Demarcações indígenas: uma pequena elucidação reminiscente

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A dialética da esquerda para manipular o pensamento em direção à um determinado caminho ao mesmo tempo em que ela faz exatamente o caminho inverso é escandalosamente mal formulada e fácil de ser desconstruída. Para ilustrar melhor esse tema utilizo um assunto que está em efervescência no momento: a transferência da jurisdição sobre a demarcação de terras indígenas ao Ministério da Agricultura.

Não precisamos ir muito longe para compreender que o discurso do ambientalismo é não menos do que mais uma das falsas bandeiras assumidas pelo movimento revolucionário à título de convencer você de que o Estado deve lutar pela preservação do Meio Ambiente, enquanto por trás das cortinas do macabro teatro do poder, sem a menor vergonha de passar por cima das questões ambientais, o governo entrega a matriz enérgica natural do país nas mãos de ilustres empresários da aliança de poder. Utilizarei neste artigo, como exemplo, um caso emblemático de manipulação dialética aplicado neste tema: a Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Instalada na bacia do rio Xingu, no Amazonas, a hidrelétrica operada pelo consórcio Norte Energia é um ‘empreendimento’ do governo petista que inicialmente custaria R$ 26 bilhões de reais e que até o momento – obras ainda não concluídas – já extrapolou R$ 12,6 bilhões, superfaturando o projeto em 49,5% do valor originalmente aprovado para a construção.

Durante o processo de aprovação do projeto, o Ministério da Casa Civil petista, comandado no ano de 2010 pelas donas Dilma Rouseff e Erenice Guerra, por seu Carlos Eduardo Esteves Lima e por seu Antonio Palocci no primeiro semestre de 2011, protagonizaram uma explícita intervenção estatal sobre os pareceres do Ibama em respeito à viabilidade ambiental para a construção da hidrelétrica. O ministério da casa civil, ainda no início de 2010, emitiu nota informando que o Ibama deveria, até fevereiro do mesmo ano, emitir seu parecer final sobre o tema. A equipe técnica do Ibama responsável pela análise informou ao governo que o prazo para a emissão do parecer do órgão, de forma correta e completa, era inexequível. Pressão vai, pressão vem, no fim das contas, técnicos e chefia do Ibama foram substituídos e o parecer emitido, ainda que com ressalvas de que a análise carecia de toda sorte de avaliações geológicas e ambientais.

Não satisfeito em passar por cima da independência institucional do Ibama, o governo do PT fez questão de ignorar categoricamente toda e qualquer apelação contrária à construção da usina por parte de comunidades ribeirinhas e indígenas, e de toda a gama de ONGs ambientalistas que alertaram para incontáveis estragos ambientais que a construção causaria, como desmatamentos e alagamentos das regiões habitadas nos entornos da bacia do Rio Xingu. Repare bem: são essas comunidades de pessoas que viviam à margem não só das bacias amazônicas, mas também das políticas sociais petistas, que a esquerda invariavelmente toma como classe socialmente desfavorecida à ser defendida.

A utilização de empreendimentos estatais em ‘parceria’ com as grandes Campeãs Nacionais como moeda de troca por financiamento das faraônicas campanhas eleitorais e consequente compra de parlamentares para manutenção da base aliada no congresso nacional é uma prática usual do Estado socialista para a perpetuação da hegemonia política do partido. Basta uma rápida pesquisa sobre as empresas que formam os grupos que administram e operam estes empreendimentos para encontrarmos sempre as mesmas caras simpáticas da aliança de poder.

Quando observamos a discussão do momento em torno da decisão tomada pelo presidente de transferir o poder de decisão sobre as demarcações ambientais ao Ministério da Agricultura, temos de prestar muita atenção em como a grande mídia esquerdista tenta informar – ou melhor, desinformar – o cidadão. Não é necessário vir aqui defender Jair Bolsonaro nesta questão, até porque sou contra um único órgão ministerial possuir a prerrogativa de decidir, sozinho, as demarcações indígenas, não obstante os inúmeros motivos, principalmente pela obviedade do conflito de interesses, mas é importante defender a abertura do diálogo da sociedade em torno de assuntos vitais para a gestão dos recursos nacionais. Entretanto, acreditar que os indígenas estão agora sendo desprovidos de seus direitos com essa decisão, quando a realidade dos últimos anos nos mostra que essas pessoas foram sucessivamente vítimas das maquinações e embustices lulísticas isolando-as da sociedade, portanto e sobretudo incapacitando-as de reaquistar seu direito de verdadeiramente serem inseridos nacionalmente, só poderia ser a maior cretinice oriunda da mente hegemonicamente subjugada.

O que aconteceu nos últimos 25 anos neste país foi a descarada utilização da dialética esquerdista que fazia você acreditar que o Estado lutava para defender nosso meio ambiente, nossos recursos naturais, os povos indígenas e tutti quanti sofismas marxistas, fazendo você acreditar em uma falsa independência das pastas ministeriais e das instituições como o Ibama, quando na verdade o que acontecia era uma enorme pressão política viabilizada pela brutal força do Estado sobre a dependência estatal das instituições e a mais vil entrega de tudo nas aprazidas e empanturradas mãos do alto empresariado nacional.

O que acontece agora, apesar da inútil tentativa da imprensa de manobra em escandalizar uma decisão que se não parece ser a ideal, também não representa o decreto de extinção aborígene, é a verdadeira liberdade com que a população pode exercer sua opinião para pressionar o governo eleito à tomar ou não tomar determinada decisão, e sobretudo, a liberdade para discordarmos deste mesmo governo que elegemos, sempre que assim quisermos, sendo este sim, o verdadeiro exercício da democracia.

Alain Ibrahim

“O segredo para evitar o sofrimento do corpo é não permitir que o espírito torne-se prisioneiro de uma mente atrofiada”.

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