Entrevista — Conheça Lucas Rinor, músico folk e conservador

Autor: 1 comentário Compartilhar:

Quem é Lucas Rinor?

Lucas Rinor é um músico independente Baiano, canta os gêneros Folk, Blues e Rock. Com uma musicalidade e viés conservador trata de assuntos como fé, família, armas, valores, amor às origens.

Seu álbum Sobre Lobos e Homens está disponível no iTunes e Spotify. Os trabalhos do artista podem ser acompanhados em sua página do Facebook: fb.com/lucasrinor.

Entrevistando Lucas Rinor

Anderson C. Sandes: Lucas, as pessoas em geral se indispõem em irem aos seus shows pelo fato de teres um viés conservador nas canções? Ou achas que no geral as pessoas não se importam em como pensa o artista, mas como ele faz a sua arte?

Lucas Rinor: Olá Anderson. Primeiramente queria agradecer a você pelo espaço. É sempre bom falar sobre o que amamos. Percebo que o público vibra muito com as minhas canções e a cada dia percebem a importância de se defender os valores que são tão caros para todos nós. O Brasil é um pais conservador, e falo desses valores, dessa forma a identificação é algo natural.

Anderson C. Sandes: Temas como amor às origens, fé, armas, valores, etc. são considerados temas conservadores. Quando evoca essas temáticas em suas músicas, é de forma intencional ou faz porque é um assunto que é parte de ti e de sua realidade, e acaba, por fim, refletindo em sua arte?

Lucas Rinor: São temas que fazem parte de mim. A paternidade, o meu casamento, o trabalho, o contato com outros artistas e com o público nos shows, têm me mostrado que só existe uma forma de ser feliz nesse mundo. A felicidade está atrelada à busca da verdade e da beleza, para mim isso é ser conservador.

Anderson C. Sandes: O seu lado mais Folk faz com que as pessoas confundam, de certa forma, com música caipira? Não que o caipira não seja Folk, me refiro ao tom pejorativo que a palavra caipira trás atualmente.

Lucas Rinor: Cresci num ambiente urbano e por isso a internet me apresentou desde cedo o rock, o blues, o country e o Jazz. Sempre fui fascinado por esses estilos, minhas principais referências. Por outro lado, a forma de viver do caipira é uma grande inspiração. Essas pessoas estão ligadas à natureza, sabem quando vai chover, quando plantar e quando colher. Tenho respeito por esse tipo de saber, pois pagar contas num banco é viver uma mentira, isso não resolve a vida de ninguém.

Me apresento como um artista Folk, muitas vezes nem eu mesmo sei direito o que é isso. Escolhi esse rótulo por uma defesa das tradições (Folclore) do que por qualquer outra coisa. Fico incomodado com a utilização desse termo pela nova MPB, que interpreta o estilo sob um viés da contra cultura hippie dos anos da década de 1960, que chegou no nosso país através do tropicalismo. Acredito sejam eles os responsáveis por darem o caráter pejorativo a música caipira. Se formos um pouco mais longe poderemos sentir esse mesmo tom no modernismo brasileiro, que surgiu com a intenção de rompimento com as tradições europeias; porém continuaram bebendo da mesma fonte, e pior, usando elementos da vida rural de forma pejorativa. É aí que o caipira começa a aparecer como um sujeito ignorante e alienado. Percebo o tempo todo o tom de desqualificação desses personagens, seja na literatura de Monteiro Lobato ou no cinema do Mazzaropi.

Para mim foi um longo caminho até romper com essa imagem. Tenho muito orgulho de ter nascido às margens do Rio Gavião, lá em Vitória da Conquista, na terra do grande Elomar Figueira, que teve uma influência decisiva na minha visão de mundo. Ali eu me criei e entendi o que é ser um artista. Apesar da sua música não ter uma relação direta com a forma que eu toco e me expresso eu amo Elomar, ali eu encontrei o que eu chamo de uma visão sóbria do que é ser um caipira.

Anderson C. Sandes: A afirmativa “querer paz não é suficiente, homem bom tem que se armar” em sua música Cano e Bala, já te causou alguma polêmica?

