Redes Sociais

Mundo

Holanda é o 9º país europeu a suspender a vacina contra covid-19 da AstraZeneca após efeitos colaterais

Thaís Garcia

Publicado

em

Frauke Riether | Pixabay

Neste último domingo (14), o governo holandês suspendeu temporariamente o uso da vacina contra covid-19 da AstraZeneca no país, após o registro de casos de trombose ou coágulos. A Holanda é o 9º país europeu a paralisar o uso desta vacina, depois da Irlanda, Islândia, Dinamarca, Áustria, Estônia, Lituânia, Luxemburgo e Letônia.

A vacina contra covid-19 da AstraZeneca foi desenvolvida de uma vacina originalmente planejada para MERS, a síndrome respiratória do Oriente Médio. Vale lembrar que o FDA (Federal Drug Administration) ainda não aprovou essa vacina, apesar dos estoques que estão disponíveis nos Estados Unidos.

O Ministério da Saúde holandês informou em um comunicado que a vacina não será usada nas próximas duas semanas.

De acordo com os últimos dados fornecidos no país, cerca de 350.000 holandeses já receberam a dose.

Segundo o ministro da Saúde da Holanda, Hugo de Jonge, o motivo imediato da suspensão da vacina são as novas informações que foram disponibilizadas neste fim de semana de notificações de trombose após a vacinação e de seis relatórios de possíveis efeitos colaterais da Dinamarca e da Noruega.

“Estes são sinais raros e graves de formação de coágulos (trombose) e um número reduzido de plaquetas sanguíneas (trombocitopenia) em adultos com menos de 50 anos de idade. Nenhum caso semelhante é conhecido atualmente na Holanda”, declarou.

A Dinamarca anunciou anteriormente que iria suspender a vacina da AstraZeneca, depois que coágulos de sangue foram encontrados em algumas pessoas que haviam sido vacinadas.

Recentemente, o ministro holandês da Saúde disse que não havia motivo para preocupação com a vacina da AstraZeneca. “É altamente improvável que o caso de trombose e a vacinação estejam relacionados. Essas são coisas que ocorrem após a vacinação, mas não através da vacinação”, disse ele.

Agnes Kant, epidemiologista e diretora do centro holandês de efeitos colaterais Lareb, anteriormente não viu necessidade de suspender essa vacina. “É uma suspeita de trombose, sem consequências graves”, disse Kant na semana passada. “Não vemos nada de especial, mas é claro que estamos extremamente vigilantes sobre isso.”

A medida de precaução não afeta as vacinações planejadas com as vacinas BioNTech/Pfizer ou Moderna.

Para as pessoas que já receberam a primeira dose da AstraZeneca, as consequências ainda não são conhecidas, uma vez que decorrem 12 semanas entre a primeira e a segunda dose da vacina. As primeiras doses foram aplicadas em 12 de fevereiro. “Esperamos ter clareza na hora da segunda dose”, disse o ministério da Saúde da Holanda.

A Agência Europeia de Medicamentos EMA está conduzindo investigações adicionais.

Efeitos colaterais da vacinação na Holanda

O Centro de Efeitos Colaterais da Holanda, o Lareb, registrou até 28 de fevereiro 87 mortes após a vacinação contra a covid-19, segundo um relatório semanal revisado ​​por especialistas e divulgado em seu site.

De acordo com o Lareb, trata-se de 71 idosos com 80 anos ou mais e 14 idosos entre 65 e 79 anos. Todos tinham uma saúde frágil devido a várias doenças subjacentes graves e/ou idade avançada. Eles morreram dentro de 1 a 26 dias após a vacinação.

O Lareb informa que foram recebidas 6.426 notificações com 31.534 efeitos colaterais suspeitos, dos quais 5.799 notificações após a inoculação com a vacina da Pfizer/BioNTech. Além disso, o centro recebeu 386 notificações de reações adversas à vacina da Moderna. Em 82 notificações, o tipo de vacina não foi informado.

O Lareb também recebeu 39 notificações de reações alérgicas graves, sendo 37 à vacina Pfizer/BioNTech, 1 à Moderna e 1 à AstraZeneca. Em 14 notificações, houve uma reação anafilática. Nas outras 25 notificações, houve sintomas como erupção cutânea extensa ou inchaço ao redor dos olhos ou garganta, que podem estar associados a uma reação anafilática.

Os relatórios do centro dizem respeito a aproximadamente 1,1 milhão de vacinas administradas no país. A diretora do Lareb ressaltou que uma morte após a vacinação não significa que a morte foi causada pela vacina.

Cristã e Correspondente Internacional na Europa.