Circula nas redes sociais uma série de publicações afirmando que o Portal da Transparência, que reúne dados sobre as despesas do governo federal, foi retirado do ar.
O conteúdo enganoso reunia ao menos 10 mil compartilhamentos e 50 mil curtidas no Twitter até a tarde desta quarta-feira (27).
De maneira geral, os posts com a desinformação utilizam as seguintes expressões: ‘retirado’, tirar’, tiraram’ – todas elas apontam para uma ação supostamente premeditada por parte da administração brasileira.
“O canalha que nos governa tirou o Portal da Transparência do ar! Isto jamais aconteceu na história Brasileira! Pegamos o rabo da ratazana. Alô Ministério Público, vai ficar por isso mesmo?”, escreveu o ex-governador do Ceará e candidato derrotado ao Planalto em 2018, Ciro Gomes (PDT).
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsApp“No mesmo dia que os escandalosos gastos com alimentos feitos pelo governo Bolsonaro veio à tona, o Portal da Transparência é retirado do ar. Censura!”, registrou o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ).
Além das publicações acima, diversas autoridades e personalidades seguiram o mesmo tom, a exemplo do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) e do cantor Marcelo D2.
O conteúdo foi analisado pela equipe do Conexão Política.
Conforme apuramos, a plataforma apresentou instabilidade após uma enxurrada de buscas. Diferentemente daquilo que tem sido propagado nas redes, o sistema não foi propositalmente retirado do ar após a repercussão envolvendo a ‘fake news’ que Jair Bolsonaro teria comprado R$ 15 milhões em leite condensado. Esse conteúdo, inclusive, já foi desmentido pela nossa equipe de fact-checking.
A difusão coordenada de desinformações gerou lentidão e instabilidade, segundo informou a Controladora-Geral da União (CGU).
“A Controladoria-Geral da União (CGU) esclarece que o portal da transparência do governo federal recebeu um volume de acessos muito grande, e fora do habitual, na tarde desta terça-feira, dia 26/1, o que gerou uma lentidão expressiva nas consultas feitas pelos usuários”, disse a CGU em nota oficial.
Já cientes do problema, os técnicos do órgão iniciaram os trabalhos para solucionar a instabilidade da página, normalizando o acesso integral aos conteúdos hospedados, sem nenhuma interferência ou modificação nas informações ali divulgadas.
“No início da noite, os acessos continuaram bastante elevados, o que aparentemente acabou por acarretar a instabilidade e a consequente indisponibilidade de acesso ao portal. A área de Tecnologia da Informação da CGU identificou o comportamento instável e a sobrecarga pela qual o portal está passando e está apurando detalhes da ocorrência”, acrescentou o comunicado da CGU.
Portanto, é FALSA a afirmação de que, de maneira proposital, o Portal da Transparência foi removido do ar.
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