Lucas Rinor: Realmente não tenho problema com o público. Não posso dizer a mesma coisa em relação a alguns contratantes. Já tive situações de ser cortado da grade de festivais, ou não conseguir retornar a uma casa de show por causa dos meus posicionamentos. Sou muito grato a todos que me contratam, pois vivo disso. É comum que os produtores em geral sejam de esquerda, as soluções para as dinâmicas culturais sempre apontam para a proteção do estado. É um dinheiro fácil, as produções não precisam dar lucro, as grandes empresas apoiam. O tipo esquerdista no meio dos artistas é bem visto, está sempre atrelado ao cara descolado e progressista, é um pacifista, a favor das drogas, do sexo livre, do direito das mulheres ao aborto, enfim… pautas que superficialmente parecem ser o que a há de melhor.

Graças a Deus não sou uma pessoa que vive para os holofotes, vivo para seguir Jesus Cristo e pouco me importa fora disso. Não tenho maiores expectativas em relação a minha carreira de artista, é difícil pra todos. Ser conservador e cristão fecha algumas portas. Só nos resta entender que somos a resistência.

Anderson C. Sandes: Uma curiosidade: a música Hino ao Capitão Lepe tem influência da música folclórica americana Oh Suzana?

Lucas Rinor: O Cd “Sobre Lobos e Homens” foi gravado em uma semana. A maioria das músicas foi feita de forma bem rápida e enquanto estava compondo resolvi fazer essa homenagem para o Capitão Lepe, que na verdade era um passarinho que cuidávamos aqui em casa. Toda manhã acordava e pendurava a gaiola do Lepe numa parede próxima da janela do meu estúdio. O Lepe fugiu, e minha filha, que é apaixonada por esses bichinhos, ficou bem triste. Resolvi gravar essa canção para animá-la. Soa bem parecida com Oh Suzana, e só percebi isso tempo depois, a intenção foi alegrar minha amada filha Maria.

Anderson C. Sandes: Qual é o perfil do seu público, Lucas? É um perfil jovem? Eclético?

Lucas Rinor:  Acredito que o meu público seja formado por pessoas mais velhas, aquelas que realmente entendem os problemas do nosso país. Tenho o cuidado de não fazer das minhas músicas algo polêmico, gosto de temas como o amor e de canções que retratem as coisas belas e simples da vida. Estamos vivendo tempos difíceis, até mesmo cantar o amor pela esposa soa como algo panfletário.

Anderson C. Sandes: Quais os maiores desafios para um artista independente do seu segmento no Brasil?

Lucas Rinor: O desafio, num sentido mais comercial, é fazer o trabalho rodar, pagar os músicos e oferecer a estrutura necessária para o trabalho acontecer. Existe uma enorme dificuldade para que as casas sobrevivam, se mantenham de pé: excesso de regulamentação, ECAD, leis do silêncio, alvarás, leis trabalhistas, etc. Enfim, os problemas são estruturais e semelhantes ao que acontece nas demais áreas que exigem empreendedorismo.

Anderson C. Sandes: Deixe um recado para aqueles que lerão esta entrevista e que ainda não conhecem seu trabalho.

Lucas Rinor: Quero agradecer ao Anderson pela oportunidade, e convidar a todos para conhecerem o meu disco, que está disponivel do Spotfy, e as minhas páginas nas redes sociais (instagram, youtube, facebook). Que o amor de Deus esteja presente em tudo que vocês desejam fazer, essa é a grande mensagem que posso passar adiante. Muito obrigado.

Anderson C. Sandes: Agradeço muito pela entrevista, sou um grande admirador de seu trabalho e tenho amigos que também gostam muito.

Post anterior

Marina Silva lidera rejeição enquanto Bolsonaro e Haddad crescem; confira nova pesquisa XP/Ipespe

Próximo post

PP racha no Sul; candidato cotado para substituir Ana Amélia rompe com PSDB e anuncia apoio a Bolsonaro

Você pode gostar também:

1 comentário

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.