataques foi reivindicada pelos rebeldes houthis, do Iêmen, com os quais a Arábia Saudita está em conflito há muito tempo. Segundo um porta-voz dos rebeldes houthis, mais ataques a instalações de petróleo na Arábia Saudita não podem ser descartados.

“Essa infraestrutura pode ser bombardeada novamente a qualquer momento”, alertou o porta-voz e pediu para que os estrangeiros deixássem a área.

Autoridades do governo saudita e americano duvidam da história. Os americanos dizem que os ataques são grandes demais para serem realizados por esse grupo. Eles suspeitam que o Irã esteja por trás da ação.

As forças de segurança dos EUA dizem ter imagens de satélite e outras informações que mostram que o Irã estava envolvido no ataque de drones.

“O suprimento de petróleo da Arábia Saudita foi atacado. Há razões para acreditar que sabemos quem é o culpado, …dependemos de uma verificação, mas estamos aguardando confirmação da Arábia Saudita, sobre quem eles responsabilizam pelo ataque e sob quais termos deveríamos proceder!”, declarou Trump no Twitter.

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Imagem de satélite dos EUA mostra danos à usina, após o ataque de drones na Arábia Saudita. Foto: AP.


Resposta do Irã

O Irã nega as alegações e afirma que os americanos querem justificar qualquer ação futura contra o Irã.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse: “Comentários cegos e fúteis. Os americanos optaram por uma política de pressão máxima contra o Irã, e por causa de seu fracasso, agora optam por falar o máximo de mentiras”.

Amir Ali Hajizadeh, comandante da força aérea da Guarda Revolucionária Iraniana, usou uma linguagem mais sólida. Ele alertou que o Irã está pronto para uma possível luta.

“Todo mundo precisa saber que todas as bases americanas e seus porta-aviões estão ao alcance de nossos mísseis, a uma distância de 2.000 Km ao redor do Irã”, disse o comandante iraniano.

Reação de países
Outros países relutam em responder às crescentes tensões.

O Ministério das Relações Exteriores da China disse que são necessárias mais informações, antes que a questão de “quem é o culpado” possa ser respondida. O Reino Unido chamou os ataques de “violação do direito internacional”, ao mesmo tempo em que o ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab, enfatizou que ainda não está totalmente claro quem é o responsável.

A maioria dos líderes de países europeus condenam o ataque, mas decidiram primeiramente analisar ‘passo a passo’, os efeitos a longo prazo do ataque de drones à instalação de petróleo saudita. Eles esperam que seus orçamentos resistam aos possíveis golpes que o ataque possa causar.

Os líderes europeus não querem antecipar as consequências para a economia europeia. Preferem não tirar grandes conclusões ainda e observar qual será o impacto.

Economia mundial
O preço mundial do petróleo é um fator, juntamente com tantos outros, que afeta a economia mundial. As consequências dependerão da capacidade dos orçamentos de cada país, de absorver possíveis golpes inesperados como esse.

Espera-se que cerca de 5% da produção mundial de petróleo esteja envolvida, o que para muitos países seria administrável.

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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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